sexta-feira, 5 de julho de 2013

Credo da Nova Ordem

Pode-se rezar este novo Credo escrito segundo a nova religião do Vaticano II se se quiser adorar a Besta:
“Cremos em um só Deus, o mesmo dos protestantes, judeus, feiticeiros, pagãos etc, Pai/Mãe Todo(a)-Poderoso(a), que pode ter criado o céu e a terra, mas temos outras opções, também cremos na evolução porque os ateístas nos disseram para crer. O mesmo Deus que declaramos nos anos 60 ser um sexista em nossas antigas bíblias. Cremos, quando nos convém, que Ele tem um Filho que pode ter tido irmãos, e que nasceu da Virgem Maria, mas deixamos nossas opiniões em aberto nisso também, por causa de nossos irmãos separados que estão unidos à nossa nova Igreja desde o Vaticano II. Mas cremos que Ele definitivamente se fez homem, assim como nós. Sofreu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morreu e foi sepultado, mas damos às crianças as opções em seus livros-textos escolares de que Seus apóstolos podem ter roubado Seu corpo e Ele pode não ter ressuscitado dos mortos.
Cremos no Espírito Santo que guia os protestantes e muitas outras igrejas em nossa Igreja do Vaticano II, liberal, dialogante, ecumênica e colegiada, na comunhão dos santos que João Paulo II fez sem os devidos milagres, nos mártires não-católicos declarados desde o Vaticano II, no perdão dos pecados sem um padre propriamente ordenado, na ressurreição dos corpos, mas desde o Vaticano II podemos ser cremados, e na vida no céu para todo mundo, sem nenhuma alma condenada ao inferno. Amém.”

