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domingo, 7 de janeiro de 2018

A tentação da misericórdia

“O demônio leva os pecadores ao inferno, não com os olhos abertos, mas fechados: primeiramente os cega, e depois os leva a penar inteiramente em sua companhia. (…) “Faz este pecado que depois te confessarás”. Este é o engano com que o demônio tem levado ao inferno milhares de cristãos. Porque é difícil encontrar um cristão que tenha propósito de condenar-se. Todos quantos pecam, pecam com a esperança de confessar-se; e por isso têm-se condenado depois tantos. “Mas Deus é misericordioso”. Aqui tendes outro engano com que o demônio instiga os homens ao pecado e a perseverar nele. Disse um autor que mais almas conduz ao Inferno a falsa esperança na misericórdia de Deus que a justiça divina. E assim acontece, efetivamente, porque, confiando cegamente muitos na misericórdia de Deus, continuam na senda do pecado, e se condenam miseravelmente. “Deus, dizem, é misericordioso”. Ele o é em verdade: ninguém o nega. No entanto, quantos envia ao Inferno a cada dia? É misericordioso com os pecadores, mas somente com aqueles que se arrependem de tê-lo ofendido, e temem voltar a ofendê-lo. Mas com aqueles que abusam de sua misericórdia para mais ofendê-lo, é justo.”
(Santo Afonso de Ligório, Sermões Abreviados para Todos os Domingos do Ano)

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Santo Afonso de Ligório: Ladainha da Paixão do Senhor

"Dulcíssimo Jesus, no Horto das Oliveiras triste até a morte, profundamente angustiado, oprimido de agonia, coberto de suor de Sangue,
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Dulcíssimo Jesus, pelo ósculo traidor entregue às mãos dos Vossos inimigos, maltratado, atado e preso com cordas, abandonado pelos discípulos,
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Dulcíssimo Jesus, pelo injusto Conselho dos judeus julgado réu de morte, entregue a Pilatos, desprezado e escarnecido pelo ímpio Herodes,
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Dulcíssimo Jesus, despido, preso a uma coluna e açoitado cruelmente,
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Dulcíssimo Jesus, coroado de penetrantes espinhos, ferido na sagrada Cabeça com uma cana, vestido, por escárnio, de um manto de púrpura, saciado de opróbrios,
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Dulcíssimo Jesus, mais odiado que um ladrão e assassino, reprovado pelos judeus, condenado à morte da Cruz,
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Dulcíssimo Jesus, carregado com a pesada Cruz, caído em terra, levado ao Calvário como o Cordeiro ao matadouro,
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Dulcíssimo Jesus, Homem das dores, despojado de Vossas pobres vestiduras, contado entre os criminosos, imolado em sacrifício pelos nossos pecados,
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Dulcíssimo Jesus, cravado cruelmente na Cruz, ferido dolorosamente por causa das nossas iniqüidades, quebrantado por causa das nossas culpas,
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Dulcíssimo Jesus, escarnecido ainda na Cruz, atormentado e oprimido de dores indizíveis, consumido de sede, abandonado na mais dolorosa agonia pelo próprio Pai Celestial,
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Dulcíssimo Jesus, morto na Cruz, traspassado por uma lança à vista de Vossa dolorosa Mãe,
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Dulcíssimo Jesus, descido da Cruz, depositado nos braços de Vossa Santíssima Mãe e banhado em Suas lágrimas,
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Dulcíssimo Jesus, ungido e embalsamado pelos discípulos amantes com preciosos aromas, envolvido em lençóis limpos e depositado no santo sepulcro,
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
V: Ele verdadeiramente tomou sobre Si as nossas iniqüidades.
R: E as nossas dores Ele as suportou.
Oração:
Ó Jesus, Filho Unigênito de Deus e da Virgem Imaculada, que pela salvação do mundo quisestes ser reprovado pelos judeus, atado com cordas, conduzido ao matadouro como um cordeiro, apresentado injustamente aos juízes Anás, Caifas, Pilatos e Herodes, acusado por falsas testemunhas, ferido com pancadas, saciado de opróbrios e injúrias, cuspido no Rosto, açoitado barbaramente, coroado de espinhos, condenado à morte, despojado dos vestidos, pregado com toda a crueldade na Cruz, suspenso entre dois ladrões, vexado com fel e vinagre, abandonado em tormentosa agonia e, finalmente, traspassado por uma lança: por estes tormentos, Senhor, dos quais nós, indignos filhos Vossos, agora com devoção, gratidão e amor nos lembramos, e pela Vossa Santíssima Morte na Cruz, livrai-nos das penas do inferno, e dignai-Vos conduzir-nos ao Paraíso, aonde levastes convosco o Bom Ladrão. Tende piedade de nós, ó Jesus, que com o Pai e o Espírito Santo viveis e reinais, por todos os séculos dos séculos. Amém."

