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sábado, 14 de maio de 2016

O projeto de poder que quebrou o país


“Boa parte daqueles que se dispõem a analisar a política de um país tende a ter seus olhos voltados apenas para os movimentos internos da política partidária nacional, esquecendo que, hoje em dia, em mundo onde os países estão tão interconectados, não apenas economicamente, mas estrategicamente, ignorar a função que possuem os organismos internacionais no jogo político interno é um erro pueril.
Ninguém pode negar, certamente, que há uma disputa entre os partidos nacionais. Todavia, cada um deles, ou grupo deles, responde a um movimento que vem desde fora e que tenta se impor por aqui, da mesma maneira que vai se impondo em outras partes do mundo.
O mais notório deles é o bolivarianismo, que gestado nos encontros do Foro de São Paulo, ainda no início da década de 90, tendo como suas pontas-de-lança o próprio ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o ditador cubando Fidel Castro, foi, em uma estratégia agressiva e, de certa forma, surpreendente, tomando os governos da maioria dos países sul-americanos, impondo sobre esses países a visão e ideologia comunista, com um forte viés populista.
Aqui no país, o instrumento para a implantação das diretrizes do Foro de São Paulo foi o Partido dos Trabalhadores. E talvez muitas pessoas não liguem os fatos, mas, sendo certamente o principal artífice do impeachment do ex-presidente Fernando Collor, o PT ali já iniciara sua escalada brutal até conseguir alcançar a escala mais alta do poder no país. Em uma estratégia de sucesso, colocou-se, para a população, como uma reserva moral na política brasileira, diferenciando-se de tudo o que se apresentava até ali, apenas aguardando, com uma paciência que apenas os movimentos comunistas pelo mundo demonstraram ter, até o momento em que lhe fosse mais propício alcançar o governo.
Para chegar ao topo, porém, era necessário que a nação estivesse de alguma maneira preparada para isso. E neste sentido os oito anos do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foram fundamentais. Se a passagem do governo Itamar Franco diretamente para um partido de extrema esquerda, como o PT, representaria uma ruptura muito forte na percepção populacional sobre as diretrizes governamentais, FHC serviu, perfeitamente, como uma ponte que proporcionou uma transição suave e sem solavancos até à presidência esquerdista de Lula.
E este mesmo tratou de ser um personagem diferente daquele sindicalista que vivia aos berros nas portas das metalúrgicas paulistas. Lula, em uma estratégia inteligente, apresentou-se, em seu primeiro mandato, como um homem conciliador, afável, que não entraria no governo para radicalizar, mas pronto para fazer as reformas necessárias, sem assustar, principalmente, os investidores nacionais e internacionais.
No entanto, não era essa a identidade nem esse o objetivo do Partido dos Trabalhadores. O “Lulinha paz e amor” serviu apenas como uma forma de transição de um país já conduzido para a esquerda, com Fernando Henrique, mas ainda não pronto para a radicalização, até seu objetivo final, que é transformar o Brasil no alimentador e assegurador da implantação de um poder continental, chamado por eles mesmos de Pátria Grande.
E basta observar a atuação de Lula no poder para verificar como, ano a ano, suas políticas foram se tornando menos conciliadoras e cada vez mais voltadas para o fortalecimento do projeto de poder que envolvia não apenas o próprio Partido dos Trabalhadores, mas boa parte dos líderes dos países da América do Sul, como Venezuela, Argentina, Bolívia, Paraguai e Equador.
O período de oito anos de governo Lula serviu para lançar os fundamentos mais sólidos para a radicalização definitiva do país. Foram neles que os movimentos sociais ganharam uma força nunca antes vista por aqui, a imprensa, já aparelhada, passou a receber financiamento direto do governo, os Estados foram sugados até praticamente perderem suas autonomias, os grandes empresários foram cooptados para se juntar ao governo, financiando, assim, suas aventuras e a própria cultura e educação no país foram assaltadas pelas ideias disseminadas pelos ideólogos ligados ao governo, tornando o Brasil um país mais inculto e violento.
Quando o governo Lula chega ao seu final, o país está pronto, segundo as convicções petistas, para tornar-se uma país definitivamente socialista, podendo assim passar a faixa presidencial para uma guerrilheira e terrorista comunista, como Dilma Rousseff. Termina, ali, o segundo período de transição e o país entra na fase da radicalização explícita, quando não mais se esconde que o objetivo é transformar o país em uma grande nação socialista.
O problema é que, para que isso se concretizasse, como sói acontecer em todas as nações que enveredam pelo caminho do comunismo, foi necessário que se usurpasse a própria nação, roubando dela suas riquezas, suas possibilidades e suas esperanças. Assim, criou-se um esquema de corrupção que alcançou cifras estratosféricas, iniciada ainda no governo de Lula e que apenas aumentou sua voracidade nos anos seguintes, até chegar nos escandalosos números apresentados até aqui.
Mas para entender os motivos de tão absurda roubalheira, não pode-se perder de vista a razão por que foi preciso, segundo a visão petista, desviar tantos recursos. Na verdade, o projeto de poder era tão megalomaníaco que exigia aportes cada vez maiores de dinheiro. Tal projeto não se sustentaria apenas com conchavos políticos e comissões pessoais, era necessário assaltar os cofres do país, a fim de fortalecer o poder dos governantes bolivarianos, ainda que fosse ao custo de empobrecer a própria nação.
Chegamos onde chegamos, quebrados, sem esperança, sem dinheiro, sem investimentos, com altíssimas taxas de desemprego e uma violência jamais vista no mundo, não por acaso. Este é o fruto evidente de uma política que tinha como objetivo criar uma grande escala de poder que ultrapassava as fronteiras nacionais, mas que colocava os irmãos de armas comunistas no comando de todo o continente. Para isso, não tiveram escrúpulos e colocaram de joelhos o Brasil, exigindo que ele desse seus recursos e sangue, em favor do sonho maluco bolivariano.
Se estamos hoje alquebrados, isso não aconteceu por acaso. E analisar tudo isso apenas com base nos jogos políticos partidários e nos interesses pessoais é fechar os olhos para o verdadeiro inimigo que estamos enfrentando.”

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quinta-feira, 3 de março de 2016

Os perigos do socialismo

“É demasiado fácil falar que a propriedade deve ser distribuída, porém, quem é o agente do verbo? Quem deve distribuir? Parte-se da idéia que o poder central, que condescende com a distribuição, há de ser sempre justo, sábio, prudente e representante legítimo da consciência da comunidade. Nós, entretanto, colocamo-la em cheque. Afirmamos que deveria haver no mundo uma grande massa de poderes, privilégios, limites e pontos de resistência disseminados que permitiriam ao povo resistir à tirania. E afirmamos que, nesse controle central, por mais que possam tê-lo designado para ser um distribuidor da riqueza de maneira igualitária, há a possibilidade permanente da conversão numa tirania.
Não creio que seja difícil imaginar como isso poderia acontecer. No momento em que um grupo de pessoas começasse a comportar-se de alguma forma que o grupo governante julgasse anti-cívica, poder-se-ia negar-lhes, sem dificuldade e com a aprovação deste mesmo grupo governante, alimentos e suprimentos.
Eles propõem a distribuição das riquezas; eu proponho a distribuição do poder.”
(Gilbert Keith Chesterton, Do We Agree?)

Tradução de Agnon Fabiano

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O socialismo só se realiza inteiramente com robôs

“Em uma sociedade sem propriedade individual ou sem família, a alma humana fica como que em estado de violência. A inteligência tende a se embotar, e a vontade a se desfibrar. O homem de muita personalidade é, no regime socialista, como um automóvel que anda pelas ruas na contra-mão. O socialismo só se realiza inteiramente com robôs. E o homem-robô é o fruto utópico e lógico do ambiente socialista, da educação marxista, das instituições socialistas, e de todo o sistema socialista de vida.”
(Plínio Corrêa de Oliveira, Reforma Agrária: Questão de Consciência)

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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Paraíso perdido


“Onde foi parar neste começo de 2016 o “carrinho novo” que, segundo o ex-presidente Lula, o operário brasileiro finalmente teve dinheiro e crédito para comprar, por conta das virtudes de seu governo? Onde andariam todos os trabalhadores humildes que deixaram “a elite inconformada” por começarem a viajar de avião, pela primeira vez na história deste país? Onde poderia estar circulando neste momento o “Trem-Bala” que, segundo Lula garantiu mais de uma vez, seria inaugurado dali a pouquinho e calaria a boca dos que “torcem contra” o governo? Alguém já conseguiu tirar uma caneca de água da transposição do Rio São Francisco? O que aconteceu com a conta de luz barata e com a lição de economia que a presidente Dilma Rousseff deu ao planeta em 2013? O Brasil, assegurou ela, acabava de provar que era possível, sim, crescer, distribuir renda, baratear a vida para os pobres e ter finanças sadias, tudo ao mesmo tempo, “em meio a um mundo cheio de dificuldades”. Não só isso. Seu governo acabava de colocar o Brasil numa “situação privilegiada” perante a comunidade das nações, com “energia cada vez melhor e mais barata, mais que suficiente para o presente e o futuro”. Os “pessimistas” tinham sido derrotados, informou Dilma.
E os juros? Na mesma ocasião, a presidente comunicou que “os juros estão caindo como nunca” - e hoje? Outra coisa: sabe-se da existência de algum posto onde seria possível comprar gasolina barata, feito de que o governo tanto se orgulhava até o encerramento da eleição presidencial de 2014? O Brasil entrou, afinal, na Opep, como Lula previa diante da nossa transformação em potência na produção de petróleo? Aliás, por falar nisso, quando foi a última festa para comemorar mais uma descoberta do “pré-sal”, com Lula e Dilma fazendo aquelas marcas pretas de óleo nos uniformes cor de laranja com que eram fantasiados? Procuram-se notícias, também, do real forte - tão forte que iria dispensar o dólar nas transações internacionais do Brasil, pelas altas análises do Itamaraty. Seria interessante saber onde foi parar o investment grade que as grandes agências mundiais de avaliação de risco deram ao Brasil pouco tempo atrás - prova definitiva, segundo o governo, de que o mundo capitalista enfim se curvava diante da gestão econômica de Lula, Dilma, PT e de suas “políticas sociais”. O mesmo se pode perguntar em relação ao “gostinho” declarado pelo ex-presidente em ver o Primeiro Mundo em “crise” e o Brasil correndo para o abraço. Onde está “o pleno emprego”? Onde está a “Pátria Educadora”? Onde está o maior programa de distribuição de renda já visto na história da humanidade?
Nada disso se encontra disponível no presente momento. Carrinho novo? A indústria automobilística acaba de ter, em 2015, o pior desempenho em quase trinta anos - isso mesmo, desde 1987, nas remotas profundezas do governo José Sarney. As companhias de aviação estão de joelhos; se estão perdendo até os passageiros ricos, imagine-se os pobres. A energia barata virou uma piada: as contas de luz subiram 50% em 2015, e vão subir de novo neste ano. Os juros andam perto de 15% - um paraíso mundial para os “rentistas” com os quais a esquerda brasileira tanto se horroriza nos discursos e a quem tanto favorece na vida real. No assunto petróleo, o que se tem, acima de tudo, é uma Petrobras que o governo quebrou, por ladroagem e incompetência, e hoje não tem dinheiro para investir nada; na verdade, ela jamais deveu tanto. O real perdeu 50% do seu valor no ano passado, e voltou, após mais de vinte anos, à sua condição de moeda bananeira. O governo presidiu uma recessão de 3,5% em 2015 - isso em cima de crescimento zero em 2014 - e prepara-se para socar na economia outro recuo neste ano, de 2,5% ou mais. Há 10 milhões de desempregados neste país, no corrente mês de janeiro. O último IDH, uma das medidas mundiais mais respeitadas para avaliar o bem-estar dos países, deixou o Brasil em 75º lugar - e quem pode achar que está bem, em qualquer coisa, se fica no 75º lugar? O investment grade sumiu: como o Senhor, na Bíblia, a Moody’s, a S&P e a Fitch dão, a Moo­dy’s, a S&P e a Fitch tiram.
É este o país que resultou, na prática, dos treze anos de Lula, Dilma e PT. Ninguém no governo tem a menor ideia de como sair disso - nem poderia ter, quando o seu único objetivo, hoje em dia, é ficar de bem com o senador Renan Calheiros e traficar no Congresso um jeito para escapar do impeachment. Daí só se pode esperar que as coisas continuem piorando, piorando, piorando - até que chega um dia em que continuam a piorar.”
(J. R. Guzzo, Paraíso Perdido)

