domingo, 9 de junho de 2013

O misterioso reino de Cazar

“A tradição independentista que haviam demonstrado várias vezes os judeus ao longo de sua acidentada história, como no insólito e heróico reino dos Macabeus dentro da própria Palestina, tem outras manifestações quase desconhecidas, mas que não podemos desprezar, porque são fragmentos significativos da história de Israel. Assim, no ano 513 d.C o guerreiro judeu Mar Zutra livrou-se do domínio persa e fundou à margem esquerda do Tigre, a noroeste de Susa, o reino judeu independente de Mahoza, que durou somente sete anos até que os persas o aniquilaram. Quando um famoso mercador judeu espanhol, Benjamín de Tudela, realizou uma viagem inacreditável pela Europa, África e Oriente Médio nos anos centrais do século XII, ele investigou a situação dos judeus em todo lugar; encontrou os judeus negros estabelecidos na Índia, relatou como os judeus do Golfo Pérsico controlavam as pescas de pérolas e comprovou a existência de dois enclaves judeus independentes e belicosos: um em torno das cidades fortificadas de Teima e Kaibar, no interior do noroeste da península arábica, perto das cidades sagradas do Islã; outro, igualmente autônomo e arrojado, nas montanhas do Iêmen, sobre a saída norte do Mar Vermelho. Mas nenhum desses redutos judeus pode se comparar ao reino de Cazar, ao qual o mestre judeu da Espanha islâmica, Yehuda Ha-Levi, dedicou seu diálogo fundamental Kuzari, e com o qual trataram de estabelecer relações os judeus da Espanha.
Cazária era uma região da Ásia Central, abrangendo a metade norte dos mares Negro (incluindo a Criméia) e Cáspio, que incluía as bacias menores do Dniéper, o Don e o Volga, e abrigava um povo nômade cujo rei, Bulan, se converteu ao judaísmo ao redor do ano 700 d.C, seguido pela maioria de seu povo, em que conviviam membros da religião muçulmana, cristãos, bárbaros sem religião conhecida e a nova massa judia. Um de seus sucessores, Obadia, atraiu numerosos rabinos que consolidaram a nova religião e construíram numerosas sinagogas. O reino judeu de Cazar se manteve durante trezentos anos e a influência judia intensificou o processo de urbanização e promoveu a economia baseada na pesca, na pecuária e na agricultura. Os cazares receberam numerosos emigrantes judeus perseguidos na Grécia, ajudaram militarmente os bizantinos contra a Pérsia e os magiares em sua conquista da Hungria, conseguiram uma importante expansão na bacia do Danúbio até a Panônia e comerciaram por todo o Mediterrâneo e Europa Central com seu mel, suas peles e seus couros. A suprema instituição de governo contava com dois juízes judeus, dois cristãos, dois muçulmanos e um bárbaro. O nascente poder da Rússia começou seu ataque a Cazar no final do século X e os foi encurralando em direção à Criméia até que em 1016 uma expedição conjunta russo-bizantina acabou com tão interessante experiência asiática, carente de fronteiras naturais aptas para a defesa. Ainda assim parece que uma sombra do reino judeu se manteve até a invasão dos mongóis; muitos sobreviventes contribuíram para a formação das grandes judiarias da Polônia e da Rússia após o desaparecimento de Cazar.”
(Ricardo de la Cierva, El Tercer Templo)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Uma crítica à filosofia vitalista