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Meditação de Santo Afonso de Ligório sobre o Inferno

“Considera como o inferno é uma prisão infelicíssima, cheia de fogo. Neste fogo estão submersos os danados, tendo um abismo de fogo acima, um abismo aos lados, um abismo abaixo. Fogo nos olhos, fogo na boca, fogo por inteiro.
Todos os sentidos têm sua própria pena: os olhos cegos pelo fumo e pelas trevas, aterrorizados pela vista dos demônios e dos outros danados. Com a audição escutarão dia e noite urros contínuos, prantos e blasfêmias. O olfato será afetado pelo fedor daqueles corpos mal cheirosos. O paladar atormentado por uma ardentíssima sede e por uma fome canina, sem jamais obter uma gota d’água nem uma côdea de pão. Por isso, aqueles infelizes encarcerados, abrasados pela sede, devorados pelo fogo, afligidos por todo tipo de tormentos, choram, gritam, desesperam-se, mas não existe, nem existirá, quem os alivie ou console. Ó inferno, inferno! Muitos só crêem quando em ti caem. Que dizes, tu que estás lendo? Se tivesses, agora, que morrer, para onde irias? Tu que não suportas uma centelha de vela em tua mão, suportarás, depois, o estar em um lago de fogo, desconsolado e abandonado por todos, por toda a eternidade? A memória dos danados será sempre atormentada pelo remorso da consciência. Este é o verme que sempre roerá o danado: pensar por que, por uns poucos prazeres envenenados, danou-se voluntariamente. Ó Deus, o que lhe padecerão, então, aqueles prazeres momentâneos, depois de cem mil, milhões de anos de inferno? Este verme recordar-lhe-á o tempo que Deus pôs à sua disposição para salvar-se; as comodidades que lhe apresentou o Senhor; os bons exemplos dos companheiros; os bons propósitos feitos, mas nunca seguidos. E então verá que não mais existe remédio para sua eterna ruína. O intelecto conhecerá o grande bem que perdeu: o Paraíso e Deus. “Ó Deus, ó Deus, perdoai-me por amor de Jesus Cristo”.
Pecador, tu que agora não te importas em perder o paraíso e Deus, conhecerás a tua cegueira ao ver os bem-aventurados triunfarem e gozarem no reino dos céus; e tu, como um cão fétido, serás expulso daquela pátria beata, privado da bela face de Deus, da companhia de Maria, dos Anjos e dos santos. Então, delirando, gritarás: “Ó paraíso de contentes, ó Deus infinito, não és, e nem serás, mais meu?”. Então vamos com a penitência... Muda de vida: não esperes que o tempo termine. Dá-te a Deus: começa a amá-lo verdadeiramente. Roga a Jesus, roga a Maria – que eles tenham piedade de ti.”

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Meditação de Santo Afonso de Ligório sobre a eternidade das penas