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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O homem modelado pelo socialismo

“O socialismo distributivista dissemina por toda nação o sentimento de que sempre se tem o direito de tudo pedir ao Estado, sem nada lhe oferecer em troca, e dissolve o sentido do civismo e da responsabilidade (...). A economia socialista não pode funcionar senão através de uma série de relações de dependência hierárquica, entre as quais o indivíduo não conta, uma vez que a única fonte de poder é a do Estado-Partido. O homem de 1970, escreveu Jacques Ellul, foi preparado pelas escolas para cumprir uma função, não para ser um homem... Não tem tempo para conhecer a si mesmo nem para criar uma relação complexa, difícil e desgastante com os demais. Este homem é muito bem equilibrado, mas perfeitamente expansivo... tudo esperando, definitivamente, das intervenções e decisões do Estado, que se converte em agente de toda impulsão coletiva ou reivindicação social; o Estado é uma espécie de mediador entre o homem e todos os problemas gerais. O Estado pode solucionar tudo; a cada acontecimento o homem espera a resposta do Estado, inclusive no âmbito privado: os programas sociais estão aí para resolver as questões individuais. Gado doce, educado e tranqüilo, extraordinariamente bem castrado, dizia Saint-Exupéry. Eis aí o homem modelado pelo socialismo que, sem embargo, não cessa de prometer-lhe mais responsabilidade, mais participação em seu destino...”
(Jean de Saint-Chamas, El Socialismo contra el Progreso)

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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O correto uso do papel higiênico


“O título acima é meio enganoso, porque não posso considerar-me uma autoridade no uso de papel higiênico, nem o leitor encontrará aqui alguma dica imperdível sobre o assunto. Mas é que estive pensando nos tempos que vivemos e me ocorreu que, dentro em breve, por iniciativa do Executivo ou de algum legislador, podemos esperar que sejam baixadas normas para, em banheiros públicos ou domésticos, ter certeza de que estamos levando em conta não só o que é melhor para nós como para a coletividade e o ambiente. Por exemplo, imagino que a escolha da posição do rolo do papel higiênico pode ser regulamentada, depois que um estudo científico comprovar que, se a saída do papel for pelo lado de cima, haverá um desperdício geral de 3.28 por cento, com a consequência de que mais lixo será gerado e mais árvores serão derrubadas para fazer mais papel. E a maneira certa de passar o papel higiênico também precisa ter suas regras, notadamente no caso das damas, segundo aprendi outro dia, num programa de tevê.
Tudo simples, como em todas as medidas que agora vivem tomando, para nos proteger dos muitos perigos que nos rondam, inclusive nossos próprios hábitos e preferências pessoais. Nos banheiros públicos, como os de aeroportos e rodoviárias, instalarão câmeras de monitoramento, com aplicação de multas imediatas aos infratores. Nos banheiros domésticos, enquanto não passa no Congresso um projeto obrigando todo mundo a instalar uma câmera por banheiro, as recém-criadas Brigadas Sanitárias (milhares de novos empregos em todo o Brasil) farão uma fiscalização por escolha aleatória. Nos casos de reincidência em delitos como esfregada ilegal, colocação imprópria do rolo e usos não autorizados, tais como assoar o nariz ou enrolar um pedacinho para limpar o ouvido, os culpados serão encaminhados para um curso de educação sanitária. Nova reincidência, aí, paciência, só cadeia mesmo.
Agora me contam que, não sei se em algum estado ou no país todo, estão planejando proibir que os fabricantes de gulodices para crianças ofereçam brinquedinhos de brinde, porque isso estimula o consumo de várias substâncias pouco sadias e pode levar a obesidade, diabetes e muitos outros males. Justíssimo, mas vejo um defeito. Por que os brasileiros adultos ficam excluídos dessa proteção? O certo será, para quem, insensata e desorientadamente, quiser comprar e consumir alimentos industrializados, apresentar atestado médico do SUS, comprovando que não se trata de diabético ou hipertenso e não tem taxas de colesterol altas. O mesmo aconteceria com restaurantes, botecos e similares. Depois de algum debate, em que alguns radicais terão proposto o Cardápio Único Nacional, a lei estabelecerá que, em todos os menus, constem, em letras vermelhas e destacadas, as necessárias advertências quanto a possíveis efeitos deletérios dos ingredientes, bem como fotos coloridas de gente passando mal, depois de exagerar em comidas excessivamente calóricas ou bebidas indigestas. O que nós fazemos nesse terreno é um absurdo e, se o estado não nos tomar providências, não sei onde vamos parar.
Ainda é cedo para avaliar a chamada lei da palmada, mas tenho certeza de que, protegendo as nossas crianças, ela se tornará um exemplo para o mundo. Pelo que eu sei, se o pai der umas palmadas no filho, pode ser denunciado à polícia e até preso. Mas, antes disso, é intimado a fazer uma consulta ou tratamento psicológico. Se, ainda assim, persistir em seu comportamento delituoso, não só vai preso mesmo, como a criança é entregue aos cuidados de uma instituição que cuidará dela exemplarmente, livre de um pai cruel e de uma mãe cúmplice. Pai na cadeia e mãe proibida de vê-la, educada por profissionais especializados e dedicados, a criança crescerá para tornar-se um cidadão modelo. E a lei certamente se aperfeiçoará com a prática, tornando-se mais abrangente. Para citar uma circunstância em que o aperfeiçoamento é indispensável, lembremos que a tortura física, seja lá em que hedionda forma — chinelada, cascudo, beliscão, puxão de orelha, quiçá um piparote —, muitas vezes não é tão séria quanto a tortura psicológica. Que terríveis sensações não terá a criança, ao ver o pai de cara amarrada ou irritado? E os pais discutindo e até brigando? O egoísmo dos pais, prejudicando a criança dessa maneira desumana, tem que ser coibido, nada de aborrecimentos ou brigas em casa, a criança não tem nada a ver com os problemas dos adultos, polícia neles.
Sei que esta descrição do funcionamento da lei da palmada é exagerada, e o que inventei aí não deve ocorrer na prática. Mas é seu resultado lógico e faz parte do espírito desmiolado, arrogante, pretensioso, inconsequente, desrespeitoso, irresponsável e ignorante com que esse tipo de coisa vem prosperando entre nós, com gente estabelecendo regras para o que nos permitem ver nos balcões das farmácias, policiando o que dizemos em voz alta ou publicamos e podendo punir até uma risada que alguém considere hostil ou desrespeitosa para com alguma categoria social. Não parece estar longe o dia em que a maioria das piadas será clandestina e quem contar piadas vai virar uma espécie de conspirador, reunido com amigos pelos cantos e suspeitando de estranhos. Temos que ser protegidos até da leitura desavisada de livros. Cada livro será acompanhado de um texto especial, uma espécie de bula, que dirá do que devemos gostar e do que devemos discordar e como o livro deverá ser comentado na perspectiva adequada, para não mencionar as ocasiões em que precisará ser reescrito, a fim de garantir o indispensável acesso de pessoas de vocabulário neandertaloide. Por enquanto, não baixaram normas para os relacionamentos sexuais, mas é prudente verificar se o que vocês andam aprontando está correto e não resultará na cassação de seus direitos de cama, precatem-se.”
(João Ubaldo Ribeiro, O Correto Uso do Papel Higiênico)

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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Países quebram!


“A Grécia está mostrando ao mundo o que acontece com os Estados perdulários que gastam riqueza não produzida e buscam manter seu padrão de vida usando a poupança alheia. Por esse caminho, formam-se dívidas dotadas de uma extraordinária capacidade de multiplicação. Um dos fatores determinantes dessa multiplicação leva o nome antipático de taxa de juros. Outro consiste em tomar dinheiro novo para pagar dívida velha. Outro ainda é a irresponsabilidade fiscal que leva governantes a não enquadrarem a despesa pública na capacidade contributiva da sociedade.
Países quebram. Leva bom tempo para isso acontecer, mas a estrada acaba. Um dia, não há mais pista para rodar. No horizonte só se avista, então, terra inóspita, mata cerrada, montanhas e rios sem pontes. É a situação grega, um país que deve quase dois anos inteiros de seu decrescente PIB e já perdeu 400 mil jovens para outras oportunidades de trabalho e de vida no exterior. Os gregos creram que seu ingresso na Zona do Euro era um cartão de crédito ilimitado para implantar no país um estado de bem-estar social. Com o dinheiro dos outros. E isso, simplesmente, não existe no mundo real.
Países quebram. No mundo irreal, os políticos que seduziram os gregos e deles colheram votos com a ideia de um Estado provedor, benfazejo, inexaurível em sua prodigalidade, trataram de convencer a opinião pública de que o resto do mundo tem o dever de subsidiá-los com novos empréstimos. A Grécia deve 360 bilhões de euros, não conseguiu pagar uma parcelinha de 1,5 bilhão (ou seja, 0,5% do que deve) e segundo os cálculos dos principais credores (ministros da Zona do Euro), pode estar precisando de mais 83 bilhões de euros. Além de ser difícil estabelecer um consenso sobre esse atendimento, muito mais difícil será obter acordo interno na sociedade grega e em seu círculo de poder para as duríssimas e necessárias medidas de contenção de gastos, aumento de tributos, venda de patrimônio, redução de salários e pensões.
Países quebram. Estados da federação quebram. Durante a campanha eleitoral de 2014 no Rio Grande do Sul, alguns analistas denunciavam hecatombe fiscal em que se constituiu o governo Tarso Genro. Ele estava deixando a seu sucessor uma situação de insolvência que em breve se tornará nacionalmente conhecida. Perante tais acusações, os políticos petistas afirmavam em orgulhosos rompantes: "Nós não nos submetemos a essa lógica neoliberal". O que chamavam lógica neoliberal era, simplesmente, o zelo pelos recursos do contribuinte, contendo-os nos limites da receita, conforme impõe a lei de responsabilidade fiscal.
O governo petista no Brasil, indo pelo mesmo caminho das pedaladas e da gastança desmedida, jogou-nos numa crise pela qual não precisaríamos estar passando. Vínhamos bastante bem. Nossos governantes dos últimos 13 anos, porém, gastaram demais, fizeram loucuras demais, jogaram dinheiro fora e mandaram dinheiro para fora, torraram reservas demais, locupletaram-se demais. Foram longe demais. E agora chamam golpistas quem busca uma saída política e constitucional para que não sejamos mais golpeados por tanto desmando, incompetência e irresponsabilidade.”