terça-feira, 2 de julho de 2013

Claude Debussy: Primavera


I - Très Moderé
II - Moderé


Pierre Boulez
Cleveland Orchestra

sábado, 29 de junho de 2013

Menos democracia, mais civilização

“A CANAILLE toma as ruas, faz terrorismo guarani-kaiowá e pede que o estado seja democrático e conceda passe-livre. O estado democrático, por sua vez, eleito pelos mesmos sacripantas que hoje tomam as ruas, faz valer o poder coercitivo supostamente assinado por vocês e por nós outros naquele suspeitíssimo negócio que chamam de ‘contrato social’ (nunca vi) e solta os cavalos e desce os porretes. A imprensa mainstream – uns poucos contra, outros muitos a favor da balbúrdia – denuncia que o estado democrático não foi democrático de verdade quando soltou os cavalos e desceu os porretes. E cobra democracia. E nós outros sabemos, ou deveríamos saber, que pedir democracia é pedir para apanhar.
Você divide seu voto por, quantos?, cento e não sei quantos milhões. Seu voto vale zerozerozerozerozero-etc-um. Não vale nada, enfim. Daí você pede, chora, sapateia: passe livre, direito de ser vadia e não ser tratada como puta, direito de ser puta e não ser tratada como vadia, divórcio, casamento gay, divórcio gay, aborto, adoção gay, meia entrada pros, aspas, estudantes, lei não sei das quantas que garanta que a meia entrada dos, aspas, estudantes não atrapalhe o orçamento dos artistas (com ou sem aspas), e bolsa isso e bolsa aquilo, que o estado permita, que o estado proíba, que o estado ao menos prometa que vai pensar, que o estado discuta relação e tudo o mais que lhe der na veneta. Democracia é realismo fantástico.
O estado democrático faz o que? Atende seus pedidos. Daquele jeito dele, sabe-se bem, mas de algum modo ele atende. E seus representantes dizem na tv que você é um cidadão e tem de votar. O cidadão acredita piamente nos milagres do sufrágio universal e digita os números do celerado da vez e da camarilha correspondente. O celerado da vez, para ser eleito, promete aquelas coisas todas que já se sabe quais são, mais algumas outras que nem sequer foram cogitadas, e diz que pretende ‘aprofundar a democracia’. E você fica feliz.
Mas aqui começam os problemas. O estado, para atender às demandas, meu caro eleitor, manda mais e mais em você e se mete mais e mais na sua vida. E não porque ele seja necessariamente mau. Mas é sua natureza, seu modus operandi: para cumprir o que se espera o estado tem de crescer, tem de ampliar seu campo de atuação e dilatar e estender o alcance de suas competências.
Ele passa a ter mais poder – que lhe foi outorgado – justamente porque você, que o sustenta, quer ter mais poder. O estado tira mais do seu dinheiro, diz o que é moral você fazer ou deixar de fazer, regulamenta cada ato, cada falta de ato. Se a bancada evangélica ou cristã é maior, durante quatro, oito, doze anos veremos uma atuação política toda cheia de preocupações com a moral e os bons costumes (farisaica). Mas os cristãos, ficamos felizes. O problema é que quatro, oito, doze anos mais tarde tipinhos inacreditáveis como Jean Wyllys chegam ao poder – legitimamente, considerado o sistema representativo – e temos então a bancada gay, o discurso gay, as preocupações gays.
Se o estado serve para alguma coisa (e não estou certo sobre), serve precisamente para equalizar as relações entre os cidadãos – à parte todo o peso de suas diferenças – perante a lei e o direito. Se o estado serve para alguma coisa, serve como arcabouço jurídico que garanta a isonomia, a equanimidade nos julgamentos.
Esperar do estado muito mais do que isso – salvo em questões emergenciais – é esperar que os pretendidos direitos e mimos que você exige compensem as restrições progressivas à sua liberdade. Nunca compensam. E a quem você vai reclamar quando o estado suprimir suas liberdades (voltar ao início do texto: ‘faz valer o poder coercitivo etc’)? Ao estado novamente, para que seja mais democrático e mais isso e mais aquilo. Samsara.
Precisamos de menos estado. Precisamos de menos democracia – muito menos democracia – e mais civilização. Democracia é só um arranjo muito vagabundo que de uns tempos pra cá nós enfiamos na cabeça que é a única coisa que funciona. E não é. Mas dá preguiça pensar, não é mesmo? Democracia é passe-livre. Mas também é gás-pimenta.”
(Gustavo Nogy, Democracia: Modos de Usar)

http://www.adhominem.com.br/2013/06/democracia-modos-de-usar.html

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Jorge Luis Borges: O Cúmplice

Crucificam-me e eu tenho de ser a cruz e os pregos.
Estendem-me a taça e eu tenho de ser a cicuta.
Enganam-me e eu tenho de ser a mentira.
Incendeiam-me e eu tenho de ser o inferno.
Tenho de louvar e de agradecer cada instante do tempo.
O meu alimento é todas as coisas.
O peso exato do universo, a humilhação, o júbilo.
Tenho de justificar o que me fere.
Não importa a minha felicidade ou infelicidade.
Sou o poeta.