“Considera como o inferno não tem fim: sofre-se todas as penas e todas são eternas. De modo que passar-se-ão cem anos daquelas penas, mil anos, e o inferno estará começando. Passar-se-ão cem mil, cem milhões, mil milhões de anos e de séculos e o inferno começará sempre de novo. Se um anjo levasse a um danado a notícia que Deus o quer tirar do inferno quando passados tantos milhões de séculos quantas forem as gotas de água, as folhas de todas as árvores frondosas, os grãos de areia do mar e da terra, vocês ficariam espantados; mas a verdade é que ele (o danado) faria uma festa tão grande que vocês não superariam se recebessem a notícia de ter ganhado um reinado. Sim, pois o danado diria a si mesmo: É verdade que muitos séculos terão que escoar-se, mas chegará um dia em que eles acabarão... Mas, ao contrário, este fim não chegará jamais; passar-se-ão todos estes séculos e o inferno de novo começará; multiplicar-se-ão estes séculos pelos números de grãos de areia, das gotas, das folhas e, mesmo assim, o inferno começará outra vez. Todo danado faria, com Deus, o seguinte pacto: “Senhor, acrescei minha pena o quanto quiseres, basta que haja um termo e ficarei contente”. Mas não, este termo jamais existirá. Se ao menos o danado pudesse enganar-se a si mesmo e iludir-se dizendo: “Quem sabe um dia, Deus terá piedade de mim e me tirará do inferno!” Não, o danado verá sempre, diante de si, a sentença de sua danação eterna e então dirá: “De maneira que todas estas penas que agora padeço, não terão nunca fim? Nunca?” Durarão para sempre, sempre... Ó nunca! Ó eternidade! Ó inferno! Como? Os homens crêem na tua existência e mesmo assim pecam e seguem vivendo em pecado?
Meu irmão, presta atenção, pensa que ainda mereces o inferno, se pecares. Já arde sob teus pés esta horrenda fornalha; e neste momento em que estás lendo, quantas almas nela estão caindo? Pensa que se lá chegares não mais sairás. E se algumas vezes já mereceste o inferno, agradece a Deus por lá não estares; e depressa remedia o quanto puderes, depressa; chora por teus pecados; lê este ou outro livreto de espiritualidade, todos os dias; torna à tua devoção a Maria com o santo rosário diariamente e com o jejum todos os sábados; resiste às tentações chamando freqüentemente por Jesus e Maria; foge às ocasiões de pecar e se Deus te chama a deixar o mundo faze-o, deixa-o; cada coisa feita para escapar de uma eternidade de penas é pouco, é nada. “Nulla nimia securitas, ubi periclitatur aeternitas”. Não há cautela bastante para nos assegurar a vida eterna. Vê quantos anacoretas, para escapar do inferno, foram viver em grutas, em desertos... E tu, que tantas vezes mereceste o inferno, que fazes? Que fazes? Cuidado para não te danares. Dá-te a Deus. “Maria, ajudai-me”.”

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Meditação de Santo Afonso de Ligório sobre o Juízo Final

“Considera que tão logo a alma saia do corpo será conduzida para diante do tribunal do Senhor Deus, para ser julgada. O Juiz é um Deus Onipotente, por ti maltratado, e encolerizado. Teus acusadores são os demônios inimigos; os processos são teus pecados; a sentença sem apelo; a pena o inferno... Não existem mais companheiros, parentes, amigos... Deverás ter-te com Deus. Então perceberás a feiúra de teus pecados e não poderás desculpá-los como agora fazes. Serás examinado a respeito de teus pecados por pensamentos, por palavras, por complacência, por obras, por omissões e escândalos. Tudo será pesado na grande balança da Justiça Divina e se faltares em algo estarás perdido.
“Meu Jesus e meu juiz, perdoa-me antes de julgar-me”.
Considera como a Divina Justiça há de julgar toda a gente no vale de Josafá, quando (no fim do mundo) ressuscitarão os corpos para receber, junto com a alma, o prêmio ou a pena. Reflete que se fores danado pegarás de volta teu mesmo corpo que, então, servira de prisão para tua alma desventurada. Na ocasião deste amargo encontro a alma amaldiçoará o corpo e o corpo à alma, de maneira que a alma e o corpo, que agora concordam entre si na procura de prazeres proibidos, unir-se-ão à força, depois da morte, para serem verdugos de si mesmos. Se te salvares do dito encontro, teu corpo ressurgirá belo, impassível e resplandecente: e assim em corpo e alma serás digno da vida beata. E assim acabará tua cena neste teatro da vida. Acabar-se-ão todas as riquezas, os prazeres, as pompas desta terra; tudo acabou. Somente existem duas eternidades, uma de glória e outra de pena; uma bem-aventurada e outra infeliz: uma de alegrias, outra de tormentos. No Paraíso os justos, no inferno os pecadores. Pobre daquele que tiver amado o mundo e por causa dos míseros prazeres desta terra tudo terá perdido: a alma, o corpo, o paraíso e Deus.
Considera a eterna sentença. Cristo Jesus voltar-se-á contra os réprobos e a eles dirá: Acabastes? Já minha hora chegou, hora de verdade e de justiça, hora de desdém e de vingança. Eia, celerados, vós amastes a maldição, que ela caia sobre vós: Que vós sejais malditos nos tempos, malditos por toda a eternidade. Saí da minha frente, ide, privados de quaisquer bens e carregados de todas as penas, para o fogo eterno”. “Discedite a me, maledicti, in ignem aeternum” (Mt 25,41). Depois Jesus se voltará para os eleitos e dirá: “Vinde, filhos meus benditos, possuir o reino dos céus posto para vós. Vinde para ser herdeiros das minhas riquezas, companheiros de minha glória; vinde cantar, em eterno, as minhas misericórdias; vinde do exílio à Pátria, das misérias à alegria; vinde das lágrimas ao riso, vinde das penas ao eterno repouso: “Venite, benedicti Patris Mei, possidete paratum vobis regnum” (Mt 25,34)”. “Jesus meu, espero, eu também, ser um destes benditos. Eu Vos amo acima de todas as coisas; desta hora em diante bendizei-me; e bendizei-me Vós, Maria minha Mãe”.”