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terça-feira, 21 de abril de 2015

As práticas dos estrategas socialistas

"Começam com uma idéia de que a sociedade é contrária à natureza; maquinam artifícios aos quais a humanidade tem que se sujeitar; perdem de vista o fato de que a humanidade tem a sua força motora dentro de si mesma; consideram os homens como tendo uma base de matéria prima; propõem dar-lhes movimento e vontade, sentimento e vida; põem-se a si mesmos à parte, incomensuravelmente acima da raça humana - estas são as práticas normais dos estrategas socialistas. Os planos diferem; os estrategas são todos iguais."
(Frédéric Bastiat, La Loi)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A CNBB a serviço do PT

“Sei que o texto transcrito a seguir parece escrito com o cotovelo, mas era preciso ser fiel ao trabalho de seus redatores. Trata-se de um trecho do documento Análise de Conjuntura, referente a março de 2014, preparado pela assessoria da CNBB para a 83ª reunião do Conselho Permanente da entidade, ocorrida entre os dias 11 e 13 deste mês em Brasília.
"Em análises anteriores da conjuntura econômica foi assinalado o discurso alarmista da imprensa e o alarmismo de analistas econômicos, não sem contradições na análise da realidade. Está bem presente um viés ideológico que perpassa todas as análises evidenciando um conluio entre a imprensa e os donos do dinheiro no país. O tom das análises reflete rancor, raiva e oposição ao governo atual, com parcialidade tal que perde o sentido de objetividade. A chave de leitura é uma oposição visceral do mundo financeiro e empresarial ao governo da presidente Dilma, ampliada com o horizonte das eleições em outubro deste ano".
Por indicação de um leitor, retornei ao site da CNBB em busca desse documento. Havia onze anos que eu não perdia meu tempo lendo as análises mensais de conjuntura preparadas pela assessoria da CNBB. A entidade, na ocasião em que questionei o tom petista militante que caracterizava os textos, informou que os mesmos não eram "dela", CNBB, mas elaborados "para ela". Com tal afirmação, os senhores bispos supunham desobrigar-se de um volumoso conjunto de documentos que, estranhamente, levam o timbre e estão disponíveis no site da entidade que os congrega.
Entre minha visita anterior e esta, transcorreu toda uma década, mudou o mundo, mudou o Brasil, mas os assessores da CNBB continuam derramando seu fel ideológico sobre cada frase. A orientação persiste: defesa insistente do petismo e seus parceiros de aquém e de além mar. O texto acima, por exemplo, é parte de um trecho bem maior, dedicado à situação nacional. Ao longo dele algo, ao menos, fica bem claro: os peritos que socorrem a CNBB com sua visão da "conjuntura" já têm candidata a "presidenta" para 2014. O documento deve ter cerca de 5 mil palavras. De início, para desvendar sua eclesialidade, procurei ver quantas vezes apareciam nele a palavra Cristo e seus derivados. Usando o instrumento de busca, digitei as letras "crist" com o que abrangeria todos os vocábulos com essa raiz. Houve apenas três ocorrências. Pareceu-me pouco para um documento católico. Quando fui ver o que diziam do Mestre, descobri, não sem surpresa, que uma dessas referências tratava da senhora Cristina Kirchner, a outra do senador Cristovam Buarque. E a terceira mencionava as "milícias cristãs" que estariam sendo submetidas à lei de Talião na República Centro-Africana. Ou seja, do Nazareno, apesar de levar a assinatura de quatro padres, nada. Ni jota como diriam nossos vizinhos castelhanos. O texto ficaria muito bem num Congresso do PT ou numa reunião do Foro de São Paulo: apoio ao governo federal, à presidente Dilma, ambiguidade em relação à crise da Ucrânia e apoio a Maduro na crise venezuelana, onde sustentam os redatores que a oposição, sim, a oposição, estaria radicalizando.
Entre os quatro leigos que também subscrevem o documento incluem-se o secretário de Articulação Social da Chefia de Gabinete da Presidência da República (braço-direito do ministro Gilberto Carvalho) e o secretário de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do governador petista do Distrito Federal. Os outros dois leigos são membros da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, outro dos vários organismos da CNBB aparelhados pelo PT, como a Pastoral da Terra, as CEBs e a Pastoral da Juventude. Todos selecionados a dedo, portanto, para produzirem o que se lê. Esperavam o quê?
Não é com surpresa que faço estas constatações e escrevo estas linhas. A CNBB parece não se importar com as demasias praticadas sob o guarda-chuva de seu nome e logomarca, nem com sua instrumentalização para fins políticos e partidários. Pode chocar a você, leitor, saber que esse suposto desinteresse coloca a instituição a serviço de quem, inequivocamente, tem entre seus objetivos o de acabar com o pouco que ainda remanesce de valores cristãos e de presença da Igreja na sociedade brasileira. Mas isso não causa o menor constrangimento à CNBB.
Há muitos lobos no meio das ovelhas que lhes confiou o Senhor. Às avessas da recomendação evangélica, os mansos como as pombas não parecem ser prudentes como as serpentes. E os prudentes nada têm de mansos.”
(Percival Puggina, Até Quando, Senhores da CNBB?)

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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Os verdadeiros racistas

“Alguns anos atrás, uma pessoa disse que, de acordo com as leis da aerodinâmica, um abelhão não pode voar. Mas os abelhões, alheios às leis da aerodinâmica, vão em frente, contrariam os dizeres dos especialistas, e voam assim mesmo.
Algo semelhante ocorre entre as pessoas. Enormes e tediosos estudos acadêmicos, bem como melancólicos e sombrios editoriais de determinados jornais, são produzidos às pencas lamentando o fato de que a maioria das pessoas pobres e negras não consegue ascender socialmente, e que isso seria uma fragorosa demonstração de discriminação.
O curioso é que, em vários países ao redor do mundo, inclusive naqueles países chamados de terceiro mundo, vários imigrantes extremamente pobres, principalmente oriundos da Ásia, não apenas conseguem prosperar mesmo sendo de uma cultura totalmente distinta, como também conseguem enriquecer sem jamais recorrer a favores especiais e a políticas de ação afirmativa.
Normalmente, estes imigrantes asiáticos chegam a um novo país praticamente sem nenhum dinheiro, sem nenhum conhecimento do novo idioma e sem nenhuma afinidade cultural. Eles freqüentemente começam trabalhando em empregos de baixa remuneração. Mas trabalham muito. A norma é trabalharem em mais de um emprego. Trabalham tanto que conseguem poupar e, após alguns anos, utilizam esta poupança para empreender. Muitos abrem um pequeno comércio, no qual continuam trabalhando longas horas e ainda continuam poupando, de modo que se tornam capazes de mandar seus filhos para a escola e para a faculdade. Seus filhos, por sua vez, sabem que seus pais não apenas esperam, como também exigem, que eles sejam igualmente disciplinados, bons alunos e trabalhadores.
Vários intelectuais já tentaram explicar por que os imigrantes asiáticos são tão bem-sucedidos tanto em termos educacionais quanto em termos econômicos. Freqüentemente chega-se à conclusão de que eles possuem algumas características especiais. Isso pode ser verdade, mas seu sucesso também pode ser atribuído a algo que eles não têm: "líderes" e autoproclamados porta-vozes lhes dizendo diariamente que são incapazes de prosperar por conta própria, que o sistema está contra eles, que eles não têm chance de ascender socialmente caso não sigam os slogans repetidos mecanicamente por estes líderes e sociólogos, e que por isso devem se juntar sob o rótulo de "vítimas do sistema" e exigir políticas especiais e tratamento diferenciado.
Vá a qualquer país, seja ele rico ou em desenvolvimento, e pesquise sobre a existência de "líderes" e de grupos de interesse voltados para a promoção de políticas de ação afirmativa para os asiáticos. Você não encontrará. Você não encontrará sociólogos dizendo que os imigrantes asiáticos, por serem minoria e por estarem culturalmente deslocados, estão em desvantagem e que por isso o governo deve criar leis de cotas para ajudá-los a ascender socialmente.
Infelizmente, é exatamente esta linha de raciocínio, só que em relação aos negros, que vem sendo diariamente propagada por acadêmicos e sociólogos irresponsáveis. Eles são a versão humana das leis da aerodinâmica, que dizem precipitadamente que determinadas pessoas não podem ascender e prosperar a menos que haja um empurrão do governo.
Aquelas alegações morais que foram feitas no passado por gerações de genuínos líderes negros — alegações que acabaram por tocar a consciência de várias nações e que viraram a maré em prol dos direitos civis para todos — hoje foram desvalorizadas e apequenadas por uma geração de intelectuais, sociólogos e autoproclamados "líderes" de movimentos raciais que tratam os negros como seres abertamente incapazes de prosperar sem a ajuda destes pretensos humanistas, os quais agem abertamente de acordo com uma agenda política de escusos interesses próprios.
O que é perfeitamente perceptível é que, ao longo das gerações, as pessoas que dizem falar em prol do "movimento negro" sofreram uma mutação de caráter: se antes possuíam uma alma nobre, hoje não passam de charlatães descarados. Após a implantação definitiva de políticas de ação afirmativa nos EUA, esses charlatães perceberam que era muito fácil ganhar dinheiro, poder e fama ao redor do mundo ao simplesmente se dedicarem à promoção de ações e políticas raciais que são totalmente contraproducentes aos interesses das pessoas que eles próprios dizem liderar e defender.
No passado, vários outros grupos de imigrantes também representavam minorias que tinham tudo para ser consideradas oprimidas e discriminadas, pois chegavam a outros países quase sem nenhum dinheiro, com pouquíssima educação e com total desconhecimento da cultura local, mas que não obstante ascenderam por conta própria, muito provavelmente porque não foram "privatizadas" por líderes raciais. Imigrantes e outras minorias que nunca tiveram "porta-vozes" e "líderes" raramente dependeram de subsídios do governo e quase sempre apresentaram altos níveis educacionais obtidos com o esforço próprio.
Grupos que ascenderam da pobreza à prosperidade raramente o fizeram por meio de líderes étnicos ou raciais. Ao passo que é fácil citar os nomes de vários líderes do "movimento negro" ao redor do mundo, tanto atuais quanto os do passado, quantos são os lideres étnicos que defendem os interesses dos asiáticos ou dos judeus em países em que eles são a minoria?
Ninguém pode negar que há anti-semitismo e que já houve discriminação aos asiáticos. Sempre houve. Mas eles nunca seguiram "líderes" cujas mensagens e atitudes serviram apenas para mantê-los presos à condição de bovinos.
Essa postura de dizer aos seus "seguidores" que eles são mais atrasados, tanto econômica quanto educacionalmente, por causa de outros grupos "opressores" — e que, portanto, eles devem odiar estas outras pessoas — tem paralelos na história recente. Essa foi a mesma motivação utilizada pelos movimentos anti-semitas no Leste Europeu no período entre-guerras, pelos movimentos anti-Ibo na Nigéria na década de 1960, e pelos movimentos anti-Tamil, que fizeram com que o Sri Lanka, outrora uma nação pacífica e famosa por sua harmonia intergrupal, se rebaixasse, por influência de intelectuais, à violência étnica e depois se degenerasse em uma guerra civil que durou décadas e produziu indescritíveis atrocidades.
Será tão difícil entender, mesmo com todos os exemplos históricos, que o progresso não pode ser alcançado por meio de líderes raciais ou étnicos? Tais líderes possuem incentivos em demasia para promover atitudes e políticas polarizadoras que são contraproducentes para as minorias que eles juram defender e desastrosas para o país. Eles se utilizam das minorias para proveito próprio, atribuindo a elas incapacidades crônicas que supostamente só podem ser resolvidas por políticas que eles irão criar. Eles são os verdadeiros racistas.”
(Thomas Sowell, Afinal, Quem São os Racistas?)