Tradução de Fernando Pinto do Amaral

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Os graus do farisaísmo

“Alguns de meus amigos se afastaram da prática religiosa, ou até renegaram a Igreja “institucional”, porque descobriram em muitos católicos uma inconseqüência fatal entre a fé que garantem professar e as obras pelas quais, segundo reza o Evangelho, devem se distinguir os verdadeiros discípulos de Jesus. Este mal do farisaísmo introduzido no coração da Igreja é sem dúvida o mais grave dos que corrompem a fé, e o mais difícil obstáculo para a evangelização: não foi à toa que Jesus fez de sua luta contra o farisaísmo um empenho pessoal constante (não há pecado que receba mais condenações e execrações em sua pregação); e não foi à toa que seus detratores mais inflamados, que acabaram por levá-lo à Cruz, foram os fariseus maquinadores, que não suportavam sua denúncia implacável e acérrima: raça de víboras, sepulcros caiados, et cetera.
O farisaísmo é a causa principal da apostasia generalizada que aflige a Igreja; a esta causa endógena se juntam, certamente, outras muitas exógenas que, entretanto, desabariam como um castelo de cartas se a pessoa inclinada a desertar da fé descobrisse, entre os que se supõe não terem desertado, uma autêntica comunidade de fé e vida, uma congruência natural entre o que dizemos e o que fazemos. Certamente não devemos confundir as inevitáveis debilidades da natureza humana, conseqüência de nossa condição pecadora, com o farisaísmo, que é antes o contrário: pois o fariseu costuma ser pessoa soberba e de coração endurecido que se crê invulnerável às emboscadas do pecado que afligem o restante de nós mortais; e das alturas de sua presunção constrói uma religiosidade de pura fachada, uma espécie de fé dessecada, esclerosada, que acaba se transformando em impostura.
Leonardo Castellani, que nunca se cansou de denunciar o farisaísmo, estabeleceu em sua grandiosa obra Os Papéis de Benjamin Benavides uma gradação deste mal corruptor sumamente ilustrativa: 1) A religião se torna meramente exterior e ostentadora; 2) A religião se torna profissão e ofício; 3) A religião se torna instrumento de ganância, de honras, poder ou dinheiro; 4) A religião se torna passivamente dura, insensível, descarnada; 5) A religião se torna hipocrisia, e o 'santo' hipócrita começa a desprezar e odiar os que têm religião verdadeira; 6) O coração de pedra se torna cruel, ativamente duro; e 7) O falso crente persegue os verdadeiros crentes com fúria cega, com fanatismo implacável. Nesta gradação, Castellani distingue entre os três primeiros degraus, que são os mais tristemente habituais, e os quatro últimos, que qualifica com razão de diabólicos.
Do farisaísmo de 'primeira velocidade' todos temos experiência cotidiana: é a religião convertida em fachada e espalhafato, o sal que perde o sabor, o 'profissionalismo da religião' como dizia Thibon: é um mal que prospera sobretudo em circunstâncias nas quais a fé obtém um reconhecimento social; e onde, toda vez que uma multidão de não-crentes impõe certos gestos externos de afetada religiosidade ou rotineiro clericalismo, alguns sabidos aproveitam para tirar vantagem e fazer negócio. Em épocas como a nossa, nas quais a religião deixa de ter o reconhecimento social de antanho, este farisaísmo de 'primeira velocidade' tende a desaparecer, embora conserve seu raio de ação de portas adentro; por sua vez, o farisaísmo de 'segunda velocidade' é mais terrivel e odioso, desenvolve-se com uma pujança voraz e procura as estruturas de poder da Igreja, chegando às vezes, inclusive, aos postos de comando.
Já não tem nada a ver com a hipocrisia untuosa, com a afetação bajuladora, com a ambiçãozinha ou intriguinha clericalóide (embora, desde logo, as inclua), mas chafurda na perfídia e no crime, na perseguição inquisitorial ao justo e na traição à verdadeira fé, da qual o fariseu se apresenta paradoxalmente como cumpridor mais zeloso. Da atividade destes fariseus de segunda velocidade não temos uma experiência cotidiana visível, pois se desenvolvem em lugares onde a fé se torna burocracia e negociação; mas os efeitos de sua atividade contaminam toda a obra da Igreja. E, quando alguém se encontra com um destes fariseus, embora sua fé seja forte como um carvalho, treme como um frágil junco. É a prova mais dura que podemos enfrentar.”
(Juan Manuel de Prada, La Prueba más Dura)

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Nota sobre as manifestações Brasil afora