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Meditação de Santo Afonso de Ligório sobre a morte

“Considera como esta vida há de acabar. A sentença proferida: tens que morrer. A morte é certa, mas não se sabe em que momento virá. O que se requer para morrer? Uma parada do coração, o rompimento de uma veia no peito, uma sufocação por catarro, um bocado de algo da garganta, a mordedura de um animal venenoso, uma febre, uma picada, uma chaga, uma inundação, um terremoto, um relâmpago, bastam para tirar-te a vida. A morte te assaltará quando menos pensares. Quantos, à noite, puseram-se a dormir e de manhã foram encontrados mortos. E então, isso pode ocorrer contigo também. Tantos dos que morreram de repente não pensavam em morrer assim; mas assim morreram e, se morreram em pecado, onde estão agora? E onde estarão por toda a eternidade? Mas de qualquer maneira haverá de chegar o dia em que verás o anoitecer, mas não o amanhecer, ou far-se-á dia, mas a noite não verás. “Virei às escondidas, como um ladrão à noite”, diz Nosso Senhor (Mt 24,46-44). Isso foi avisado pelo teu bom Senhor, pois que ama tua saúde espiritual.
Corresponde a Deus, aproveita de seu aviso, prepara-te a bem morrer, antes que a morte chegue: “Estote parati” (Lc 12,40). É certo que tens de morrer. Acabará tua cena no palco da vida e não sabes quando. Quem sabe se em um ano, um mês, ou até mesmo amanhã. “Meu Jesus, dá-me luz e perdoa-me”.
Considera que na hora da morte estarás estendido em teu leito, assistido por um sacerdote que te lembrará de tua alma, com teus parentes, ao lado de ti, chorando... Com um crucifixo na cabeceira e uma vela aos pés, já próximo de passares para a eternidade... Tu sentirás a cabeça doendo, a visão turva, a língua seca, as mandíbulas fechadas, o peito pesado, o sangue gelado, a carne consumida, o coração trespassado: Deixarás tudo para trás e pobre, e nu, serás jogado numa vala; aqui os vermes e os ratos roerão toda a tua carne e não restará de ti senão um bocado de pó fedorento e alguns ossos carcomidos. Abre uma fossa e vê o que restou daquele ricaço, daquele avarento, daquela mulher vã! Assim acaba a vida. Na hora da morte ver-te-ás rodeado de demônios que te porão face a face com todos os teus pecados, desde quando eras criança. Pois bem, sabe que o demônio, para induzir-te a pecar, cobre e perdoa a culpa; te diz que aquela vaidade, aquele prazer, aquele rancor, nada têm de mal; que aquela conversa nada teve de malévolo... Mas na hora da morte te fará conhecer a gravidade de teu pecado e, à luz daquela eternidade para a qual hás de passar, conhecerás o mal que fizeste para ofender um Deus infinito... Vamos, pois, remedia em tempo, agora que o podes, porquanto, então, não haverá mais tempo.
Considera como a morte é um momento do qual a eternidade depende. Jaz o homem perto de morrer e, por conseguinte, vizinho a uma de duas eternidades; do último suspiro depende a sorte de estar a alma a salvo ou danada para sempre, momento do qual depende uma eternidade; uma eternidade de glórias ou de penas. Uma eternidade sempre feliz ou infeliz: ou de contentamentos, ou de angústias e ansiedade. Uma eternidade gozando de todo o bem ou padecendo de todo o mal. Um paraíso ou um inferno, pela eternidade. Se naquele momento te salvares, não terás mais problemas, viverás contente e beato; mas se perdes a oportunidade, serás infeliz e desesperado enquanto que Deus será sempre Deus. Na morte conhecerás o que significa paraíso, inferno, pecado, ofender a Deus, lei de Deus desprezada, pecados sem confissão, coisas a restituir. “Mísero de mim!” dirá o moribundo. “Daqui a poucos momentos comparecerei perante o Senhor e sabe-se lá qual será minha sentença. Para onde irei, para o Paraíso ou para o inferno? Gozar entre os anjos ou arder entre os danados? Serei, eu, um filho de Deus ou um escravo do demônio? Em poucos minutos sabê-lo-ei e, ai de mim, onde alojarei da primeira vez, ali ficarei em eterno. Ah... Daqui a algumas horas, alguns minutos, que será de mim? Que acontecerá comigo se não ressarcir aquele dano, se não restituir aquilo que não é meu, se não restituir a fama a quem a fiz perder, se, de coração, não perdoar meu inimigo, se não me confessar bem?”. Então detestarás mil vezes aquele dia em que pecaste, aquele gosto, aquela vingança... O arrependimento será tardio e sem frutos, porquanto vindo do temor do castigo e não do amor a Deus. Ah Senhor, deste momento converto-me a Vós, não quero esperar a morte; eis que, agora, eu Vos amo, vos abraço e quero morrer abraçado a Vós. Maria minha mãe, fazei-me morrer sob Vosso manto, ajudai-me!”