http://mises.org.br

terça-feira, 22 de julho de 2014

O PT e a Petrobrás

Dedinho de Prosa 1
Você lembra, há sete anos atrás, nosso então presidente afirmando que, pela primeira vez na história deste país, o Brasil alcançou a auto-suficiência na produção de petróleo?
Eu lembro.
E qual é a verdade passados 7 anos?
A verdade é que a Petrobrás tem produzido cada vez menos, mesmo encontrando cada vez mais jazidas.
Só em 2012 o Brasil importou R$ 15 bilhões em derivados de petróleo.
Nesses mesmos 7 anos a balança comercial do petróleo e derivados apresentou um déficit superior a R$ 57 bilhões. Para se ter uma idéia, esse número é maior do que os R$ 50 bilhões que o governo pretende investir esse ano em Infra-estrutura.
Em 2012 a produção da Petrobrás caiu 2%.
Começamos 2013 pior ainda: A produção de janeiro caiu 3,3% e fevereiro recuou 2,25%.
A Petrobrás está “crescendo” que nem rabo de cavalo: pra baixo.
Dedinho de Prosa 2
Você lembra que a primeira coisa que o presidente Lula fez (depois de ter tomado um Romanée Conti) foi cancelar as compras das plataformas para a Petrobrás que o antigo presidente tinha feito, pois era um absurdo comprar coisas do estrangeiro enquanto nossa indústria naval está sendo sucateada?
Eu lembro.
E qual a verdade passados 10 anos?
A verdade é terrível e passa pelo que esse governo aprendeu a fazer (não sei como): Maquiagem de balanço.
Esse governo atual levou a Petrobrás ao limite máximo, e perigoso, de endividamento, ou seja quase 3 vezes a sua geração de resultados.
Assim, decidiram não mais endividá-la, contabilmente, e como cada plataforma custa R$ 3 bilhões, cancelaram as compras nacionais, levando o SINAVAL – Sindicado Naval – a denunciar a perda constante de postos de trabalhos.
E como estão fazendo?
Simples! Em vez de comprar, alugam. Assim, a contabilização é em despesa e não em passivo a pagar.
Mas quanto fica esse aluguel? Mais barato que comprar?
Em 2011 a Petrobrás gastou R$ 4 bilhões em locação. Em 2012, R$ 6 bilhões.
Mas pelo menos contrataram-se empresas brasileiras?
Todas as locações de plataformas são de empresas estrangeiras.
Na realidade não sei se isso é maquiagem do balanço ou maquiagem do destino final do dinheiro.
Dedinho de Prosa 3
Você lembra que o PT, para ganhar as eleições, diz o tempo todo que é contrário às privatizações? E que exemplo de gestão pública é o caso da Petrobrás?
Eu lembro.
E qual é a verdade?
A resposta já seria fácil só pela simples leitura do acima. Mas deixem-me prosear mais um causo.
Em 2006 uma empresa belga comprou uma falida refinaria no Texas por US$ 42 milhões. Poucos meses depois essa empresa vendeu essa refinaria por US$ 1,2 bilhão. Adivinhe quem foi o felizardo comprador? Isso mesmo, a nossa Petrobrás.
Passado pouco tempo, acredite, a Petrobrás verificou que tinha feito um mau negócio e resolveu vender tal refinaria. Mandou avaliar. Foi avaliada por menos de US$ 100 milhões. Colocou à venda. O Tribunal de Contas da União resolveu investigar essas estranhas negociações que gerariam um prejuízo de mais de US$ 1 bilhão. A Petrobrás suspendeu imediatamente a venda. Só no balanço do ano passado constam mais de R$ 450 milhões de despesas com essa estupenda refinaria.
Mas isso são negócios no exterior. Como são os negócios da Petrobrás no Brasil? São rentáveis?
Mais ou menos.
O antecessor da Dilma, aquele aposentado por invalidez (lembra, aquele que não tinha um dedo), selou um acordo com outro ex-presidente, grande estadista, o Chávez (infelizmente esse já morreu), para construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, terra natal do vivente. Os dois calcularam, na ponta do lápis, o desembolso da Petrobrás nessa parceria: R$ 5 bilhões.
Qual a realidade atual?
O último relatório da Petrobrás aponta um custo até hoje de R$ 35 bilhões.
Mais duas prosinhas:
Nas vésperas de eleições o nosso nordestino presidente lançou a construção de duas Refinarias Premiuns. Onde? Uma no Maranhão e outra no Ceará. E como estão? Projetos suspensos. Por quê? Agora constatou-se que não há certeza da rentabilidade na operação dessas refinarias.
Vendo tudo isso, me rebelo: Deus foi injusto em levar o Chávez.
Dedinho de Prosa 4
Você se lembra da cena daqueles 4 dedinhos sujos de petróleo? Aquele nosso ex-presidente em cima de uma plataforma sujando a mão no óleo (acho que foi a única vez na vida) para convencer os trabalhadores a retirarem o dinheiro do FGTS e investirem na Petrobrás?
Eu lembro.
E o que aconteceu?
Os trabalhadores perderam 50% do patrimônio que retiraram do FGTS.
Mas como isso aconteceu?
O Mercado Financeiro, que não é controlado ou subornado por ninguém, começou a perceber que empresa é de fato a Petrobrás e sua avaliação não pára de cair.
O Mercado, e os investidores, perceberam que a empresa está sendo manipulada com intuitos puramente políticos, ou como “cabides de empregos” ou para mascarar a inflação, não reajustando seus preços a parâmetros internacionais.
Pior ainda.
A Petrobrás ajuda nosso país vizinho, a Argentina, a aprimorar essa prática de mascarar a inflação.
Como assim?
Simples: na Argentina a gasolina é vendida nos postos a aproximadamente o equivalente a R$ 0,98 o litro (aqui você sabe que pagamos em média R$ 2,80).
Como consegue isso?
A Petrobrás exportou, durante anos, para a Argentina gasolina a R$ 0,65. Detalhe: exporta gasolina limpa, sem misturas com álcool ou outros aditivos.
É por essas, e outras, que a Petrobrás é uma amostra do que acontece na administração total do nosso país, inclusive levando o Brasil a registrar um déficit na balança comercial, no primeiro trimestre de 2013, de US$ 5,1 bi, algo que não acontecia há 12 anos.
Este ano a Petrobrás completará 60 anos. Teve como seu slogan mais forte: O Petróleo é Nosso.
A pergunta atual é: e o dinheiro vai pra quem?
Dedinho de Prosa 5
Peraí – estará dizendo meu infortunado leitor – o título preconiza 4 dedinhos de prosa e você chegou no 5 !!!
Pois é. Eu tenho 5 dedos em cada mão. Eu trabalho honestamente e não estou aposentado. E não poderia deixar de relatar minha visão sobre o futuro da Petrobrás, sua atual direção e o pré-sal.
Atualmente a Petrobrás é presidida por Graça Foster. Nasceu no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, começou a trabalhar com 21 anos como estagiária na Petrobrás, formou-se em engenharia na Universidade Fluminense, foi promovida para engenheira de perfuração e hoje é presidente da Petrobrás. Ah, quase esqueci o mais importante, de 2003 a 2005 acumulou também a função de secretária da Dilma.
Com essa vasta experiência acadêmica, profissional, internacional e de gestão, a Graça fechou o balanço da Petrobrás de 2012 apresentando um Passivo a Pagar de R$ 332,3 bilhões, tendo apenas como Ativo Realizável R$ 118,1 bilhões. Ou seja, a Petrobrás deve 3 vezes o que tem em caixa. Apresentou também em 2012 o menor lucro dos últimos 8 anos, R$ 20,9 bilhões, embora a receita bruta cresça em torno de 20% ao ano.
Diante desse cenário, a Graça resolveu “gerar” dinheiro, pois serão necessários para o pré-sal R$ 237 bilhões até 2016.
Tanto investimento no pré-sal, mas ele dará retorno?
Ninguém sabe.
Veja:
De 1980 a 2004, o barril de petróleo era negociado a US$ 40. De 2004 a 2009 a US$ 70 e hoje na casa dos US$ 90. Mas essa cotação está caindo pois as reservas mundiais de petróleo estão abarrotadas. Os EUA estão com o dobro da capacidade estocada. A tendência é de queda. Cada vez mais se descobrem, e são adotadas, novas alternativas energéticas.
Aí que mora o problema.
O petróleo do pré-sal custa em torno de US$ 50 a 70 para ser extraído.
E se o preço internacional cair abaixo disso? Gastaremos mais para vender por menos? E as outras soluções energéticas que estão chegando?
Mas a Graça tem que dar continuidade ao projeto, tem que gerar dinheiro. Mas como?
Vendendo os ativos da Petrobrás, atitude essa que qualquer empresa em fase pré-falimentar faria.
Ah, vendendo ativos não operacionais e defasados?
Não!
Vendendo tudo que gera energia renovável, como parques eólicos, centrais hidrelétricas e termelétricas.
Mas isso tem lógica? Ela decide tudo isso sozinha?
Não!
Ela recebe ordens do Presidente do Conselho de Administração da Petrobrás: Sr. Guido Mantega.
E o Mantega responde a quem?
Bem, o chefe continua em plena atividade. Nos últimos meses, de jatinho particular, ele está “ajudando” o amigo Eike Batista e seu diretor Pires Neto (afastado no ano passado do Ministério dos Transportes por escândalos ligados aos mensaleiros) a vender sondas petroleiras que a OGX comprou no exterior e que não têm utilidade. E o “coitado” do Eike pediu auxílio ao companheiro pois as ações da OGX já caíram 90% este ano.
Adivinha como vão ajudá-lo? Adivinha para quem eles estão tramando a venda dessas inúteis sondas?
Petrobrás.
O chefe deu mais ordens: Em agosto de 2012 a Dilma lançou o “pacote ferroviário” de R$ 91 bilhões. Teria como principal meta escoar o petróleo do pré-sal. Advinha qual foi o principal beneficiado com as primeiras estradas de ferro?
Eike Batista.
Pior. Além de utilizarem dinheiro público para atender uma empresa privada, fizeram um acordo chamado Modelo Ferroviário.
Sabe como funciona?
Simples:
Por esse Modelo o Eike não precisará colocar nenhum centavo para o transporte. O governo pagará tudo. Funcionará assim: uma empresa constrói as ferrovias; o governo compra toda a capacidade de transporte e repassa para as empresas interessadas em usar os trilhos. Se não houver demanda, ou se for parcial, o governo paga totalmente a conta.
Não é um excelente negócio?
Não para a Petrobrás. Não para o País. E bom para...