“Sabe-se que a chamada filosofia vitalista do princípio do século XX (Bergson e Blondel), apresentando-se como uma reação a erros filosóficos então predominantes, exerceu uma notável influência sobre o pensamento católico. Contra uma concepção mecanicista e racionalista própria do positivismo e do neokantismo que pretendia esquematizar toda a realidade, a filosofia da vida insurgiu-se fazendo ver como era superficial semelhante pensamento que se atinha apenas ao elemento exterior, ao espaço, à extensão, e, por isso mesmo, incapaz de compreender o mundo em toda sua riqueza de vida e dinamismo. O vitalismo apresentava-se como um pensamento espiritualista que valorizava a vida interior do homem, salvaguardava sua liberdade e afirmava a sua consciência capaz de inovação criadora. As belas reflexões de Bergson sobre o mistério do tempo marcaram profundamente a grande obra literária do século passado “À la recherche du temps perdu” de Marcel Proust (Cf. Edmund Wilson, O castelo de Axel, Cultrix, São Paulo).
Contudo, a filosofia vitalista tinha um grave erro: ao mesmo tempo que valorizava a vida não a explicava e tampouco esclarecia o seu verdadeiro sentido. Interpretava o ser como impulso vital e dizia que a vida não pode ser captada pela inteligência mas por uma suposta intuição. E o pior é que tal intuição é um conceito tão obscuro quanto a intuição da fenomenologia. A filosofia vitalista, pode-se dizer, limitava-se a dizer que a vida flui, que nela nada se perde, mas, ao contrário, nela agregam-se novas aquisições. De maneira que a inteligência só aprisiona a realidade em esquemas uniformes, fixos, mas não a conhece. Só os conceitos “fluidos” que acompanham o rio da vida são capazes de conhecê-la. Esses conceitos fluidos seriam as intuições. (Cf. Hirschberger, Historia de la filosofia, Barcelona, 1956)
Pois bem, a falta de precisão do conceito de vida (que não pode ser objeto do entendimento, ressalte-se) induziu os principais representantes do vitalismo a graves equívocos. Por exemplo, Bergson chegou a conceber Deus como um ser em devir. Blondel, por sua vez, em sua filosofia da ação, entende a ação como a vida do espírito em sua fonte e na totalidade do seu desenvolvimento. Diz que não há no mundo nenhum momento de pausa, porque nada no mundo é perfeito. O espírito nunca se adequa a uma realidade, mas sempre aspira a algo superior. Por conseguinte, cai por terra a noção de verdade elaborada pela metafísica tomista: adaequatio intellectus et rei.
Na primeira parte da Suma Teológica, Santo Tomás formula algumas questões importantes sobre a vida de Deus. As soluções do Santo Doutor refutam cabalmente os erros da filosofia vitalista. No artigo 1º da q. 18 pergunta se todas as coisas naturais vivem ou não vivem e assinala as diferenças entre os seres vivos e brutos. As razões aduzidas por Santo Tomás são muito úteis porque em nossos dias os modernistas gostam de relacionar os conceitos de vida e de tradição. O papa João Paulo II, no motu proprio Ecclesia Dei Afflicta, disse que o suposto gesto cismático de Mons. Marcel Lefèbvre (as consagrações episcopais sem mandato pontifício mas em virtude do estado de necessidade) se devia a uma incompleta noção de tradição que não leva em conta o caráter “vivo” da tradição.
É claro que João Paulo II aplicava à tradição a noção de vida em sentido analógico. Não entendia a tradição como animal ou vegetal, mas como um conjunto de verdades ou como um tesouro que se enriquece e cresce com o passar das gerações sob a custódia da Igreja. De qualquer modo, cumpre examinar, à luz da doutrina de Santo Tomás, como se dá o processo vital.
No referido artigo diz que a vida se manifesta quando o animal tem movimento ex se, mas, ao contrário, quando o animal já não tem movimento ex se, mas é movido por outro, então se diz que o animal está morto. Em seguida, no artigo 2º, pergunta se a vida é ação – essa questão é importantíssima para compreender e refutar o erro do modernista Maurice Blondel – e responde, com base em Aristóteles, dizendo que o viver é o ser dos vivos. E afirmando o valor do conhecimento intelectivo do homem que alcança a essência da coisa como seu objeto próprio a partir dos sentidos que apreendem as aparências exteriores, Santo Tomás explica que geralmente, a partir das aparências exteriores, se impõem às coisas nomes que expressam sua essência. Mas às vezes os nomes derivam das propriedades em função das quais se impõem. Assim, por exemplo, o nome corpo é imposto para designar um gênero de substâncias em que se encontram três dimensões. Quanto à vida, diz Santo Tomás, o nome é tomado das aparências exteriores em vista da própria coisa que se move a si mesma; entretanto, o nome não é imposto para significar o movimento e sim a substância à qual convém em sua natureza mover-se a si própria ou agir de algum modo. Portanto, ser vivo não é predicado acidental, mas substancial. Esclarece que com menos propriedade se toma o vocábulo vida a partir das operações vitais. E cita Aristóteles, para o qual a vida é principalmente intelligere.
Ora, a filosofia vitalista é uma filosofia que rebaixa a inteligência, despreza a razão, a qual considera uma força destruidora. De modo que é lícito realmente questionar se a tal filosofia convém o nome de filosofia da vida, uma vez que a vida é sobretudo intelligere. Que vida do espírito é a ação do sr. Blondel? Uma ação que é mais frustração do que plenitude, porquanto a realidade das coisas sempre lhe escapa.
Finalmente, quanto à relação estabelecida pelos modernistas entre os conceitos de tradição e vida, importa dizer que, à luz da sã teologia de Santo Tomás, resulta muito dificultoso para os sequazes da nova teologia provar que efetivamente os desdobramentos, acréscimos e “enriquecimentos” doutrinários verificados na Igreja sobretudo a partir do Vaticano II derivam de um processo vital de uma Igreja que se move a si mesma alicerçada em seus próprios fundamentos. Examinadas as raízes ideológicas de tais inovações pós-conciliares, percebe-se que se trata de um movimento de origem estranha à Igreja. Com efeito, a reforma litúrgica, o ecumenismo, a liberdade religiosa, a abertura ao mundo moderno são inovações que se impuseram de fora à Igreja. Isto é próprio de ser um morto. Na hipótese, porém, de se tratar de um processo vital, a imagem mais adequada para explicá-lo seria a do “mata-pau”.”
(Pe. João Batista Ferraz Costa, Tradição, Vida e Morte)

http://santamariadasvitorias.org/tradicao-vida-e-morte/

domingo, 2 de junho de 2013

Só o Cristianismo pode vencer o Islã

"O islamismo contemporâneo, tal como o tradicional, tem o seu núcleo na doutrina da jihad. Esta, segundo Guolo, 'manifesta-se como forma pura da nova guerra civil mundial de religiões, que encontra no Islão radical o seu partido combatente'. Enquanto no Ocidente se enceta o debate entre modernos e pós-modernos, os islamitas propõem-se não 'modernizar' o Islão, mas vergar o Ocidente e 'islamizar' a modernidade. Por outro lado, não se deve confundir o Ocidente com a sua modernização, e muito menos com a sociedade de consumo contemporânea, impregnada de neo-paganismo. As características peculiares do Ocidente, observa ainda Huntington, são muito anteriores à sua modenização: 'o Ocidente era Ocidente muito antes de ser moderno'. A visão islâmica do mundo não se contrapõe tanto àquela visão secularizada do mundo moderno, mas, sobretudo, à visão tradicional do Ocidente cristão. O Islão é anti-moderno mesmo na sua versão mais ocidentalizada, como é, por exemplo, a da Arábia Saudita, e é anti-ocidental mesmo na sua versão mais secularizada, como a do Iraque, mas é sempre, e antes de mais, radicalmente anti-cristão. Antes do seu anti-ocidentalismo e do seu anti-modernismo, o Islão define-se pelo seu anti-cristianismo. No 'choque de civilizações' que abre o século XXI, o desafio com o islamismo e, acima de tudo, cultural e moral. O Ocidente que, no decurso da sua história, definiu a sua identidade lutando para defender-se do Islão, hoje estará condenado à derrota, se pretender enfrentá-lo, utilizando como arma a ideologia da secularização. O único modelo de civilização que pode vencer o Islão continua a ser a civilização cristã."
(Roberto de Mattei, Guerra Justa Guerra Santa)