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Meditação de Santo Afonso de Ligório sobre a importância do fim último

“Considera, homem, o quão importante é o conseguires alcançar tua meta final: importa tudo; porque se o consegues e te salvas, serás para sempre Beato e gozarás de corpo e alma de todos os bens: mas se não o consegues, perderás alma e corpo, paraíso e Deus: serás eternamente mísero, serás para sempre danado. Então este é o negócio de todos os negócios, o único importante, o único necessário: o servir a Deus e salvar-se a alma. Então não digas: Irei satisfazer-me e depois me darei a Deus e espero salvar-me. Esta falsa esperança quantos não mandou para o inferno, os quais assim diziam e agora são danados, e não existe remédio para eles! Qual o danado que queria realmente danar-se? Mas Deus amaldiçoa quem peca com esperança no perdão: “Maledictus homo qui peccat in spe”. Tu dizes: Quero fazer este pecado e depois me confessarei. E quem sabe tu terás este tempo? Quem te dá a certeza de que não morrerás logo após o pecado? Entrementes perdes a graça de Deus. E se não a achas mais? Deus é misericordioso para quem o teme e não para quem o despreza: “Et misericordia eius timentibus eum” (Lc I). Não digas mais que dois ou três pecados dão no mesmo: Não, porque Deus perdoar-te-á dois pecados, mas não três. Deus suporta, mas não para sempre: “In plenitudine peccatorum puniat” (II Mc 5). Quando cheia está a medida, Deus não perdoa mais; ou castiga com a morte ou com o abandono do pecador, de maneira que, de pecado em pecado, acabará no inferno, castigo este pior do que a morte. Atenção, irmão, a isto que agora lês. Acaba com isso, doa-te a Deus. Pensa que este é o último aviso que te manda Deus. Basta o quanto já o ofendeste. Basta o tanto que Ele te suportou. Fica trêmulo ao pensar que ao cometer mais um pecado Deus não mais te perdoará. Presta atenção: Trata-se da alma e da eternidade. A quantos este pensamento levou para o deserto, para os conventos, para as grutas. “Pobre de mim, que estou repleto de pecados! Com o coração aflito, a alma pesada, o inferno adquirido, Deus perdido. Ah! Deus meu e Pai meu, ata-me em teu amor”.
Considera como este negócio é de todos o mais descurado. Em tudo pensamos, na salvação nunca. Para tudo achamos tempo, menos para Deus. Fale-se a um mundano para que freqüente os sacramentos, que por meia hora ao dia faça orações, responderá: Tenho filhos, netos, posses, tenho mais o que fazer... Ó Deus, e tu não tens alma? Chama teus filhos e netos, eles te tirarão do inferno, terão este poder? Não podes pôr de acordo Deus e o mundo, paraíso e pecado. A salvação não é negócio que possa ser tratado levianamente; é preciso usar de violência contra si mesmo, é preciso coragem se queres ganhar a coroa imortal. Quantos cristãos se vangloriavam de poder postergar o serviço devido a Deus e mesmo assim salvarem-se... Agora estão no inferno! Que rematada loucura, pensar no que logo passa, e tão pouco pensar no que jamais terá fim! Ah cristão, pensa no que já fizeste! Pensa que em breve desalojarás desta terra e irás para a casa da eternidade! Pobre de ti se fores danado! Não terás mais a chance de remediar.
Considera o que vem a seguir e diz: “Tenho uma alma, se a perder perdi tudo. Tenho uma alma, se em troca dela obtiver um mundo, de que me servirá? Se me torno um grande homem e perco a minha alma, o que me ajuda? Se acumulo riquezas, se aumento o tamanho de minha casa, se faço crescer os meus filhos, nada lhes faltando, se perder a minha alma, do que me valerá tudo isso? A que valeram as riquezas, as grandezas, os prazeres, as vaidades a tantos que viveram no mundo e que agora são pó numa fossa e já confinados no inferno? Então, se a alma é minha, se tenho uma alma e a perder, perdê-la-ei para todo o sempre, devo pensar na minha salvação”. Este ponto é muito importante. Trata-se de sermos para sempre felizes ou para sempre infelizes. “Ó meu Deus, confesso e envergonho-me de, até agora, ter vivido como cego, de ter ido para tão longe de Ti e de não ter pensado em salvar esta única, minha alma. Salvai-me, ó Pai, por Jesus Cristo: Alegro-me em tudo perder contanto que não vos perca, meu Deus.
Maria, esperança minha, salvai-me com vossa intercessão”.”