Depois de relatar tudo isso, se você ainda estiver lendo, e eu puder dar um conselho antes das próximas eleições, aí vai:
Não compre ações da Petrobrás.
(Marco Antonio Pinto de Faria, 4 Dedinhos de Prosa sobre a Petrobrás – Uma Visão Contábil, Econômica e sobre o Futuro)

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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Mitos e verdades sobre as manifestações no Brasil


Palestra promovida pelo Instituto Recta Ratio sobre as manifestações no Brasil, proferida no dia 16 de setembro de 2013 em Fortaleza por José Carlos Sepúlveda da Fonseca.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A pedagogia do crime

“A primeira e principal lição foi sendo ministrada aos poucos. Era difícil, mas não impossível. Tratava-se de fazer com que a sociedade ingerisse enrolada, como rocambole, a idéia de que a criminalidade deriva das injustiças do modelo social e econômico. Aceita essa tese, era imperioso importar alguns de seus desdobramentos para o campo do Direito. Claro. Seria perverso tratar com rigor ditas vítimas da exclusão social. Aliás, a palavra "exclusão" e seu derivado "excluído", substituindo "pobre" e "pobreza", foram vitais para aceitação da tese e sua absorção pelo Direito Penal.
Espero ter ficado claro aos leitores que a situação exposta acima representa uma versão rasteira da velha luta de classes marxista. Uma luta de classes por outros meios, travada fora da lei, mas, paradoxalmente, sob sua especial proteção. Por isso, a impunidade é a aposta de menor risco desses beligerantes. Por isso, no Brasil, o crime compensa. Por isso, também, só os muito ingênuos acreditarão que um partido que pensa assim pretenda, seriamente, combater a criminalidade. Afine os ouvidos e perceberá o escandaloso silêncio, silêncio aliás de todos os poderes de Estado sobre esse tema que é o Número Um entre nós. Ou não?
Portanto, olhando-se o tecido social, chega-se à conclusão de que o grande excluído é o brasileiro honesto, quer seja pobre ou não. O outro, o que enveredou para as muitas ramificações do mundo do crime, leva vida de facilidades sabendo que tem a parceria implícita dos que hegemonizam a política nacional. Nada disso estaria acontecendo sem tal nexo.
Viveríamos uma realidade superior se o governo construísse presídios, ampliasse os contingentes policiais e equipasse adequadamente os agentes da lei, em vez de gastar a bolsos rotos com Copa disto e daquilo, trem bala, mordomias, comitivas a Roma e por aí vai. Viveríamos uma realidade superior se o Congresso produzisse um Código Penal e um Código de Processo Penal não benevolentes, não orientados para o descumprimento da pena, mas ordenados à sua rigorosa execução. Viveríamos uma realidade superior se os poderes de Estado incluíssem entre os princípios norteadores de suas ações a segurança da sociedade e os direitos humanos das vítimas da bandidagem. Viveríamos uma realidade superior se o Direito "achado nas ruas", que inspira ideologicamente a atuação de tantos magistrados, fizesse essa coleta nas esquinas, mas ouvindo os cidadãos, os trabalhadores, os pais de família, em vez de sintonizar a voz dos becos onde a criminalidade entra em sintonia com a ideologia.
O leitor sabe do que estou tratando aqui. Ele reconhece que, como escrevi recentemente, já ocorreu a Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Perdemos a guerra. O crime já venceu. Estamos na fase de requisição dos despojos que devem ser entregues aos vencedores. Estamos pagando, em vidas, sangue e haveres, a dívida dos conquistados. Saiba, leitor, que a parcela da esquerda que nos governa há mais de duas décadas, mudando de nome e de pêlo, mas afinada, em tons pouco variáveis pelo mesmo diapasão ideológico, está convencida de que se trata disso mesmo. É a luta de classe por outros meios e com outros soldados. Queixemo-nos ao bispo, se o bispo não cantar na mesma toada.
É a pedagogia do crime. Ela já nos ensinou a não reagir. Ela já nos disse que a posse de armas é privilégio do bandido. Ela já advertiu os policiais sobre os riscos a que se expõem ao usar as suas. Ela já nos mostrou que não adianta reclamar: continuaremos sem policiais, sem presídios, sem uma legislação penal que sirva à sociedade e não ao bandido. Isso tudo já nos foi evidenciado. Trata-se, agora, de entender outras ordens do poder fora da lei. Devemos saber, por exemplo, que esse poder se enfurece quando encontra suas vítimas com tostões no bolso. O suposto direito nosso de carregarmos na carteira o dinheiro que bem entendermos confronta como o direito dos bandidos aos nossos haveres. Por isso, cada vez mais, agridem, maltratam e executam, friamente, quem deixa de cumprir seu dever de derrotado. Tornamo-nos súditos, sim, não do Estado brasileiro, mas daqueles que tomaram para si a Nação. Seja um bom discípulo da pedagogia que a esquerda nos proporcionou. Não desatenda as demandas dos bandidos. O leão da Receita é muito mais manso.”
(Percival Puggina, Pedagogia do Crime)

http://www.puggina.org

segunda-feira, 18 de março de 2013

Fortuna de Hugo Chávez avaliada em mais de 1,5 mil milhões de euros

“A fortuna de Hugo Chávez foi avaliada em cerca de 2 mil milhões de dólares (cerca de 1,533 mil milhões de euros), num rol de dinheiro e bens onde estão incluídas desde grandes propriedades a jóias e carros de luxo.
A avaliação foi feita pela Organização Não Governamental Criminal Justice International Associates - uma entidade especializada em consultoria com sede no estado da Virginia, nos EUA - e a herança do falecido presidente da Venezuela pode ascender a valores superiores a esta estimativa já atingida há três anos.
O tema foi recuperado agora que Chávez faleceu, numa entrevista que o diretor da ONG, Jerry Brewer, deu no Peru.
O jornal colombiano «La Republica» faz um inventário dos bens do clã Chávez, que começaram a ser denunciados em 2008 pelo ex-deputado da Assembléia Nacional Wilmer Azuaje.
À família presidencial é atribuída, por exemplo, a posse de 17 propriedades com valores unitários entre os 400 mil e os 700 mil dólares (entre cerca de 306 mil e 536 mil euros), uma fota de 10 jipes Hummer - de fabrico norte-americano - custando cada um 70 mil dólares (cerca de 53 mil euros) e ainda 200 milhões de dólares em contas no estrangeiro.
A mãe de Hugo Chávez é um dos exemplos especiais desta vida de luxo ao apontar-se-lhe que deixou de ser a dona de casa modelo da Venezuela para passar a usar cinco anéis de ouro com diamantes e artigos de vestuário das marcas mais conhecidas mundialmente.”

http://www.tvi24.iol.pt/internacional/hugo-chavez-venezuela-fortuna-heranca-jerry-brewer-tvi24/1428392-4073.html

terça-feira, 12 de março de 2013

O fim da miséria?

"O governo divulgou no início de fevereiro vitórias importantes contra a miséria e prometeu que a partir do mês que vem não existirá mais pobreza extrema no Brasil. Isso quer dizer que não haverá ninguém, já agora em março, com renda inferior a 70 reais por mês em todo o território nacional. Segundo os critérios oficiais em vigor, geralmente avalizados por organismos internacionais, essa quantia é a marca que define quem é quem na escala social brasileira. O cidadão que tem uma renda mensal de 70 reais, ou menos, é um miserável oficial; quem consegue passar esse limite já não é mais. “Tiramos, entre 2011 e 2012, mais de 19,5 milhões de pessoas da pobreza extrema”, afirmou a presidente Dilma Rousseff. “Até o mês de março vamos zerar o cadastro”. Segundo o governo, há no momento 600.000 famílias nesse registro; não haverá mais ninguém dentro de um mês, salvo um número incerto de cidadãos que estão na miséria, mas não no cadastro. Esses ainda terão de ser encontrados para receber do Tesouro Nacional, a cada mês, os reais que vão salvá-los.
Pode haver erros nessas contas, é claro, mas não se trata de números argentinos: basicamente, retratam a realidade aproximada da fossa social brasileira. A dimensão numérica, portanto, está certa. O problema é que ela também está errada ─ pois leva o governo a concluir que a miséria está acabando no Brasil, quando é mais do que óbvio que ela continua existindo, e existindo à toda. A primeira dificuldade com a postura oficial está na pessoa verbal utilizada pela presidente. “Tiramos” da miséria, disse ela ─ uma apropriação indébita da realidade, pois quem tirou aqueles milhões de brasileiros da linha inferior aos 70 reais não foi ela nem seu governo, e sim o contribuinte brasileiro. Foi ele, e só ele, quem sacou o dinheiro de seu bolso, através dos impostos que paga até para comprar um palito de fósforo, e o entregou às coletorias fiscais; se não fosse assim, não haveria um único tostão a distribuir para pobre nenhum.
Trata-se de um vício incurável nos circuitos neurológicos dos governantes brasileiros. Acreditam na existência de uma coisa que não existe: “dinheiro do governo”. É como acreditar em disco voador. A diferença é que tiram proveito de sua crença; é o que lhes permite dizer “eu fiz” tantas escolas, tantos quilômetros de estrada e por aí afora, como se o dinheiro gasto em tudo isso tivesse saído de sua própria conta no banco.
O problema essencial, porém, está na lógica. Como nos ensina Mark Twain, que elevou o bom senso à categoria de arte em quase tudo o que escreveu, existem três tipos de mentira: a mentira, a desgraçada da mentira e as estatísticas. Esse anúncio do fim da pobreza extrema é um clássico do gênero. A estatística precisa, obrigatoriamente, de um número fixo para definir qualquer coisa que pretende medir, assim como um metro precisa ter 100 centímetros. No caso, o número escolhido, e aceito por organizações imparciais mundo afora, foi 70 reais ─ mas não faz absolutamente nenhum nexo afirmar que uma pessoa que ganhe 71 reais por mês, ou 100, ou 150, tenha saído da miséria. O resumo dessa ópera é claro. Daqui a alguns dias, não haverá mais miseráveis nas estatísticas do Brasil; só haverá miseráveis na vida real. Além disso, seremos provavelmente o único país do mundo em que a miséria teve uma data certa para desaparecer. O governo poderá dizer: “O Brasil acabou com a miséria no dia 15 de março de 2013, às 18 horas, ao fim do expediente na administração federal”.
Praticamente nenhum cidadão brasileiro, ao sair todo dia de casa, leva mais do que 15 minutos para dar de cara com alguma prova física de miséria. Mas, do mês de março em diante, terá de achar que não viu nada. Se procurar alguma autoridade para relatar o fato, ouvirá o seguinte: “O senhor deve estar enganado. Não há mais nenhum miserável no Brasil”. É assim, no fim das contas, que funciona o sistema cerebral do governo. A realidade não é o que se vê. É o que está no cadastro.”
(J. R. Guzzo, O Fim da Miséria?)