http://acortenaaldeia.blogspot.com.br/2012/12/o-islamismo-contemporaneo.html

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Os mártires de Otranto

“Em 1480, a Itália celebrava a festa da Assunção com liturgias espetaculares, procissões e, claro, banquetes. Com a exceção de Otranto, uma pequena cidade na costa do Adriático, onde 800 homens ofereceram suas vidas a Cristo. Eles foram os Mártires de Otranto.
Poucas semanas antes, a frota turca atracara em Otranto. Sua chegada era temida há muitos anos. Desde a queda de Constantinopla, em 1454, era apenas uma questão de tempo até que os turcos otomanos invadissem a Europa.
Otranto está mais próxima do lado leste do Adriático controlado pelos otomanos. São Francisco de Paula reconheceu o perigo iminente para a cidade e seus cidadãos cristãos e pediu reforços para proteger Otranto. Ele predisse: "Ó, cidadãos infelizes, quantos cadáveres vejo cobrindo as ruas? Quanto sangue cristão vejo entre vocês?"
A 28 de julho de 1480, 18.000 soldados turcos invadiram o porto de Otranto. Eles ofereceram condições de rendição aos cidadãos, na esperança de ganhar sem resistência este primeiro ponto de apoio na Itália e completar a conquista da costa adriática. O sultão Mehmed II havia dito ao Papa Sisto IV que levaria seu cavalo para comer sobre o túmulo de São Pedro.
O Papa Sisto, reconhecendo a gravidade da ameaça, exclamou: "pessoas da Itália, se quiserem continuar se chamando de cristãos, defendam-se!"
Apesar de suas advertências terem-se esquecido nos ouvidos da maioria das cabeças coroadas da península – estavam muito ocupadas brigando entre si – o povo de Otranto escutou.
Pescadores, não soldados; eles não tinham artilharia. Eram menos de 15 mil, incluindo mulheres, crianças e idosos. Mas, por comum acordo, eles decidiram guardar a cidade, lançando-se ao combate das forças turcas.
A sofisticada artilharia turca danificava as muralhas de defesa, mas os cidadãos consertavam rapidamente os estragos. Detrás dos muros, os turcos encontraram cidadãos impávidos, determinados a defender as muralhas com óleo fervendo, sem armas, e às vezes usando as próprias mãos.
Os cidadãos de Otranto frustraram o plano do Sultão de um ataque surpresa e deram à Itália duas semanas de tempo precioso para organizar e preparar suas defesas para repelir os invasores. Mas a 11 de agosto os turcos venceram os muros e açoitaram a cidade.
O exército turco foi de casa em casa, promovendo saques, pilhagens e, em seguida, ateando fogo. Os poucos sobreviventes refugiaram-se na catedral. O arcebispo Stefano, heroicamente calmo, distribuiu a Eucaristia e sentou-se entre as mulheres e crianças de Otranto, enquanto um frade dominicano conduzia os fiéis em oração.
O exército de invasores arrombou a porta da catedral e a posterior violência contra mulheres, crianças e o arcebispo – que foi decapitado no altar – chocou a península italiana.
Os turcos tinham tomado a cidade, destruído casas, escravizado o povo e transformado a catedral em mesquita. Cerca de 14.000 pessoas morreram na tomada de Otranto, na maior parte seus próprios cidadãos, mas um pequeno grupo de 800 sobrevivera, então os turcos tentaram o domínio completo, forçando a conversão.
A opção era o Islã ou a morte. Oito centenas de homens, acorrentados, sem casa e família, pareciam totalmente subjugados aos turcos vitoriosos.
Um dos 800, um trabalhador têxtil chamado Antonio Primaldo Pezzula, passou de artesão humilde a líder heróico nesse dia. Antonio voltou-se para seus companheiros de Otranto e declarou: "Vocês ouviram o que vai custar salvar o que resta de nossas vidas! Meus irmãos, lutamos para salvar nossa cidade, agora é tempo de lutar por nossas almas!"
Os 800 homens com idades acima dos 15, de forma unânime, decidiram seguir o exemplo de Antonio e ofereceram suas vidas a Cristo.
Os turcos, que esperavam por um momento de propaganda triunfante, tentaram evitar o massacre. Eles ofereceram o retorno das mulheres e crianças que estavam prestes a ser vendidas como escravos, em troca da conversão dos homens, e eles ameaçaram com a decapitação em massa se isso não fosse aceito. Antonio recusou, seguido pelo resto dos homens.
Na vigília da Assunção, os 800 foram levados para fora da cidade e decapitados. A tradição conta que Antonio Pezzula foi decapitado em primeiro lugar, mas seu corpo sem cabeça permaneceu de pé até que o último otrantino estivesse morto.
Um dos carrascos, um turco chamado Barlabei, ficou tão impressionado com esse prodígio que se converteu ao cristianismo, e também foi martirizado.
Os restos foram cuidadosamente recolhidos, e são mantidos até hoje na Catedral de Otranto. No aniversário de 500 anos de sacrifício dos otrantinos, o Papa João Paulo II visitou a cidade e prestou homenagem aos mártires.
Bento XVI reconheceu oficialmente o martírio em 2007, trazendo Antonio Pezzula e seus companheiros um passo mais perto da canonização.
Esta "hora dos leigos" em Otranto, separados de nós por meio milênio, ainda ressoa como exemplo de testemunho do amor a Cristo. Poucos de nós serão chamados ao mesmo sacrifício de Antonio Pezzuli e seus companheiros, mas como poderíamos responder a sua exortação: "Permanecei fortes e constantes na fé: com esta morte temporal nós ganharemos a vida eterna”.”