“Vendo a vibração de certos católicos ditos conservadores com as manifestações organizadas pelo “Movimento passe livre” em São Paulo, que eclodiu em outras tantas por todo o país, penso ser importante alertar para os seguintes aspectos:
1. O movimento é uma organização geneticamente revolucionária, regida pelos princípios do Fórum Social Mundial (cf. http://mpl.org.br/node/2). Sua organização é anárquica (http://mpl.org.br/node/5, vide “horizontalidade”) e seus esforços se colocam em sintonia com os dos demais movimentos de desintegração social, como o gayzismo, o laicismo beligerante, o etnicismo etc. (cf. http://mpl.org.br/node/1). Embora alegue seu apartidarismo, confessa seu não antipartidarismo. Parece tão ingênuo e impoluto… E o diz propositalmente para parecê-lo. Mas…
O princípio para avaliar uma manifestação de massa é o uso político que dela se faz, que quase sempre não coincide com o motivo declarado explicitamente pelos manifestantes. De modo que, acima de tudo, atente-se que a não dependência partidária explícita não é sinônimo de independência da gerência partidária implícita. Aliás, de onde vem o dinheiro usado pela organização? E o comando para a mobilização das mídias, que acabaram se transformando em meio direto de convocação das hostes?
2. As críticas dirigidas pelos manifestantes ao PT são de que este não é tão comunista como queriam que fosse. Sendo assim, a vitória não é do partido, mas da mentalidade comunista, hegemonicamente presente na cultura popular. Este é o resultado da não oposição ideológica à revolução gramsciana, há décadas invicta em nossa nação.
3. Para quem pensa ser contraditório a esquerda colocar-se contra si mesma, não se esqueça de que a psicologia dialética é essencialmente suicida. Desta forma, na elaboração marxista, o socialismo é apenas uma etapa autodestrutiva para a implantação do comunismo; e aquela, estrategicamente, seria antecedida eventualmente por outras etapas, de igual modo autoaniquilatórias. Portanto, o PT é consciente de ser apenas uma etapa a ser superada naquele horizonte; e isto não é acidental, é totalmente programado para ser assim.
4. Historicamente, o movimento revolucionário sempre trabalhou:
a) com uma dinâmica contraditória, para espalhar confusão e dissolução na sociedade;
b) com a matização dos mesmos preceitos em modelos diferentes de radicalidade, para fugirem da acusação de extremismo, enquanto falsamente se encaminham para a execução dos mesmos objetivos;
c) com a implantação do vitimismo e da revolta, como elemento aglutinador de forças beligerantes;
d) fazendo com que este laboratório de engenharia social culminasse com a eliminação de alguns de seus opositores (a Igreja ou outras instituições conservadoras). Assim, por exemplo, começaram a revolução francesa e a guerra civil espanhola, todas, na origem, meras manifestações inocentes de vitimismo e, no fim, assassinas e anticlericais.
Adendo.
Em 1936, aconteceu uma aparição de Nossa Senhora no Brasil, em Pernambuco, na cidade de Pesqueira, na vila de Cimbres, num lugarejo denominado Sítio da Guarda. A aparição, pouco conhecida, foi aprovada pela autoridade eclesiástica da época.
Ali, a Virgem disse a duas meninas: “Minhas filhas, virão tempos calamitosos para o Brasil! Dizei a todo o povo que se aproximam três grandes castigos, se não for feita muita penitência e oração”.
O sacerdote, depois, as interrogou durante uma aparição, na qual ele perguntava diretamente à Virgem (em latim e alemão, idiomas ignorados pelas videntes) e Ela respondia às crianças, que lhe transmitiam a resposta:
“- Que significa o sangue que corre das vossas mãos?”
“- O sangue que inundará o Brasil”.
“- Virá o comunismo a penetrar no Brasil?”
“- Sim”.
“- Os padres e os bispos sofrerão muito?”
“- Sim.”
“- Será como na Espanha?”
“- Quase”.
“- Quereis que se pregue sobre este assunto?”
“- Sim”.
Tempos depois, a Virgem voltou a aparecer a uma das videntes, dizendo-lhe: “Nunca mais me manifestarei aqui em Guarda e os três castigos não virão JÁ, porque o povo está melhor; mas é necessário ainda rezar muito e fazer penitência”.”
(Pe. Cristóvão, Nota sobre as Manifestações do “Movimento Passe Livre”)