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/feira-livre/o-fim-da-miseria-por-j-r-guzzo/

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

As origens satânicas da cultura moderna

Um símbolo de VENENO deveria ser colocado sobre as portas de nossas universidades, cinemas e galerias de arte. Deveria haver um aviso semelhante em nossa TV, música e vídeos.
Na década de 1920, líderes da Internacional Comunista decidiram que a sociedade ocidental era forte demais para ser conquistada. Era necessário enfraquecê-la com a subversão de suas instituições culturais – família, educação, religião, arte, meios de comunicação de massa e governo.
Eles tiveram um enorme sucesso. Mantendo essas instituições em seu formato familiar, eles mudaram sutilmente seu conteúdo. É como ornar um frasco de aspirina com arsênico. O objetivo é envenenar gradualmente, paralisar e eventualmente destruir.
Estamos percebendo que nossos líderes políticos e culturais são em geral uns covardes, patetas, traidores, trapaceiros, oportunistas e impostores premiados pela quantidade de dano que podem causar.
Nosso fracasso em combater o Comunismo se deve a um equívoco em relação a sua verdadeira natureza. O Comunismo é a criação de um culto satânico (Cabalistas) promovido pelos banqueiros judeus internacionais Illuminati. Foi planejado para colocar toda a riqueza do mundo em suas mãos e depois reduzir e escravizar a raça humana. A Estrela Vermelha de cinco pontas do Comunismo é também o símbolo do culto ao demônio. Vírus demoníaco, o Comunismo metamorfoseou-se em inúmeras formas (tais como o feminismo e os “direitos dos gays”), ludibriando cada vez mais pessoas.
A Civilização Ocidental foi erguida sobre o Cristianismo, a premissa de que Deus é real, a Realidade Definitiva, que é espiritual. Através da alma humana que Deus criou, o indivíduo comum pode discernir a Vontade Divina sem mediação de uma autoridade mundana. Essa é a razão por que os banqueiros odeiam o Cristianismo.
Deus é a Verdade, o Amor, a Beleza e a Bondade a que nós aspiramos. Essa ordem moral impede que um grupelho monopolize a riqueza do mundo. Assim, os banqueiros decidiram destruir nossa crença em uma Ordem Divina, por meio da promoção do Darwinismo, do Existencialismo etc. Eles criam a guerra, a depressão e o terror para que exijamos seu “antídoto”: a Nova Ordem Mundial.
Em seu brilhante ensaio “A Escola de Frankfurt e o Politicamente Correto”, Michael Minnichino descreve como a maioria dos movimentos intelectuais e artísticos mais apreciados do século XX, ainda em voga nos dias de hoje, foram na verdade inspirados por pensadores que eram agentes do Comintern (Internacional Comunista) financiados pelos banqueiros centrais. Alguns deles na verdade trabalharam para a Inteligência Soviética (NKVD) até os anos 60.
Ele escreve: “A tarefa [da Escola de Frankfurt] era primeiramente minar o legado judaico-cristão por meio de uma “abolição de cultura”... e depois, determinar novas formas culturais que aumentariam a alienação da população, criando assim uma “nova barbárie”... O propósito da arte, da literatura e da música moderna deve ser destruir o potencial inspirador da arte, da literatura e da música...
Os recursos vieram de “várias universidades alemãs e americanas, a Fundação Rockefeller, o Comitê Judaico Americano, muitos serviços de inteligência americanos...”
Esse movimento subversivo “representa quase a totalidade da base teórica de todas as modas estéticas do politicamente correto que agora empestam nossas universidades.” Eles estão associados ao Pós-Modernismo, ao Feminismo, aos Estudos Culturais, ao Desconstrucionismo, à Semiótica etc.
Seu resultado final é divorciar-nos da verdade, da coesão social e de nossa herança cultural. Eles afirmam que a realidade é incognoscível e que os escritores e artistas estão apenas representando a si mesmos. Por exemplo, o pós-modernista Hayden White escreve que “as narrativas históricas são ficções verbais, cujos conteúdos são mais inventados que achados... verdade e realidade são essencialmente armas autoritárias dos nossos tempos.” Em outras palavras, não podemos saber o que aconteceu no passado (que é exatamente o que eles querem).
O Pós-Modernismo faz parte da agenda autoritária. Da mesma forma, a Escola de Frankfurt defendia a idéia de que o “autoritarismo” é causado por religião, liderança masculina, casamento e família, quando essas coisas na verdade preservam a sociedade.
Como resultado, as universidades são território inimigo e os professores geralmente são obstáculos ao magistério genuíno.
A Antiga Conspiração
O Comunismo é o produto de uma antiga conspiração contra Deus e o homem. Os judeus fariseus rejeitaram a Cristo porque ele ensinou que Deus é Amor e todos os homens são iguais perante Deus.
“O advento do Cristo foi uma catástrofe nacional para o povo judeu, principalmente para os líderes”, escreve Leon de Poncins. “Até então só eles tinham sido os Filhos da Aliança; eles tinham sido seus únicos sumos-sacerdotes e beneficiários...”
Ele continua: “O antagonismo irredutível com o qual o Judaísmo tem-se oposto ao Cristianismo por 2000 anos é a chave e a fonte da moderna subversão... [O judeu] defende a razão contra o mítico mundo do espírito... ele foi o doutor da descrença; todos os que mentalmente estavam em revolta vieram até ele seja em segredo, seja à plena luz do dia...” (Judaísmo e o Vaticano, pp. 111-113.)
Suspeito que o Messianismo judaico possa ser um instrumento dos banqueiros internacionais, uma forma de consolidarem seu poder. Esses banqueiros e seus aliados estão criando uma Nova Ordem Mundial que pouco se importa com princípios democráticos. Eles serão os deuses.
É famosa a citação de Nathan Rothschild (1777-1836): “Eu não me importo com que marionete ocupa o trono da Inglaterra para governar o Império. O homem que controla o suprimento de dinheiro da Grã-Bretanha controla o Império Britânico e eu controlo o suprimento de dinheiro britânico.”
Além do Messianismo judaico, a Franco-Maçonaria tem sido o instrumento dos banqueiros. Ela foi essencial na destruição das monarquias cristãs na Alemanha, Áustria e Rússia e no declínio da Igreja Católica. Isso também foi revelado na chamada “Sinfonia Vermelha” [N. do T: A transcrição de 50 páginas do interrogatório de Christian G. Rakovsky pela NKVD].
Na Encíclica Humanum Genus (1884) o Papa Leão XIII escreveu que o objetivo final da Franco-Maçonaria é “desenraizar completamente toda a ordem religiosa e moral do mundo, que veio à existência com o Cristianismo... Isso significará que a fundação e as leis da nova estrutura da sociedade serão baseadas no puro naturalismo.”
O Papa Leão XIII também disse: “A Franco-Maçonaria é a permanente personificação da Revolução; ela constitui uma espécie de sociedade ao inverso cujo objetivo é exercer um domínio oculto sobre a sociedade como a conhecemos, e cuja única razão de ser consiste em fazer guerra a Deus e Sua Igreja.” (De Poncins, Franco-Maçonaria e o Vaticano, p. 45)
Em Franco-Maçonaria e o Vaticano, Leon de Poncins usa fontes judaicas para afirmar que a Franco-Maçonaria está intimamente relacionada ao Judaísmo. Por exemplo, o Rabino Elle Benamozegh escreveu: “A teologia maçônica corresponde muito bem à da Cabala...” (Israel et L’Humanité, p. 73)
De Poncins cita um artigo que apareceu em 1861 em uma revista judaica parisiense, La Verité Israelite: “Mas o espírito da Franco-Maçonaria é o do Judaísmo em suas crenças mais fundamentais; suas idéias são judaicas, sua linguagem é judaica, sua própria organização é quase judaica...”
De Poncins escreve que a meta tanto da Franco-Maçonaria quanto do Judaísmo é a unificação do mundo sob a lei judaica. (Franco-Maçonaria e o Vaticano, p. 76)
Conclusão
Da mesma forma que precisamos de comida saudável e exercício, nossa mente e alma precisa de verdade e beleza. Precisamos ver a vida retratada honestamente, com as forças verdadeiras identificadas. Ao invés, somos deliberadamente enganados e degradados por uma pequena elite financeira com um plano diabólico. Garanhões brancos, nossas almas são alimentadas com uma dieta de serragem.
Seja na escola ou pelos meios de comunicação de massa, somos bombardeados com propaganda programada para produzir alienação e disfunção. Devemos nos proteger desse veneno antes que seja tarde demais.
A boa notícia é que a cultura moderna, baseada na premissa de que não há nenhum propósito inerente ou design positivo na vida humana, foi desmascarada como uma psy-op (operação psicológica) Illuminati de longa duração planejada para nos desmoralizar. Mas ela vai fracassar.”
(Henry Makow, The Satanic Origin of Modern Cult-ure)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A injustiça do sistema de cotas

“Tem sido dito que a política de cotas, raciais ou sociais, resgata uma dívida histórica. Dívida de quem? Dos brancos para com os negros e os índios, afirmará alguém com furor justiceiro. Pergunto: dos brancos assim, tipo todo mundo? Milhões de brasileiros descendem de europeus emigrantes de seus países de origem por injustiças que contra eles se praticavam. Nada tinham com a encrenca da escravidão aqui. Também são devedores? Muitos brancos portugueses foram enviados a contragosto para o desterro no Brasil, onde arribaram tão "pelados" quanto os índios. Seus descendentes também têm dívida a pagar? Segundo essa linha de raciocínio, sou conduzido a crer que eu teria uma dívida histórica a cobrar da Itália e que os descendentes dos desterrados portugueses teriam outra na velha terrinha, ora pois. Absurdo.
Tudo que é dado tem um preço. Vejamos como se aplica essa constatação a uma política de cotas. Quando uma universidade pública as estabelece, ela está dando a determinado grupo social a possibilidade de acessar seus cursos mediante notas inferiores às dos candidatos que não pertencem a tal grupo. Trata-se de uma regalia custeada por concorrentes que não integram o grupo privilegiado. A fatura da vantagem concedida vai para aqueles que poderiam ter ingressado e não ingressaram. Isso é inquestionável.
Quem concorda com a lei de cotas, embora motivado por nobres intenções, olha para um prato da balança da justiça e fecha os olhos para o outro. Vê o beneficiado e desconsidera o prejudicado. Por quê? Não sei. Jamais topei com um vestibulando do grupo fraudado que considere justa a adoção das cotas. O apoio a tais políticas, concedido por quem nada tem a perder com elas, é generosa barretada com o chapéu alheio. É dar presente com o cartão de crédito dos outros. Não é justo. Nem honesto.
A tal dívida histórica não encontra devedores vivos de quem possa ser cobrada. É tolice e é anti-histórico. O que o Brasil tem é uma necessidade de resolver seus desajustes sociais. Admitir que essa tarefa existe implica assumi-la como dever moral da nação. Vale dizer, de todos os brasileiros, como membros de uma sociedade que estampa infames desníveis. A miséria, a ignorância, a falta de oportunidades não têm cor de pele. O absurdo da lei de cotas é jogar no colo do estudante branco da escola particular o ônus dessas correções. A responsabilidade maior e a maior potencialidade material para combater tais desníveis é da política, do Estado brasileiro, mediante instrumentos não expropriatórios. Aliás, no que concerne à educação, a política de cotas equivale a pretender resolver o problema de fundações de um prédio nivelando seu telhado. Para cada formando pela política de cotas, todo ano, em virtude das muitas deficiências dos ensinos Fundamental e Médio, a base do sistema afasta do tecido social centenas de crianças cuja educação está sob responsabilidade de quem? De quem pretende enxugar gelo, em nome da justiça, com a lei de cotas.
Enchem páginas de jornal as matérias sobre o péssimo nível de ensino no país, o abandono dos cursos voltados para a educação e o quanto isso obsta nosso desenvolvimento. A melhoria do ensino básico tem custo. E é mais barato posar de justiceiro com os direitos alheios do que fechar as torneiras pelas quais se esvaem recursos que deveriam servir para acabar com a injustiça ali onde ela crava perversas raízes sobre o destino de milhões de crianças.”
(Percival Puggina, Dívida Histórica)

www.puggina.org

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A reengenharia social anticristã dos Kirchner