http://www.zenit.org/pt/articles/os-800-martires-de-otranto

domingo, 26 de maio de 2013

Cantigas de Santa María: A Virgen Madre de Nostro Sennor



Eduardo Paniagua
Música Antigua

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A tolerância do Islã

“Foi em 711 que atravessaram o estreito de Gibraltar, desembarcaram na catolicíssima Península Ibérica, se apoderaram de Portugal e de Espanha onde, não obstante os Pelayo e os Cid Campeador e os vários soberanos empenhados na Reconquista, permaneceram por mais de oito séculos. E quem acredita no mito da 'convivência pacífica' que, segundo os colaboracionistas, caracterizava as relações entre conquistados e conquistadores, faria bem se relesse as histórias dos conventos e dos mosteiros incendiados, das igrejas profanadas, das monjas estupradas, das mulheres cristãs ou judias raptadas para serem fechadas nos haréns. Faria bem se refletisse nas crucifixões de Córdova, nos enforcamentos de Granada, nas decapitações de Toledo e de Barcelona, de Sevilha e de Zamora. (As de Sevilha, ordenadas por Mutamid, o rei que ornamentava os jardins do palácio com as cabeças cortadas. As de Zamora, por Almançor, o vizir definido como o-mecenas-dos-filósofos, o maior-líder-que-a-Espanha-Islâmica-jamais-produziu.) Jesus! Bastava invocar o nome de Jesus ou Nossa Senhora para ser imediatamente justiçado. Mais exatamente, crucificado ou decapitado ou enforcado. E, às vezes, enfiado num pau. Quem tocasse os sinos, idem. Se vestisse de verde, a cor do islão, idem. E, à passagem de um muçulmano, os cães-infiéis deviam afastar-se e inclinar-se. Se o muçulmano os agredia ou os insultava, não podiam revoltar-se. Quanto ao pormenor de os cães infiéis não serem obrigados a converter-se ao islão, sabes ao que se devia? Ao fato de os convertidos não terem de pagar impostos. Mas os cães-infiéis, sim.
Em 721, passaram da Espanha à não menos católica França. Guiados por Abd al-Rahman, o governador da Andaluzia, ultrapassaram os Pireneus, tomaram Narbonne. Aí massacraram toda a população masculina, escravizaram todas as mulheres e todas as crianças e, depois, prosseguiram para Carcassone. De Carcassone passaram a Nîmes, onde chacinaram monjas e frades. De Nîmes passaram a Lião e a Dijão, onde arrasaram todas as igrejas.”
(Oriana Fallaci, A Força da Razão)

http://acortenaaldeia.blogspot.com.br/2012/12/a-rica-tradicao-islamica-de-tolerancia.html

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A presença maçônica no governo de François Hollande

“A chegada à presidência da República de François Hollande está trazendo consigo uma nova idade de ouro da influência maçônica na França. No 16 de novembro passado, o ministro da Educação, Vincent Peillon, subiu ao estrado do templo do Grande Oriente da França (GO) e proclamou sem mais rodeios: “Queremos refundar a República! E queremos refundá-la a partir da escola!” Como nos melhores tempos da Terceira República (1875-1940), o laicismo se converteu no eixo da ação de governo, e as urgências por avançar o matrimônio homossexual nada mais são do que uma manifestação a mais.
“Compartilha nossos valores, é um maçom sem avental”, comentou um dos assistentes nesse dia sobre a figura do ministro que acabava de entusiasmá-los. Na verdade, no mínimo um terço do quilométrico governo de 38 membros (entre ministros e ministros delegados) formado por Jean-Marc Ayrault a pedido de François Hollande é maçom ou filomaçom, e se descermos na escala da administração os esquadros e os compassos se multiplicam. Até o presidente da Assembléia Nacional, Claude Bartolone, visitará nesta segunda-feira uma loja, talvez para agradecer a movimentação de uma trintena de deputados para promovê-lo ao cargo depois das eleições legislativas de junho.
Não respondo, não comento...
O diário francês Le Figaro publicou um relatório completo sobre a renascida influência maçônica no país, que aspiram consolidar de uma forma que somente lhes foi possível nos primeiros anos de François Mitterand (1981-1995), quando se assenhorearam do poder até que o presidente se rebelou contra a ousadia.
O periódico interrogou todos os membros do conselho de ministros sobre sua pertencência ou não às lojas. Alguns não responderam, como Marylise Lebranchu (Reforma do Estado), Stéphane Le Foll (Agricultura) ou Alain Vidalies (Relações com o Parlamento).
Outros desmentiram, como Michel Sapin (Trabalho) – em sintonia com os maçons, contudo, afirma o autor da reportagem - , Benoit Hamon (Economia e Finanças), George Pau-Langevin (Reforma da Educação) ou Michèle Delaunay (Assuntos Sociais).
Alguns respondem de uma forma que já é responder. Frédéric Cuvillier (Transportes) disse que “não pode responder”, embora se saiba de sua proximidade com o Grande Oriente; Jean-Yves Le Drian (Defesa), maçom, disse que “não comenta convicções pessoais”; o mesmo que outro maçom, Victorin Lurel (Ultramar); quanto a Jérôme Cahuzac (Orçamentos), “nem confirma nem desmente”, mas admite participar das sessões; Anne-Marie Escoffier (Descentralização), conhecido membro da Grande Loja Feminina da França, “não se sente competente” para contestar; quanto ao espanhol Manuel Valls (Interior), sua assessoria reconhece que ele se iniciou em 1988 mas deixou a maçonaria em 1996.
“A influência dos maçons se exerce de maneira difusa, por capilaridade, porque encontramos numerosos irmãos nos gabinetes ministeriais, nas administrações e nos âmbitos políticos”, explica Emmanuel Pierrat, advogado membro do Grande Oriente da França e coautor com Laurent Kupferman de um livro publicado este ano: Ce que la France doit aux francs-maçons... et ce qu´elle ne leur doit pas [O que a França deve aos maçons... e o que não lhes deve].
Atualmente, os ministérios de maior influência maçônica são tão essenciais como Defesa (não somente o ministro mas também seu chefe de gabinete, Cédric Léwandowski), Interior (uns 10% dos comissários) e Educação (dois dos principais conselheiros de Peillon para a reforma educativa: Marc Mancel e Christian Forestier).
Objetivo: constitucionalizar a lei
Esta influência está provocando rivalidades entre as lojas, e algumas denunciam a prepotência do Grande Oriente da França, que é quem nestes momentos desfruta de maior presença quantitativa e qualitativa no aparato de poder.
Seus objetivos estão claros e passam por uma ofensiva laicista como não se tem visto na França nos últimos trinta anos. Le Figaro desvela que o Grande Mestre do Grande Oriente da França. José Gulino, foi recebido secretamente em outubro por Pierre-René Lemas, secretário geral do Palácio do Eliseu (sede da presidência da República), com um único objetivo: os maçons querem constitucionalizar a lei de 1905 – ainda vigente, embora parcialmente reformada - , especificamente anticatólica e responsável pela progressiva descristianização do país ao longo do século XX.
Essa lei provocou uma firme resposta do Papa São Pio X, marcando para o catolicismo francês um caminho de resistência à maçonaria que só começou a suavizar-se depois da Segunda Guerra Mundial. Hoje o arcebispo de Paris, o cardeal André Vingt-Trois, está começando a pegar de novo o timão dessa resistência, e as manifestações nas ruas da França contra o matrimônio homossexual têm obtido um êxito imprevisto.
A presença da Igreja foi desaparecendo das instituições onde havia sido milenar em virtude dessa lei, que agora a maçonaria quer converter em pilar da República, blindando-a contra qualquer reforma ou supressão. Esse intento apresenta obstáculos mais políticos e legais que ideológicos, mas outro socialista membro da maçonaria, Gérard Contremoulin, disse que “o presidente Hollande pode superá-los”. E a sugestão de um grande oriente, hoje, na França, significa muito...”
(Carmelo López-Arias, La Masoneria Francesa Pidió en Secreto a Hollande Una Ofensiva Laicista. Religión em Liberdad, dezembro de 2012)