Tradução de Pier Giorgio Citeroni

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Meditação de Santo Afonso de Ligório sobre a finalidade do homem

“Considera, ó alma, que teu ser foi dado por Deus, que te criou à sua imagem, sem teres mérito algum. Adotou-te como filho através do batismo, amou-te mais que um Pai, criando-te para que o amasses e o servisses nesta vida para gozá-Lo, depois, no Paraíso. Não nasceste, pois, nem deves viver para te satisfazeres, para tornar-te rico e poderoso, para comer, para beber e dormir, como fazem os brutos, mas somente para amar teu Deus e para que te salves eternamente. As coisas criadas foram-te dadas para que te ajudassem a alcançar o grande fim. “Ai de mim, infeliz, que em tudo pensei, menos no meu fim! Pai meu, por amor de Jesus, fazei que eu comece uma vida nova, toda ela santa e em conformidade com a vossa vontade divina”.
Considera quais terríveis remorsos, pois, sentirás na hora da morte, se agora não te aplicares em servir a Deus. Que pesar quando, no termo da vida, perceberes que não te resta senão um punhado de moscas de todas as tuas riquezas, grandezas, glórias e prazeres! Ficarás atônito ao ver como, por vaidade e ninharias, perdeste tua alma e a graça de Deus, sem que possas refazer o mal feito; nem terás tempo para tomar o bom caminho. Ó desespero! Ó tormento! Verás então o quanto vale o tempo, mas será tarde. Gostarias de comprá-lo com teu sangue, mas não poderás.
Ó dia amargo para quem não serviu nem amou a Deus.
Considera o quanto se descura este grande fim. Pensa-se em acumular riquezas, em banquetear-se, em festejar, em viver à toa: E não se serve a Deus, e não se pensa na salvação da alma e o fim eterno. Estima-se com nada. E assim, a maior parte dos cristãos, banqueteando, cantando, tocando, vão para o inferno. Ah! se eles soubessem o que significa o inferno! Ó homem, te fadigas tanto para danar-te e nada queres fazer para salvar-te...Enquanto morria, um secretário de Francisco, Rei da Inglaterra, dizia: “Mísero de mim! Gastei tanto papel escrevendo cartas para meu príncipe e não gastei nem uma folha para lembrar-me de meus pecados e fazer, assim, uma boa confissão!” Filipe II, Rei da Espanha, dizia ao morrer: “Oh, tivesse eu ido ao deserto servir a Deus e jamais tivesse sido Rei!” Mas para que servem estes suspiros, estes lamentos? Servem para aumentar o desespero. Aprende, à custa de outros, a viver, se não queres cair no mesmo desespero. Fora do gosto de Deus, tudo está perdido. Vamos logo, é tempo de mudar de vida. Queres esperar a morte chegar? Às portas da eternidade, sobre a boca do inferno, quando não mais existe a chance de emendar o erro? “Deus meu, perdoa-me. Eu te amo acima de tudo. Arrependo-me de ofender-vos”.
“Maria, esperança minha, roga a Jesus por mim”.”