“Na Argentina, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007;+2010) impulsionou a reengenharia social anticristã. Nos últimos anos, com a presidente Cristina F. de Kirchner (2007-2011; 2011-2015) estão se aprofundando essas políticas de destruição de toda legislação que reflita, ainda que de modo imperfeito, a ordem natural.
O anteprojeto do novo Código Civil
Em 27 de março, duas semanas depois de se conhecer a decisão da Suprema Corte da Nação que firmou jurisprudência a favor do aborto, a presidente Cristina Kirchner recebeu das mãos do presidente do mesmo tribunal, Ricardo Lorenzetti, o texto que pretende ser o novo Código Civil da Nação. A comissão redatora do anteprojeto foi integrada pelo mesmo Lorenzetti, pela vice-presidente da Corte, Elena Highton de Nolasco e pela jurista Aída Kemelmajer de Carlucci.
Alguns de seus conteúdos que atentam mais gravemente contra a ordem natural:
- Em relação à vida humana, o anteprojeto diz que “a existência da pessoa humana começa com a concepção no corpo da mulher ou a implantação nela do embrião formado mediante técnicas de reprodução humana assistida”, institucionalizando assim uma discriminação injusta entre os embriões fruto de uma relação natural e os obtidos por técnicas de fecundação extracorpórea, o que dá azo a qualquer experimentação e outros atentados contra os “embriões de laboratório”. Ao mesmo tempo, parece situar o começo da pessoa na implantação do embrião, abrindo caminho ao aborto por meios químicos e mecânicos, que atuam antes da implantação do embrião no útero.
- Por sua vez, legaliza a fecundação artificial, inclusive a doação de gametas (óvulos e/ou espermatozóides). Legaliza o aluguel de ventres ou maternidade sub-rogada e a inseminação “post mortem”. Introduz o que chama de “vontade procriacional” como elemento determinante para obter um filho por qualquer método de fecundação “assistida”. A “vontade procriacional” é alheia à realidade genética, o que contradiz o direito da criança à identidade. A criança se converte em uma “coisa” obtenível por qualquer técnica de laboratório, inclusive as mais aberrantes.
- Confirma o suposto “matrimônio” entre pessoas do mesmo sexo, permitido pela lei chamada de “matrimônio igualitário”, de julho de 2010. Legaliza a adoção por parte de homossexuais, a “homoparentalidade”, ou seja, a possibilidade, sem restrições, de que as crianças tenham duas mães ou dois pais.
- Legaliza o chamado divórcio “express”, a pedido de um dos dois cônjuges, desaparecendo a atribuição de culpa na dissolução do vínculo matrimonial. A fidelidade deixa de ser um dever conjugal. O adultério não existe mais como causa de divórcio. Cessa o dever de coabitação, mantendo-se somente a “assistência e alimentos”. O conceito de pátrio poder se dilui até quase desaparecer.
Outros projetos e leis iníquas
Em 21 de julho de 2010, Cristina Kirchner, em um ato público, promulgou a lei chamada de “matrimônio igualitário” (Lei nº 26.618), ou seja, de pseudo-matrimônio entre pessoas do mesmo sexo. Nessa ocasião, a presidente declarou: “não promulgamos uma lei, promulgamos uma construção social”.
Em 30 de novembro de 2011, a Câmara de Deputados aprovou o projeto de lei de “identidade de gênero”, por 167 votos a favor, 17 contra e 7 abstenções, o que significa que não apenas o partido governante está infiltrado pelo desprezo à ordem natural.
O projeto sanciona que os cidadãos têm o “direito” de mudar legalmente o “sexo que se lhes atribuiu ao nascer”, adequando à “mudança de sexo” a certidão de nascimento e os documentos de identidade por outros que refletem a “identidade de gênero autopercebida”, sem necessidade de submeter-se a cirurgias ou terapias hormonais. No caso de optar por adequações terapêuticas “para adequar seu corpo, inclusive sua genitalidade, a sua identidade de gênero autopercebida”, estas serão incluídas no Plano Médico Obrigatório e os provedores do sistema de saúde – públicos ou privados – deverão garantir as práticas. O projeto seguiu para ser apreciado pelo Senado da Nação.
Entre muitos outros exemplos, pode-se mencionar também o Programa Naconal de Educação Sexual Integral e suas Diretrizes Curriculares para a Educação Sexual Integral.
Por suas políticas e por suas declarações pode-se concluir que a presidente Kirchner está evidentemente construindo uma nova sociedade, submetendo a Argentina a uma profunda reengenharia social anticristã.”
(Juan C. Sanahuja, Argentina: la Reingeniería de los Kirchner)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vladimir Bukowsky: O socialismo é uma utopia das elites destinada ao fracasso



“-Vladimir, estamos no ano de 2010, e em 2010 os europeus estão presentemente vivendo sob o jugo do que você descreveu como a nova URSS, ou seja, a URSE. A União Européia, com sua forma aparentemente democrática, inclusive com pão e circo fornecidos pelos meios de comunicação de massa, mas de qualquer maneira gerida por um tipo soviético de administração centralizada.
Você que viveu em nosso futuro, na sua opinião como é possível que as elites não entendam que seu modelo político é inevitavelmente destinado ao fracasso como aconteceu na URSS?
-Veja, basicamente eles todos acreditam no socialismo de uma maneira ou de outra, em uma forma de socialismo ou outra. E eles jamais perderam essa crença. Ele é mais ameno do que a ideologia comunista em termos de violência. O comunismo acredita em mudanças rápidas, radicais e revolucionárias, ao passo que a maior parte do socialismo europeu acredita em mudanças evolutivas, reformas e coisas do tipo. Mas seu objetivo final é o mesmo: eles querem criar igualdade, igualdade social, eles querem criar coisas que não existem na natureza e que jamais existirão. E eles jamais entenderam que essa é uma idéia falsa. Eles sempre criticam os soviéticos por seus métodos, mas não por seu objetivo final. E eles jamais são duros com os soviéticos porque, “veja bem, eles estão mais ou menos fazendo o que nós queremos fazer, mas estão fazendo do modo errado”; portanto, para eles era uma espécie de proporção, de proporção ideológica. Dessa forma, não surpreende que eles estejam tentando fazer agora o mesmo que a União Soviética tentou do seu próprio jeito, apenas numa versão um pouco mais suave, com métodos mais civilizados, eu diria. No entanto, é a mesma idéia, e o resultado será também o mesmo. Porque o que os visionários do tipo socialista jamais chegaram a entender é que a idéia do socialismo é contrária à natureza humana. Nós não queremos igualdade. Nós queremos igualdade quando somos muito pobres. A partir do momento que nos tornamos ricos, deixamos de querer igualdade. Essa foi a maior desilusão na Rússia para os comunistas que realmente acreditavam no comunismo, pois tão logo qualquer trabalhador ou proletário tornava-se mais próspero, ele não queria mais saber de igualdade, ele queria sua propriedade. O experimento soviético é bastante revelador. Infelizmente, o Ocidente, cego em sua ignorância e desejo de ver implementada a utopia, jamais estudou o experimento soviético. Eles deveriam estudá-lo ponto a ponto, porque foi tentado de tudo. Eles tentaram. Particularmente no começo, nas décadas de 20 e 30, eles ainda acreditavam nisso, depois eles mesmos passaram a não acreditar mais e trataram apenas de sobreviver. Manter-se no poder, só isso. Eles perderam suas crenças. Mas nas décadas de 20 e 30 eles acreditavam. E eles tentaram tudo de todas as maneiras e eu posso reconhecer hoje muitas coisas que estão acontecendo na Europa que já foram testadas e abandonadas na União Soviética. Porque não funcionam. Veja, por exemplo, o sistema educacional. Eles inventaram o chamado sistema de “educação progressiva”; não há provas, não há “stress”, não há trauma para as crianças, esse tipo de coisas. O resultado é que, pela primeira vez em cem anos, as crianças inglesas estão terminando a escola tecnicamente analfabetas. Porque elas não aprendem coisa alguma. Os soviéticos estavam testando isso nos anos 20. Eles experimentaram toda possibilidade do mesmo tipo de educação: educação coletiva, o método das brigadas, tudo. Mas depois eles tiveram que abandonar isso porque eles precisavam de cientistas, eles precisavam de especialistas e de bons técnicos, então eles tiveram de desistir desses experimentos e retornar a um sistema de educação mais tradicional. Hoje eu observo com horror como o Ocidente está repetindo esse experimento fracassado que nós sabemos irá fracassar, nós sabemos que nada na terra o fará funcionar e apesar disso eles continuam tentando, e eles têm gerações após gerações de estudantes que terminam a escola analfabetos. Que não aprenderam nada. E esse é só um exemplo. Se você atentar para o panorama geral, o que está acontecendo, eles todos estão fazendo isso. No fundo, essas pessoas jamais acreditaram na democracia. Elas acreditam que a democracia é um bom veículo para alcançar o que elas querem alcançar: a igualdade. A igualdade que as permitiria ser juízes dessa igualdade. Sim, porque isso é o que as pessoas ficam esquecendo. Não é totalmente altruísta, toda essa idéia de igualdade. Porque alguém deverá ser o juiz, alguém deverá estar em desigualdade, e essas pessoas deverão ser mais iguais do que as outras. Isso foi o que Orwell percebeu. Mas a maioria desses socialistas e visionários ocidentais jamais entendeu isso. Seus egos e interesses egoístas estão muito bem disfarçados por trás da ideologia, eles estão “fazendo o bem para a humanidade”, quando estão fazendo o bem para si mesmos. Só que isso está muito bem escondido. Alguns deles não entendem. Seja como for, a concepção inteira não funciona. Toda essa concepção, criada na Revolução Francesa há 200 anos, é simplesmente lixo. Ela não pode funcionar. “Egalité, fraternité, liberté”. Ok, você pode ter liberdade mas não pode ter igualdade, ou é uma ou a outra. Isso não funciona. Como Joseph Brodski disse certa vez com notável precisão, a igualdade exclui a irmandade. Ou vocês são iguais ou são irmãos, não se pode ser ambos. Essa é uma idéia falsa que por várias gerações e durante séculos foi entretida pelas pessoas educadas da Europa e do mundo inteiro, começando em Atenas, na Grécia e assim por diante, que se cristalizou na França há 200 anos, onde foi pela primeira vez posta em prática. Antes eles apenas a discutiam, entre eles mesmos, alguns filósofos e pensadores. Mas na França, há 200 anos, eles tentaram implementá-la na vida real. E isso terminou na guilhotina. Naturalmente. Porque se você tenta fazer todas as pessoas iguais, algumas terão que ter as cabeças cortadas, enquanto outras serão esticadas, porque elas não são iguais, elas são todas diferentes. Você tem que encontrar um padrão, um paradigma, pelo qual você os medirá a todos. Isso é o que vai acontecer sempre e em qualquer lugar que você tentar. Mesmo com as melhores intenções, o final será sempre a violência, o Gulag, as cabeças cortadas, sem que se alcance qualquer igualdade. O mais interessante é que, mesmo com toda essa violência e zelo revolucionário e mudanças radicais na Rússia feitas pelos comunistas, no final eles terminaram na mais desigual das sociedades, onde a nomenklatura tem enormes privilégios, seus próprios aviões, seus próprios iates, seus próprios palácios e a maioria não tem nada, nem sequer pão. E isso depois de 73 anos tentando fazer todo mundo igual. Há milionários subterrâneos, por outro lado, não pertencentes à nomenklatura, que seriam executados se fossem apanhados. E apesar disso, segundo estimativas dos economistas em 1999, nós tínhamos vários milhões de milionários subterrâneos. Milionários secretos. Logo, não adianta. Você não pode forçar as pessoas a serem iguais, porque elas não são iguais. Certo? Assim, respondendo à sua pergunta, qual é o conceito básico ou filosofia dos que criaram a União Européia. Eles são visionários, uma espécie branda de visionários, não tão radicais como os comunistas, mas mesmo assim visionários. Eles acreditam que os sentimentos nacionalistas podem ser completamente destruídos, que o estado nacional pode ser eliminado como os comunistas acreditavam, eles acreditavam que o estado nacional deveria desaparecer. O resultado ao final do experimento foi um incêndio de nacionalismos em todas as partes da Rússia. Aconteceu exatamente o contrário. E os armênios e os azeris ficavam se matando uns aos outros e nos estados bálticos os russos e os lituanos estavam se matando e assim por diante. É um experimento fracassado. Você sabe que está fadado ao fracasso. Por quê? Porque é contra a natureza humana.”
(Vladimir Bukowsky, em trecho de vídeo-entrevista de 18.2.2010)