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Oração de Santa Gertrudes a Nossa Senhora

“Ó castíssima Virgem Maria, peço-te, pela pureza imaculada com que preparaste para o Filho de Deus uma habitação agradável em teu ventre virginal, que por tua intercessão possa ficar limpo de toda mancha de pecado.
Ó humilíssima Virgem Maria, peço-te, pela humildade mais profunda pela qual mereceste ser erguida acima de todos os coros dos anjos e dos santos, que por tua intercessão toda minha negligência possa ser expiada.
Ó amorosíssima Virgem Maria, peço-te, pelo amor inefável que te uniu tão íntima e inseparavelmente a Deus, que por tua intercessão possa obter a abundância de todos os méritos. Amém.”

terça-feira, 14 de maio de 2013

O sistema monetário mundial

“O Federal Reserve Bank U.S. é uma ditadura monetária possuidora de poderes discricionários absolutos sobre o povo americano e, por ricochete, sobre o resto do mundo. O paralelismo entre a instituição do sistema do Federal Reserve Bank e do Partido Comunista Soviético é mais do que evidente.
Na URSS a clique estreitamente ligada ao Partido Comunista tudo dirige, agindo no segredo mais absoluto e com total desprezo pelo povo e pela Constituição da União Soviética. Nesses dois países só um reduzidíssimo número de pessoas conhece e beneficia das decisões tomadas por essas súcias.
Nos Estados Unidos, a política monetária é dominada pelos sete membros do Federal Reserve Board, pelos doze presidentes e pelos cento e oito diretores dos doze bancos do Federal Reserve. Essas 127 personalidades, agindo no segredo mais absoluto, exercem um poder ilimitado sobre as decisões monetárias.
Na URSS, por seu turno, os 133 membros da Comissão Central do Partido Comunista dirigem totalmente o país.
Estes dois corpos contêm um escol – uma pequena supercomissão.
No sistema do Federal Reserve, essa pequena supercomissão, conhecida sob o nome de “Open Market Committee”, é composta por sete membros do Federal Board e por cinco dos doze presidentes dos Bancos da Federal Reserve – 12 pessoas ao todo – e a presença de outros sete presidentes.
No seio da Comissão Central da URSS existe uma comissão restrita chamada Politburo. Esta compreende onze membros em vez dos doze do “Open Market Committee”.
De três em três semanas, em Washington, o Open Market Committee reúne-se na sua sede, à porta fechada. (…) Respeitando o prazo de prescrição referente a qualquer transgressão que possa ter cometido, durante seis anos nada se sabe sobre os temas ventilados nessas reuniões. É evidente que nela são tomadas decisões em relação à moeda, aos juros a praticar e ao volume monetário. O próprio presidente dos Estados Unidos não pode estar presente nessas reuniões. Eis o estilo democrático em vigor na América do Norte.
Na URSS, o Politburo reúne-se em Moscou várias vezes por mês por ocasião das Sessões Secretas. Ninguém é autorizado a penetrar para além do cordão constituído por guardas armados. Como sucede em relação aos Estados Unidos, as decisões do Politburo são mantidas secretas até que seja decidida, superiormente, a sua divulgação.
Na Rússia Soviética, o Partido defende os seus amigos; nos Estados Unidos o Federal Reserve defende os seus associados bancários. Mas nos dois casos a grande massa do povo é mantida inteiramente alheia ao que se passa. Apenas um escol aproveita. Que 240 milhões de americanos supostamente “livres” possam suportar uma situação tão absurda parece pura e simplesmente inacreditável. Mas tudo deixa de ser inconcebível quando se toma conhecimento da profundidade abissal da sua ignorância quanto ao que se passa nas cúpulas. Esses milhões de pessoas são tratadas como atrasadas mentais e os seus tutores são os únicos a saber o que melhor lhes convém. Em 20 anos de negócio e cerca de 5 meses por ano, tive a oportunidade de, quase diariamente, freqüentar os meios americanos. Sem jamais perder, durante todo esse tempo, uma ocasião para proceder a uma sondagem sobre o seu grau de conhecimento referente à conspiração do poder dos que decidem a política monetária, apenas me foi dado deparar com uma só pessoa que sabia algo sobre quem governava as suas existências. Tratou-se de um funcionário do governo do Estado de Massachussets. Os designados por “Iniciados” apavoram-se com a perspectiva de serem expostos aos olhares públicos embora todo aquele que se lança nessa aventura saiba de antemão que o espera a difamação ou mesmo a morte.
O Banco Mundial, o Export-Import Bank, o Fundo Monetário Internacional são, hoje, outros tantos instrumentos criados, pelos “Iniciados”, para dominar a espécie humana.