http://fratresinunum.com

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A baderna totalitária

“Em poucas horas, o pretexto-estopim, o preço da passagem, forjado por um grupo que recebia verbas do governo federal, aliado a partidos de extrema-esquerda que cooptaram punks para as manifestações, passou a ser um conglomerado de indignações genéricas, emotivas, apontadas a ninguém. Notoriamente baseadas em slogans midiáticos e sempre fundamentadas em premissas da mentalidade esquerdista, ainda que nem sempre de forma tão direta. Bastou. Dessa forma, encantaram até mesmo milhões de cristãos, levados a pensar que a “justiça” pela qual clamam os baderneiros totalitários é a mesma das Escrituras e que serviu de base para o surgimento das instituições e políticas que garantiram um mínimo de liberdade civil na civilização ocidental.
Quando a Rede Globo, o PSTU, o PSOL, petistas e ONG´s financiadas por George Soros estão TODOS irmanados num movimento, o mais elementar é concluir que isso não evocará nem um princípio, meio ou objetivo minimamente alinhado a valores cristãos. Os quais nem mesmo nas táticas de propaganda revolucionária, montada a cooptar quem quer que seja, foram vistos. Tanto que os baderneiros já reclamam: “Não é uma causa pelos valores e pela família. Não estamos pedindo o fim do Estado – pelo contrário!” Mas há uma facilidade demasiadamente perigosa em esquecer que “o mundo jaz no maligno”. Velhas ordenanças bíblicas, como “não te associes com os revoltosos” (Pv. 24, 21,22) ou “não seguirás a multidão para fazeres o mal” (Ex. 23:2), que bem apontam o erro brutal que há em seguir massas enfurecidas, simplesmente sumiram da mente de milhares de cristãos.
Sei que, em muitos lugares, partidos de esquerda foram esculachados. Mas não adianta criticar na passeata e sequer perceber o quanto adquiriu do modus pensandi desses facínoras. E esse é um dos grandes desafios da igreja brasileira hoje: livrar-se desse ranço ideológico maldito, e restaurar a cosmovisão cristã em todas as dimensões da vida.
Há uma nova tecnologia de guerra cultural e política em teste. Que foi capaz de levar hordas às ruas clamando, no fim das contas, por mais e mais intervenção estatal em suas vidas. Reclamando dos sintomas do veneno, pedem uma dose ainda maior dele em suas veias.
Hoje é o day after da tal “Segunda-feira Branca”. Não há nenhum risco na lataria das limusines dos verdadeiros detentores do poder político. Dilma Rousseff ainda achou lindo: “o governo ouve vozes pela mudança”. E agora, manifestante, o que me diz? Sua revolta já foi absorvida e canalizada justamente pelo ícone máximo de “tudo isso que está aí”. É digno de nota que, mesmo com toda a fúria mobilizada contra as PMs, e com casas legislativas atacadas, todas as sedes do Poder Executivo onde manda o PT permaneceram intactas. Uma era totalitária é assim. Massas nas ruas, mas a comitiva do Führer (ou do Duce, ou do “Comandante”) segue tranquila.
A mudança positiva, para os padrões do PT e demais revolucionários, sabe-se bem qual é: é a do “socialismo do século XXI”, este, do Foro de São Paulo, da aliança com Cuba, com a Venezuela, com a elite do globalismo ocidental: essa que apoia aborto, a dissolução da família, que obstrui a livre iniciativa e o livre mercado, que faz da imagem dos cristãos, na grande mídia, a perfeita personificação do que há de mais repulsivo. A não ser, é claro, que o tal cristão, em termos práticos, seja um apóstata: um botton pró-gay o redime ante os novos sacerdotes do poder revolucionário global que, um dia – desculpem, mas a profecia do apóstolo João permanece válida -, entronizarão o anticristo.”
(Edson Camargo, Baderna Totalitária, Massas nas Ruas e a Profecia Que Permanece)

http://www.midiasemmascara.org

terça-feira, 18 de junho de 2013

Emily Dickinson: A Dor Tem Um Elemento de Vazio

A Dor - tem um Elemento de Vazio -
Não se consegue lembrar
De quando começou - ou se houve
Um tempo em que não existiu -

Não tem Futuro - para lá de si própria -
O seu Infinito contém
O seu Passado - iluminado para aperceber
Novas Épocas - de Dor.