Tradução de Pier Giorgio Citeroni

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A história de Teófilo


“É célebre a história de Teófilo, escrita pelo clérigo Eutiquiano de Constantinopla, como testemunha ocular que foi do fato que passo a relatar. Segundo o padre Crasset, confirmam-no S. Pedro Damião, S. Bernardo, S. Boaventura, S. Antonino e outros.
Era Teófilo arcediago da igreja de Adanas, na Cilícia. Tanto o estimava o povo que o quis para bispo, dignidade que ele por humildade recusou. Caluniado, porém, por alguns malvados, e por isso destituído de seu cargo, ficou de tal maneira desgostoso, que, fora de si pela paixão, se foi valer do auxílio de um mágico judeu. Pô-lo este em comunicação com o demônio, o qual prometeu a Teófilo auxiliá-lo, mas sob a condição de assinar ele, de próprio punho, um papel pelo qual renunciava a Jesus e Maria, sua Mãe. Acedeu Teófilo e assinou a execranda renúncia. No dia seguinte o bispo reconheceu a falsidade das acusações contra Teófilo e pediu-lhe perdão, restituindo-lhe o cargo que ocupara. Mas o infeliz chorava sem cessar, tendo a consciência dilacerada de remorso pelo enorme pecado que havia feito. Finalmente, vai à igreja, ajoelha-se diante da imagem de Maria e lhe diz: Ó Mãe de Deus, não quero desesperar; ainda vós me restais, vós que sois tão compassiva e poderosa para me ajudar. Durante quarenta dias viveu chorando e invocando a Santíssima Virgem. Uma noite apareceu-lhe a Mãe de misericórdia e disse-lhe: Que fizeste, Teófilo? Renunciaste à minha amizade e à de meu Filho e te entregaste àquele que é teu e meu inimigo! Senhora, respondeu Teófilo, haveis de me perdoar e de me obter o perdão de vosso Filho.
Vendo Maria tão grande confiança, acrescentou: Consola-te, que vou rogar a Deus por ti. Reanimado, redobrou Teófilo as lágrimas, as preces e as penitências, conservando-se sempre aos pés da imagem de Maria. Reapareceu-lhe a Mãe de Deus e amavelmente lhe diz: Teófilo, enche-te de consolação. Apresentei a Deus tuas lágrimas e orações; de hoje em diante guarda-lhe gratidão e fidelidade. Senhora minha, replicou o infeliz, ainda não estou plenamente consolado; ainda conserva o demônio o ímpio documento em que renunciei a vós e a vosso Filho; podeis fazer que mo restitua. E eis que três dias depois, acordando Teófilo à noite, achou sobre o peito o referido documento. No dia seguinte foi à igreja e ajoelhando-se aos pés do bispo que justamente oficiava, contou-lhe por entre soluços tudo quanto havia acontecido. Entregou-lhe o ímpio documento, que o bispo fez queimar imediatamente diante dos fiéis presentes, enquanto choravam todos de alegria, exaltando a bondade de Deus e a misericórdia de Maria para com aquele pobre pecador. Teófilo, entretanto, voltou à igreja de Nossa Senhora, onde no fim de três dias morreu contente e cheio de gratidão para com Jesus e sua Mãe Santíssima.”
(Santo Afonso de Ligório, Le Glorie di Maria)

Tradução do Pe. Geraldo Pires de Sousa

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Oração de Santo Afonso de Ligório a Nossa Senhora