O FMI foi instituído em Bretton Woods, em 1944. Harry Dexter White, bem conhecido espião comunista, foi o seu arquiteto. O Presidente Truman, informado pelo FBI das suas ligações com a URSS, em vez de o mandar prender nomeou-o para o FMI, acompanhado doutros numerosos espiões comunistas de alto coturno, tais como: Frank Poe, Laughlin Currie, William Ulmann, Nathan Silves Master e Alger Hiss. Eram todos detentores de elevados postos nos Departamentos do Estado americano e beneficiavam, em pleno, da proteção presidencial. E ocorre perguntar: qual a razão que leva um presidente dos Estados Unidos a proteger um espião comunista? Só uma resposta se apresenta legítima: tanto o presidente como o espião estão às ordens de alguém. Ambos sabem como o mundo é constituído. Em “Tragedy and Hope” (Tragédia e Esperança) o Professor Quigley conclui que fomos já longe demais no caminho da Ditadura Mundial para recuarmos. O “Saturday Evening Post”, de 18 de Outubro de 1944, acompanhou a reunião de Bretton Woods através de Peter Drucker, porta-voz dos “Iniciados”.
“Se o mundo adotar um sistema de economia dominada, o timoneiro desembocará na URSS. A Rússia Soviética deve representar o modelo para semelhante ditadura, dado que foi o primeiro país a desenvolver a técnica de fiscalização econômica internacional”.
O FMI reivindica soberanias, imunidades e privilégios que suplantam, em muito, os das nações que o compõem e no seio dos territórios dessas nações.
Assim, o artigo IX, parágrafo 2, prevê que o Fundo possuirá personalidade jurídica plena e inteira e, de modo muito particular, a capacidade de: 1.º contratar; 2º adquirir e fazer uso de todos os bens mobiliários e imobiliários; 3.º acionar.
Neste mesmo artigo, o Fundo atribui-se o poder de emitir juízos, estabelecer estatutos e executar as suas próprias decisões; remetendo e reduzindo os estados membros ao papel de simples polícias. O parágrafo 10 deste artigo obriga cada nação a fazer valer os princípios nele inscritos, nos termos da sua própria lei, e prestar contas ao Fundo das medidas tomadas.
O parágrafo 3 proíbe que o Fundo seja submetido ao poder judicial de qualquer país ou estado em que atue, salvo no caso em que renuncie, expressamente, à imunidade de que goza.
O parágrafo 4 determina: “Os bens e ativos do Fundo, quaisquer que eles sejam e em que mãos se encontrem, ficarão ao abrigo de qualquer execução, confisco, expropriação ou outra forma de arresto por ação legislativa ou executiva.”
O parágrafo 7 atribui ao Fundo a mesma imunidade diplomática que desfruta qualquer nação que mantenha representação consular, mas com esta diferença – que se possa exigir a partida aos representantes dos outros países.
O parágrafo 8 dispensa imunidades e privilégios aos quadros e empregados. E a segunda parte deste parágrafo estipula mesmo: “A todos os governadores, itinerantes, quadros ou empregados que não pertençam às nacionalidades locais serão asseguradas as mesmas isenções às restrições à emigração, nas condições do estatuto de estrangeiro e às obrigações do serviço nacional, e as mesmas facilidades quanto às restrições referentes a operações de câmbio que as dispensadas aos representantes oficiais e empregados da mesma categoria da parte de outros membros.”
Os parágrafos 1 e 9 facultam a isenção de impostos sobre todos os bens, rendimentos, operações e transações assim como sobre os salários e emolumentos pagos pelo Fundo que não sejam cidadãos locais, súditos locais ou outros nacionais locais. São também isentos de impostos todas as obrigações ou títulos emitidos pelo Fundo, juros e dividendos compreendidos.
Sempre que as grandes civilizações ruíram para jamais se reerguerem, testemunha a História, a riqueza dessas civilizações encontrava-se nas mãos de um punhado de homens.
John Adams escreveu a Thomas Jefferson:
“Todas as embaraçosas confusões e desgraças na América provêm não tanto dos defeitos da Constituição ou da Confederação como de uma falta de honra e de virtude, assim como da ignorância completa da natureza da moeda, do critério e da circulação monetária”.
E eis a resposta dada por Thomas Jefferson:
“Penso sinceramente, como vós, que as instituições bancárias são mais perigosas do que os exércitos em campanha e de que o princípio de gastar dinheiro que virá a ser desembolsado pela posteridade, sob o pretexto de consolidação, não é mais do que uma burla sobre o futuro, praticada em grande escala”. E até Mayer Amshel Rothschild afirmou: “Permiti-me emitir e fiscalizar a moeda de uma nação e troçarei de tudo o que as suas leis instituem”.
O ouro armazenado em Fort Knox não pertence ao povo americano, mas ao Federal Reserve, grupo privado. O nome dos que possuem semelhantes fundos jamais foi revelado.”
(Deirdre Manifold, Fátima e a Grande Conspiração)

sábado, 11 de maio de 2013

A nova “hermenêutica” do Bispo Fellay (II)