Tradução de Nuno Júdice

sábado, 15 de junho de 2013

Declaração do Pe. Roger Thomas Calmel em favor da Missa de Sempre

“Eu conservo a MISSA TRADICIONAL, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V, no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o ORDO MISSAE de Paulo VI.
Por quê? Porque, na realidade, este Ordo Missae não existe. O que existe é uma Revolução litúrgica universal e permanente, patrocinada ou desejada pelo Papa Paulo VI, e que se reveste, momentaneamente, da máscara de Ordo Missae de 3 de abril de 1969. É direito de todo e qualquer padre recusar-se a vestir a máscara desta Revolução litúrgica. Julgo ser meu dever de padre recusar celebrar a Missa num rito equívoco.
Se aceitarmos este rito, que favorece a confusão entre a Missa católica e a Ceia protestante — como o dizem de maneira equivalente dois cardeais e como o demonstram sólidas análises teológicas — então cairemos sem tardar de uma Missa ambivalente (como, de fato, o reconhece um pastor protestante) numa missa totalmente herética e, portanto, nula. Iniciada pelo Papa, depois abandonada por ele às igrejas nacionais, a reforma revolucionária da Missa seguirá sua marcha acelerada para o precipício. Como aceitar ser cúmplice?
Perguntar-me-iam: Mantendo a Missa de sempre, em oposição a todos e contra todos, o senhor refletiu a que se expõe? Sim. Eu me exponho, se assim posso dizer, a perseverar no caminho da fidelidade a meu sacerdócio, e, portanto, prestar ao Sumo Sacerdote, nosso Supremo Juiz, o humilde testemunho de meu oficio de padre. Exponho-me a dar segurança aos fiéis desamparados, tentados de ceticismo ou de desespero. De fato, todo e qualquer padre que conserve o rito da Missa codificado por São Pio V, o grande Papa dominicano da Contra-Reforma, permitirá aos fiéis participar do Santo Sacrifício sem equívoco possível; comungar, sem risco de ser enganado, o Verbo de Deus Encarnado e imolado, tornado realmente presente sob as sagradas espécies. Aliás, o padre que se submete ao novo rito, inteiramente forjado por Paulo VI, colabora, de sua parte, para instaurar progressivamente uma Missa falsa, em que a presença de Cristo já não será real, mas transformada num memorial vazio; e, por isso mesmo, o Sacrifício da Cruz já não será real e sacramentalmente oferecido a Deus; enfim, a comunhão não passará de uma ceia religiosa em que se comerá um pouco de pão e se beberá um pouco de vinho; nada mais do que isso; como entre os protestantes.
Não consentir em colaborar para a instauração revolucionária de uma missa equívoca, orientada para a destruição da Missa, será entregar-se a certas desventuras temporais e certas desgraças neste mundo? O Senhor o sabe, e Sua graça basta. Na verdade, a graça do Coração de Jesus, que chega até nós pelo Santo Sacrifício e pelos Sacramentos, sempre é suficiente. É por isso que Nosso Senhor nos diz tão tranqüilamente: “Aquele que perder a sua vida neste mundo por minha causa, salvá-la-á na vida eterna”.
Reconheço, sem nenhuma hesitação, a autoridade do Santo Padre. Afirmo, no entanto, que qualquer Papa, no exercício de sua autoridade, pode cometer abusos de autoridade. Sustento que Paulo VI cometeu um abuso de autoridade de gravidade excepcional quando construiu um rito novo da Missa baseado numa definição de Missa que deixou de ser católica. “A Missa”, escreveu ele em seu Ordo Missae, “é a reunião do povo de Deus, presidida por um sacerdote, para celebrar o memorial do Senhor”. Esta definição insidiosa omite propositadamente aquilo que faz católica a Missa católica, sempre irredutível à ceia protestante. Porque na Missa católica não se trata de um memorial qualquer, o memorial é de tal natureza que contém realmente o Sacrifício da Cruz, porque o Corpo e o Sangue de Cristo tornam-se realmente presentes por virtude da dupla consagração. Isto aparece de modo a não permitir engano, no rito codificado por São Pio V; mas aparece flutuante e equívoco, no rito fabricado por Paulo VI.
Da mesma maneira, na Missa católica o padre não exerce uma simples presidência; marcado com um caráter divino que o põe à parte por toda a eternidade, ele é o ministro de Cristo que, por si mesmo, realiza a Missa; é inadmissível que o padre seja assemelhado a um pastor qualquer, delegado dos fiéis para liderar a sua assembléia. O que é perfeitamente evidente no rito da Missa ordenado por São Pio V torna-se dissimulado, senão escamoteado, no novo rito.
Portanto, não só a simples honestidade, mas, infinitamente mais: a honra sacerdotal, exigem de mim não ter a impudência de traficar a Missa católica, recebida no dia de minha ordenação. E porque se trata de ser leal, e principalmente em matéria de gravidade divina, não há autoridade no mundo, ainda que seja a autoridade pontifícia, que mo possa impedir.
Outrossim, a primeira prova de fidelidade e de amor que o padre deve dar a Deus e aos homens é guardar intacto o depósito infinitamente precioso que lhe foi confiado quando o bispo lhe impôs as mãos. É primeiramente sobre esta prova de fidelidade e de amor que serei julgado pelo Supremo Juiz.
Espero, com toda a confiança, da Virgem Maria, Mãe do Sumo Sacerdote, que me conceda permanecer fiel até a morte à Missa católica, verdadeira e sem equívoco.
Tuus sum ego, salvum me fac.”