“Ó doce Soberana, vós, conforme a expressão de S. Boaventura, arrebatais os corações dos que vos servem, cumulando-os de vossa ternura e liberalidade. Eu vos suplico: arrebatai-me também o meu pobre coração que muito deseja amar-vos. Pela vossa beleza, ó minha Mãe, atraístes o vosso Deus, ao ponto de fazê-lo descer do céu à terra; e eu viverei sem vos amar? Não; antes vos digo com vosso amante filho João Berchmans: “não me darei repouso, enquanto não tiver obtido amor terno e constante a vós, ó minha Mãe”, que com tanta ternura me tendes amado, ainda quando eu não vos amava. E que seria de mim, se vós, ó Maria, não me tivésseis amado e alcançado tantas misericórdias? Se, pois, me amastes quando eu não a amava, que devo esperar da vossa bondade agora que vos amo? Sim, amo-vos, ó minha Mãe, e quisera ter um coração capaz de vos amar por todos os infelizes que não vos amam. Quisera ter uma língua capaz de louvar-vos por mil línguas, para fazer conhecer a todo mundo a vossa grandeza, a vossa santidade, a vossa misericórdia, e o amor com que amais os que vos amam. Se tivera riquezas, todas quisera empregar em vos honrar; se tivera súditos, todos quisera fossem cheios de amor para convosco; quisera enfim sacrificar pelo vosso amor e glória, se fosse mister, até a minha vida! – Amo-vos, pois, ó minha Mãe; mas ao mesmo tempo receio que vos não ame, porque ouço dizer que o amor faz os que amam semelhantes à pessoa amada. Devo então crer que bem pouco vos amo, vendo-me tão longe de parecer convosco. Vós sois tão pura, eu tão imundo! Vós tão humilde, eu tão soberbo! Vós tão santa, eu tão mau! Mas isto, ó Maria, é o que vós haveis de fazer: já que me tendes tanto amor, tornai-me semelhante a vós. Para mudar os corações, tendes todo o poder; tomai, pois, o meu e mudai-o. Conheça o mundo o que podeis em favor dos que amais. Tornai-me santo e fazei-me digno filho vosso. Assim espero, assim seja.”
(Sto. Afonso de Ligório, Le Glorie di Maria)

Tradução do Pe. Geraldo Pires de Sousa

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Nossa Senhora, a descobridora da graça


“Na afirmativa de S. Bernardino de Sena, Deus não destruiu o homem logo após o pecado, devido ao singular amor para com esta sua futura filha. Não lhe resta a menor dúvida de que todas as misericórdias e mercês, em favor dos pecadores na Antiga Lei, só lhes tinham sido feitas por Deus em consideração desta abençoada Virgem.
Exorta-nos por isso, com razão, S. Bernardo: Procuremos a graça, mas procuremo-la por meio de Maria. Se formos tão infelizes, que perdemos a divina graça, procuremos recuperá-la por meio de Maria; porque se a perdemos ela a achou. E por este motivo o santo lhe chama descobridora da graça. Para nossa consolação declarou-o S. Gabriel Arcanjo, quando disse à Virgem: Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus (Lc 1, 30).
Mas, se Maria nunca se vira privada da graça, como podia dizer o anjo que a tinha achado? Só se pode achar uma coisa que se perdeu. A Virgem, entretanto, sempre esteve com Deus e não só em graça, mas cheia de graça, como o mesmo arcanjo manifestou, quando, ao saudá-la, lhe disse: Ave, Maria, cheia de graça; o Senhor é contigo...
Logo, se Maria não achou a graça para si, porque sempre dela esteve cheia, para quem a achou? Responde o Cardeal Hugo, num comentário a este passo: Achou-a para os pecadores que a tinham perdido. Corram, pois, a Maria os pecadores que perderam a graça, porque em seu poder a acharão certamente, continua este devoto escritor, e digam-lhe: Senhora, a coisa achada deve-se restituir a quem a perdeu; aquela graça, que vós achastes, não é vossa, porque nunca a perdestes; é nossa, porque a perdemos, por isso no-la deveis restituir. Se, pois, desejamos recuperar a graça do Senhor – conclui Ricardo de S. Lourenço – vamos a Maria, que a encontrou e sempre a encontra. E já que a Virgem foi e sempre há de ser muito querida por Deus, se a ela recorremos, certamente acharemos a graça. A própria Mãe de Deus garante-nos, em os Sagrados Cânticos, que Deus a pôs no mundo para ser a nossa defesa e por isso também está constituída medianeira de paz entre Deus e os pecadores. “Eu me tenho na sua presença (de Deus) tornado como uma que acha a paz” (8, 10). Com estas mesmas palavras anima S. Bernardo o pecador, dizendo: Vai ter com esta Mãe de Misericórdia e mostra-lhe as chagas que na alma te fizeram os teus pecados. Ela não deixará de rogar a seu Filho que te perdoe, por aquele leite que lhe deu; e o Filho, que tanto a ama, atendê-la-á com toda a certeza. – Com efeito, a Santa Igreja nos manda pedir ao Senhor que nos conceda o poderoso socorro da intercessão de Maria, para que nos levantemos de nossos pecados. “Concedei, misericordioso Senhor, fortaleza à nossa fraqueza, para que nós, que celebramos a memória da Santa Mãe de Deus, pelo auxílio de sua intercessão, nos levantemos de nossas iniqüidades”.”
(Sto. Afonso de Ligório, Le Glorie di Maria)

Tradução do Pe. Geraldo Pires de Sousa