4. A ilusão de fazer um “bem maior”
Então, a fim de encontrar uma justificação “positiva” para negociar com a Roma conciliar, as autoridades da SSPX afirmam que esse acordo meramente prático vai-nos permitir fazer um bem maior, pois estando “dentro da igreja visível” converteremos a igreja conciliar à Tradição... Esse é exatamente o mesmo argumento invocado por Dom Gérard e pelos padres de Campos para justificar sua reintegração à Roma conciliar! Nosso Fundador respondeu a essa perspectiva enganosamente “otimista” com grande realismo em uma entrevista, dizendo, “Entrar na Igreja, o que isso significa? E antes de tudo de que Igreja é que estamos falando? Se é da igreja conciliar, será que devemos, nós que lutamos contra ela há vinte anos por querermos a Igreja Católica, retornar à igreja conciliar supostamente para fazê-la católica? Isso é uma total ilusão! Os inferiores não mudam os superiores, mas são os superiores que mudam os inferiores.” (Fideliter n° 70, julho-agosto de 1989)
E os fatos nos mostram que o pouco de bem que os que se juntaram a Roma desde 1988 fizeram não justifica o maior mal de terem abandonado seus fiéis aos erros conciliares, à nova Missa, a justificações das ações dos Papas pós-conciliares etc.
5. São suficientes as novas condições preliminares?
Novamente, com o intuito de justificar esse acordo, eles afirmam que as condições preliminares estabelecidas pelo último Capítulo Geral em julho de 2012 seriam suficientes para evitar cair nas mesmas “armadilhas” que apanharam as comunidades acordistas. Mas fora o fato de que essas condições são insuficientes e irrealistas para nos protegerem de sermos “assimilados” e “neutralizados” pela igreja conciliar, o Capítulo Geral esqueceu as duas condições mais importantes, claramente requeridas pelo Arcebispo Lefebvre: a conversão das autoridades oficiais da igreja, ou seja, sua explícita condenação dos erros conciliares, e isenção do novo Código de Direito Canônico.
O Arcebispo Lefebvre disse que mesmo se a Roma modernista cumprisse algumas condições preliminares, tais condições seriam insuficientes para fazer um acordo com eles. Eis o que ele disse ao Cardeal Ratzinger: “Vossa Eminência, perceba que, mesmo se nos der um bispo, mesmo se nos der alguma autonomia dos bispos, mesmo se nos der toda a liturgia de 1962, mesmo se nos der a continuação dos seminários e da Sociedade como hoje fazemos, não podemos trabalhar juntos, é impossível, impossível, porque trabalhamos em sentidos diametralmente opostos: vós trabalhais pela descristianização da sociedade, da pessoa humana e da Igreja e nós, nós trabalhamos pela cristianização. Não podemos concordar.” (Retiro em Écône, 4.9.1987)
Além disso, o Arcebispo Lefebvre colocou a conversão de Roma como pré-requisito a um acordo quando escreveu as seguintes palavras aos quatro futuros bispos: “... tenham confiança de que sem demora a Sé de Pedro estará ocupada por um sucessor de Pedro perfeitamente católico, em cujas mãos vocês depositarão a graça de seu episcopado para que ele a confirme.” (29.8.1987)
E quanto ao Código de Direito Canônico, como poderíamos manter nossa identidade e continuar nosso combate, se estivéssemos sob a lei comum da igreja conciliar, que é o novo Código de Direito Canônico? Eles não percebem que o novo código foi feito especificamente para implementar as reformas conciliares, mas não para preservar a Tradição?
6. O Vaticano II seria aceitável
E a fim de superar o impasse doutrinal que resulta do Segundo Concílio do Vaticano e do “magistério” pós-conciliar, temos visto esses líderes da SSPX em suas últimas conferências, sermões e entrevistas mostrarem uma determinação explícita e reiterada de minimizar os erros conciliares de modo a preparar as mentes dos fiéis para a reconciliação com a Roma conciliar.
Não foi com estupefação que ouvimos o Bispo Fellay, em entrevista ao Catholic News Service, afirmar que “O concílio estava apresentando uma liberdade religiosa que era de fato muito, muito limitada, muito limitada,” e também que a conclusão das discussões doutrinais com Roma foi que “... nós vemos que muitas coisas que teríamos condenado como sendo do concílio não são de fato do concílio, mas do entendimento comum deste”? E: “o concílio deve ser posto dentro da grande tradição da Igreja, deve ser entendido dentro dela, e em correlação com ela. Nós concordamos com essas afirmações total e absolutamente.” (11.5.2012)
E o único (incompleto) texto revelado a respeito de seu último preâmbulo doutrinal apresentado em Roma em abril, e de que tratou o Pe. Pfluger em uma conferência, não apenas trai o mesmo desejo de minimizar os erros conciliares, mas até de aceitá-los: “a Tradição inteira da fé católica deve ser o critério e o guia de entendimento dos ensinamentos do Vaticano II, que por sua vez ilumina alguns aspectos da vida e da doutrina da Igreja, implicitamente presentes nela, não formulados ainda.” (St. Joseph des Carmes, 5.6.2012)
Não foi o fato de que eles passivamente observaram o terceiro encontro inter-religioso de Assis sem vigorosamente condená-lo, até mesmo pedindo a alguns membros da Sociedade que não o fizessem, também um sinal revelador?
E o que é mais preocupante é que a minimização dos erros do concílio parece vir já de algum tempo atrás... porque o Bispo Fellay afirmava, já em 2001 (!), em uma entrevista, que “Não temos problema em aceitar o concílio,” “Isso dá a impressão de que rejeitamos tudo do Vaticano II. No entanto, conservamos 95% dele.” (Jornal suíço La Liberté, 11.5.2001)
Em vez de ouvirem os alertas reiterados que pediam que não se assinasse um acordo prático, eles desdenhosamente responderam à carta dos três bispos com palavras duras... insinuando que esses três bispos companheiros eram “sedevacantistas”, “cismáticos” e estavam transformando os erros do Vaticano II em “super-heresias”.
Seria muito longa a lista que enumerasse as demais afirmações de Menzingen que se movem na direção de um enfraquecimento de suas posições doutrinais; o mesmo enfraquecimento se encontra em outros membros da Sociedade que apóiam o acordo. Pude constatar como alguns confrades, que conhecia firmes em sua condenação do concílio e dos Papas pós-conciliares, passaram agora a posições mais “suaves” e dão forte apoio a um acordo com a Roma modernista...