http://farfalline.blogspot.com.br/2013/03/pe-calmel-conservo-missa-catolica.html

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Pe. Congar, Cardeal Bea e Papa João XXIII traíram a Igreja com os judeus

“Numa noite brumosa e glacial do inverno de 1962-63, atendi a um convite extraordinário no Centro Comunitário da Paz, em Estrasburgo. Os dirigentes judeus recebiam, em segredo, no subsolo, um enviado do papa. Na saída do Shabat, éramos uma dezena para acolher um dominicano de vestimenta branca, o reverendo padre Yves Congar, encarregado pelo Cardeal Bea, em nome de João XXIII, de nos perguntar, no início do Concílio, o que esperávamos da Igreja Católica (...).
Os judeus, mantidos há vinte séculos à margem da sociedade cristã, freqüentemente tratados como subalternos, inimigos e deicidas, pediam sua completa reabilitação. Provindos, em linhagem direta, do tronco abrâmico, de onde saiu o Cristianismo, pediam para serem considerados irmãos, parceiros de igual dignidade, da Igreja Cristã (...).
O mensageiro branco – despojado de qualquer símbolo ou ornamento – retornou a Roma, portador das inumeráveis solicitações que reforçavam as nossas. Depois de debates difíceis (...), o Concílio atendeu a nossas expectativas. A declaração Nostra Aetate n° 4 constituiu – Pe. Congar e os três redatores do texto me confirmaram – uma verdadeira revolução na doutrina da Igreja sobre os judeus (...).
Homilias e catecismos mudariam em poucos anos (...). Desde a visita secreta do Pe. Congar, num lugar escondido da sinagoga, durante uma noite muito fria de inverno, a doutrina da Igreja havia conhecido uma total mutação.”
(Lazare Landau, citado pelo Pe. Matthias Gaudron, Katolischer Katechismus zur Kirchlichen Krise)

Tradução de Leonardo Calabrese