http://www.livingscoop.com/watch.php?v=Mjcw

segunda-feira, 25 de julho de 2011

União Européia, a nova URSS

“Em 1992 eu tive acesso inaudito a documentos secretos do Politburo e do Comitê Central que haviam sido classificados como confidenciais, e ainda continuam sendo, durante trinta anos. Esses documentos mostram muito claramente que toda a idéia de transformar o mercado comum europeu em um estado federativo foi objeto de acordo entre os partidos de esquerda da Europa e de Moscou como um projeto conjunto que [o líder soviético Mikhail] Gorbachev chamou em 1988-89 de “nosso lar comum europeu”.
A idéia era bem simples. Ela apareceu primeiro em 1985-86, quando os comunistas italianos visitaram Gorbachev, seguidos pelos social-democratas alemães. Todos eles reclamavam que as mudanças do mundo, particularmente depois que [a primeira-ministra Margaret] Thatcher introduziu a privatização e a liberalização econômica, estavam ameaçando aniquilar as conquistas (como eles as chamavam) de gerações de socialistas e social-democratas – ameaçando revertê-las completamente. Dessa forma, o único modo de deter a investida do capitalismo selvagem (como eles o chamavam) era tentar introduzir as mesmas metas socialistas em todos os países ao mesmo tempo. Antes disso, os partidos de esquerda e a União Soviética tinham resistido bastante à integração européia porque eles a entendiam como uma maneira de bloquear seus objetivos socialistas. De 1985 em diante eles mudaram completamente de idéia. Os soviéticos chegaram a uma conclusão e um acordo com os partidos de esquerda de que se eles trabalhassem juntos poderiam seqüestrar o projeto europeu inteiro e virá-lo de ponta-cabeça. Ao invés de um mercado aberto eles o tornariam um estado federativo.
De acordo com os documentos secretos soviéticos, 1985-86 foi o momento da mudança. Eu publiquei a maior parte desses documentos. Você os pode até encontrar na internet. Mas as conversas que eles tiveram são realmente reveladoras. Pela primeira vez você entende que existe uma conspiração – que eles compreendiam muito bem, pois estavam tentando salvar-se politicamente. A Leste, os soviéticos precisavam mudar suas relações com a Europa porque estavam entrando em uma crise estrutural prolongada e deveras profunda; a Oeste, os partidos de esquerda estavam com medo de ser aniquilados e perder sua influência e prestígio. Foi realmente uma conspiração, abertamente planejada, aprovada e posta em prática por eles.
Em janeiro de 1989, por exemplo, uma delegação da Comissão Trilateral veio ver Gorbachev. Ela incluía [o ex-primeiro ministro japonês] Nakasone, [o ex-presidente francês Valéry] Giscard d'Estaing, [o banqueiro americano David] Rockefeller e [o ex-secretário de estado Henry] Kissinger. Eles tiveram uma conversa bastante agradável onde tentaram explicar a Gorbachev que a Rússia Soviética tinha de se integrar às instituições financeiras do mundo, tais como o Gatt, o FMI e o Banco Mundial.
No meio do encontro, Giscard d’Estaing subitamente toma a palavra e diz: “Sr. presidente, eu não posso lhe dizer exatamente o que vai ocorrer – provavelmente dentro de 15 anos – mas a Europa vai se tornar um estado federativo e o senhor deve se preparar. Deve resolver conosco e com os líderes europeus como vai reagir, como irá permitir que outros países do leste europeu interajam com esse estado ou dele façam parte. O senhor deve estar preparado.”
Isso aconteceu em janeiro de 1989, quando o tratado de Maastricht [1992] não tinha ainda sequer sido esboçado. Como é que Giscard d'Estaing sabia o que iria acontecer dentro de 15 anos? E surpresa, surpresa, como ele se tornou o autor da constituição européia [em 2002-03]? Uma boa pergunta. Isso cheira a conspiração, não é mesmo?
Para sorte nossa, a parte soviética dessa conspiração entrou em colapso mais cedo e não atingiu o ponto em que Moscou poderia influenciar o curso dos acontecimentos. Mas a idéia original era chegar ao que eles chamavam de convergência, onde a União Soviética iria de certa forma amadurecer e se tornar mais social-democrata, enquanto a Europa Ocidental se tornaria social-democrata e socialista. Então haveria a convergência. As estruturas se encaixariam uma na outra. Essa é a razão por que a estrutura da União Européia foi inicialmente construída com o propósito de encaixar-se à estrutura soviética. E isso também explica por que elas são tão parecidas no funcionamento e na organização.
Não é mera coincidência que o Parlamento Europeu, por exemplo, faz lembrar o Soviete Supremo. Ele se parece porque foi projetado como o Soviete Supremo. Da mesma forma, quando se olha para a Comissão Européia ela se parece com o Politburo. Quero dizer que ela se parece exatamente, exceto pelo fato de que a Comissão agora tem 25 membros e o Politburo tinha geralmente 13 ou 15 membros. Fora isso, eles são exatamente o mesmo, sem prestar contas a ninguém e não sendo eleitos por ninguém. Quando se olha para toda essa bizarra atividade da União Européia com suas 80.000 páginas de regulamentos, ela se parece com a Gosplan. Nós tínhamos uma organização que planejava tudo na economia, até os menores detalhes, com cinco anos de antecedência. Exatamente a mesma coisa está acontecendo na União Européia. Quando se olha para o tipo de corrupção na União Européia, é exatamente o tipo soviético de corrupção, indo de cima para baixo e não de baixo para cima.
Se você perscrutar todas as estruturas e características desse monstro europeu emergente, vai perceber que ele se parece cada vez mais com a União Soviética. Claro, é uma versão mais branda da União Soviética. Por favor, entendam-me bem. Não estou dizendo que ela tem um Gulag. Ela não tem uma KGB – não ainda – mas estou observando atentamente estruturas tais como a Europol, por exemplo. Isso realmente me preocupa porque essa organização provavelmente terá poderes maiores do que a KGB. Eles terão imunidade diplomática. Você consegue imaginar uma KGB com imunidade diplomática? Eles nos terão que policiar em 32 tipos de crimes – dois dos quais são particularmente preocupantes, um se chama racismo, o outro, xenofobia. Nenhum tribunal penal do mundo define algo assim como crime [à exceção da Bélgica]. Assim, trata-se de uma nova espécie de crime, e já fomos avisados. Um funcionário do governo britânico nos disse que aqueles que forem contra a imigração descontrolada do Terceiro Mundo serão considerados racistas e os que se opuserem a uma maior integração européia serão tidos por xenófobos. Acho que Patricia Hewitt disse isso publicamente.
Já fomos, portanto, avisados. Nesse ínterim, eles estão introduzindo mais e mais ideologia. A União Soviética era um estado controlado por uma ideologia. A ideologia hodierna da União Européia é social-democrática, estatista, e grande parte dela é também do politicamente correto. Eu observo com muita atenção como o politicamente correto se dissemina e se torna uma ideologia opressora, sem falar no fato de que agora estão proibindo fumar em todo lugar. Veja a perseguição de pessoas como aquele pastor sueco que foi perseguido vários meses por dizer que a Bíblia não aprova o homossexualismo. A França promulgou a mesma lei de discurso de ódio a respeito dos gays. A Inglaterra está promulgando leis de discurso de ódio para relações raciais e agora para o discurso religioso, e assim por diante. O que se observa, em perspectiva, é a introdução sistemática de ideologia que poderá mais tarde ser imposta com medidas opressoras. Aparentemente esse é o único propósito da Europol. Do contrário, por que precisaríamos dela? Para mim a Europol parece muito suspeita. Eu observo atentamente quem é perseguido por qual motivo e o que está acontecendo, porque esse é um assunto no qual sou especialista. Eu sei como desabrocham os Gulags.
Parece-me que estamos vivendo um período de desmantelamento rápido, sistemático e bastante consistente da democracia. Veja essa Lei da Reforma Legislativa e Regulatória. Ela faz de ministros legisladores que podem introduzir novas leis sem mais se preocupar em comunicar ao Parlamento ou a qualquer pessoa. Minha reação imediata foi perguntar por que precisamos disso. A Grã-Bretanha sobreviveu a duas guerras mundiais, à guerra contra Napoleão, à Armada Espanhola, sem mencionar a Guerra Fria, quando nos diziam que a qualquer momento podíamos ter uma guerra nuclear mundial, sem qualquer necessidade de introduzir esse tipo de legislação, sem a necessidade de suspender nossas liberdades civis e introduzir poderes emergenciais. Por que precisamos dela justo agora? Isso pode transformar nosso país numa ditadura a qualquer momento.
A situação atual é muito grave. Os principais partidos políticos foram completamente tomados pelo novo projeto de união européia. Nenhum deles chega realmente a se lhe opor. Eles tornaram-se muito corruptos. Quem vai defender nossas liberdades? É como se estivéssemos marchando para uma espécie de colapso, para uma crise. A inabilidade de criar um ambiente competitivo, a regulamentação em excesso da economia, a burocratização, tudo isso está levando ao colapso econômico. A introdução do euro, em particular, foi uma idéia maluca. A moeda não deve ser política.
Não tenho nenhuma dúvida quanto a isso. Haverá um colapso da União Européia muito parecido com o da União Soviética. Mas não se esqueça de que quando essas coisas entram em colapso elas deixam uma tal devastação que leva uma geração para recuperar. Pense apenas no que acontecerá se uma crise econômica ocorrer. A recriminação entre nações será gigantesca. Pode levar à guerra. Veja a quantidade enorme de imigrantes do Terceiro Mundo que hoje vivem na Europa. Isso foi promovido pela União Européia. Que acontecerá com eles se houver um colapso econômico? Provavelmente teremos, tal como no final da União Soviética, tantos conflitos étnicos que é difícil imaginar. Em nenhum outro país houve tais tensões étnicas como na União Soviética, com exceção talvez da Iugoslávia. Isso é o que vai exatamente acontecer aqui também. Temos de estar preparados para isso. Esse enorme edifício de burocracia vai desabar sobre nossas cabeças.
Eis porque, e sou bastante franco a respeito, quanto mais cedo terminarmos com a União Européia melhor. Quanto mais cedo ela desabar, menos dano causará em nós e em outros países. Mas temos de ser rápidos, porque os eurocratas estão se movimentando rápido. Será difícil derrotá-los. Hoje ainda seria simples. Se hoje um milhão de pessoas marcharem em Bruxelas, esses sujeitos fugirão para as Bahamas. Se amanhã metade da população inglesa recusar-se a pagar impostos, nada acontecerá e ninguém irá para a cadeia. Hoje ainda é possível fazer isso. Mas eu não sei como vai ser a situação amanhã com uma Europol completamente aparelhada e plena de funcionários vindos da Stasi ou da Securitate. Tudo pode acontecer.
Estamos perdendo tempo. Temos de derrotá-los. Temos de sentar e pensar, imaginar uma estratégia de curtíssimo prazo para alcançar o máximo efeito. Do contrário será tarde demais. Então que devo dizer? Minha conclusão não é otimista. Até agora, embora tenhamos algumas forças anti-União Européia em quase todos os países, isso ainda não basta. Estamos perdendo, e desperdiçando nosso tempo.”
(Vladimir Bukovsky, transcrição de Paul Belien de um discurso proferido em Bruxelas em 2006)