7. Graves erros contra a prudência
Além dos erros em seus princípios, podemos também perceber sérios erros de julgamento, que foram também a causa da divisão interna mais séria, em profundidade e extensão, que a Sociedade já conheceu.
Com suas ações imprudentes, eles preferiram sacrificar a unidade e o bem comum da Sociedade para seguir a agenda da Roma modernista, como eles mesmos afirmaram em resposta à carta dos três outros bispos da Sociedade: “Para o bem comum da Sociedade preferiríamos muito mais a presente solução do status quo, mas manifestamente Roma não a tolera mais.” (14.4.2012)
O Bispo Fellay também disse que era quase “inevitável” que uma parte da Sociedade não o seguiria em caso de um acordo com Roma: “Não posso excluir que haja uma divisão [dentro da Sociedade]” (Entrevista ao Catholic News Service), assumindo, assim, o risco de dividir seriamente a Sociedade.
Desta forma, eles preferiram ignorar todos os avisos vindos dos três outros bispos, de alguns superiores e membros da Sociedade e até de nossas comunidades tradicionais companheiras que lhes pediram que não assinassem um acordo meramente prático.
Essa atitude chocou profundamente muitos membros da Sociedade e criou uma divisão interna que tem minado a credibilidade da liderança em governá-la, e entre as comunidades amigas minou uma confiança que não foi restaurada.
8. Quem enganou quem?
Quando ouvimos suas explicações (desculpas?) durante os últimos meses a respeito das supostas “razões verdadeiras” que os levaram tão longe nas concessões à Roma modernista, vemos que não foram tanto as autoridades romanas que os enganaram, mas que eles próprios enganaram a si mesmos! Pois se decidiram, imprudentemente, pôr de lado as respostas recebidas dos canais oficiais do Vaticano sobre o verdadeiro pensamento do Papa, e favoreceram outros canais, os chamados “informais”, uma tal decisão não melhora sua reputação como superiores prudentes...
Desta forma, recusaram ver que tudo que esses canais “não-oficiais” lhes diziam era ou fofoca ou manipulação, porque seu desejo de alcançar um acordo tornou-se uma “obsessão” tão grande que eles terminaram acreditando em tudo! Quem é culpado? Somente eles!
Como é possível que tenham agido tão negligentemente em matéria tão grave? Em qualquer instituição, mesmo secular, um tal ato leva inevitavelmente à resignação da pessoa responsável, porque muita confiança foi perdida. “Assumiremos nossas responsabilidades”, ameaçava o Pe. Pfluger, se os acordos fracassassem.
Na verdade, se não resignaram é porque continuam a acreditar num acordo. Ainda não aprenderam a lição de suas ações! É óbvio que apesar de alguns obstáculos, Menzingen e o Vaticano farão tudo para “ressuscitar” as conversas. A expulsão do Bispo Williamson parece claramente ser um “sinal revelador” de que as conversas recomeçarão, porque a expulsão foi, pelo menos para o Vaticano, condição sine qua non a favor de um acordo.
Além do mais, encontramos no Bispo Fellay uma grave falta de julgamento prático a respeito das falsas idéias do Papa. Como é que ele pôde achar que Bento XVI estava pronto para nos reconhecer “pondo de lado nossa aceitação do Concílio”, como escreveu ao Papa em junho de 2012? Será que ele não sabia que o concílio é “inegociável” para a Roma modernista? Isso é ingenuidade de sua parte, ou ele está simplesmente acreditando que seus desejos são a realidade? Em todo caso, é uma falta grave de prudência em questões doutrinais.
9. Perseguições injustas
Finalmente, para completar sua cegueira e teimosia no caminho da “reconciliação” com a Roma modernista, eles executaram perseguições com o intuito de suprimir qualquer oposição, tanto dentro como fora da Sociedade. Desde então temos visto uma série de intimidações, admoestações, mutações, demoras nas ordenações, expulsões de padres e até mesmo de um dos nossos bispos!
Perseguem implacavelmente e expulsam pessoas que se opõem a sua reconciliação com a Roma modernista, e ao mesmo tempo dizem cinicamente que pretendem continuar com sua oposição... dentro da igreja oficial, quando forem reconhecidos!
Em última análise, estabeleceram um governo autoritário, uma verdadeira ditadura, na Sociedade, a fim de removerem qualquer obstáculo que se oponha a seus planos de reintegração à Roma modernista.
Desta forma, o Bispo Fellay e seus dois assistentes mudaram radicalmente os objetivos e princípios fundamentais da Sociedade estabelecidos por nosso Fundador. Também ignoraram as principais decisões do Capítulo Geral de 2006, que proibiu um acordo prático com a igreja oficial sem prévio acordo doutrinal. Ignoraram deliberadamente os alertas de pessoas prudentes que os aconselharam a não assinarem nenhum acordo prático com a Roma modernista. Puseram em risco a unidade e o bem comum da Sociedade, expondo-a ao perigo de um compromisso com os inimigos da Igreja. E finalmente, contradisseram-se a si mesmos dizendo o oposto do que afirmaram apenas alguns anos antes!
Portanto, traíram o legado do Arcebispo Lefebvre, as responsabilidades de suas posições, a confiança de milhares e mesmo daqueles que, por eles enganados, continuam a neles confiar.
Mostraram uma firme determinação de levar a Sociedade, a todo custo, a pactuar com nossos inimigos.
Pouco importa que o acordo com a igreja conciliar não tenha sido feito, ou não o seja imediatamente, ou talvez nunca... um grave perigo persiste na Sociedade enquanto eles não se retratem dos falsos princípios que guiaram suas ações destruidoras.
Vejo agora com tristeza que eles, querendo de algum modo identificar abusivamente seus julgamentos e suas decisões com a própria Sociedade, terminaram por confiscá-la como se fosse sua propriedade particular, esquecendo que só foram nomeados para servir durante um determinado tempo.
Essa constatação é ainda mais dolorosa e inquietante quando se considera que da fidelidade da Sociedade à sua missão depende a salvação de tantas almas e também a restauração de toda a Igreja.
Que Deus tenha misericórdia da Sociedade!”
(Pe. Juan Carlos Ortiz, F.S.S.P.X, La Nueva “Hermenéutica” de Monseñor Fellay - ¿Ha Cambiado La Fraternidad su Posición?)