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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Um trecho do Liber Gomorrhianus


“Esse vício não é absolutamente comparável a nenhum outro, porque supera a todos em enormidade. Esse vício produz, com efeito, a morte dos corpos e a destruição das almas. Polui a carne, extingue a luz da inteligência, expulsa o Espírito Santo do templo do coração do homem, nele introduzindo o diabo que é o instigador da luxúria, conduz ao erro, subtrai totalmente a verdade da alma enganada, prepara armadilhas para os que nele incorrem, obstrui o poço para que daí não saiam os que nele caem, abre-lhes o inferno, fecha-lhes a porta do Céu, torna herdeiro da infernal Babilônia aquele que era cidadão da celeste Jerusalém, transformando-o de estrela do céu em palha para o fogo eterno, arranca o membro da Igreja e o lança no voraz incêndio da geena ardente.
Tal vício busca destruir as muralhas da pátria celeste e tornar redivivos os muros da Sodoma calcinada. Ele, com efeito, viola a temperança, mata a pureza, jugula a castidade, trucida a virgindade, que é irrecuperável, com a espada da mais infame união. Tudo infecta, tudo macula, tudo polui, e tanto quanto está em si, nada deixa puro, nada alheio à imundície, nada limpo. Para os puros, como diz o Apóstolo, todas as coisas são puras; para os impuros e infiéis, nada é puro, mas estão contaminados o seu espírito e a sua consciência (Tit. I, 15).
Esse vício expulsa do coro da assembléia eclesiástica e obriga a unir-se com os energúmenos e com os que trabalham com o diabo, separa a alma de Deus para ligá-la aos demônios. Essa pestilentíssima rainha dos sodomitas torna os que obedecem as leis de sua tirania torpes aos homens e odiáveis a Deus, impõe nefanda guerra contra Deus e obriga a alistar-se na milícia do espírito perverso, separa do consórcio dos Anjos e, privando-a de sua nobreza, impinge à alma infeliz o jugo do seu próprio domínio. Despoja seus sequazes das armas das virtudes e os expõe, para que sejam transpassados, aos dardos de todos os vícios. Humilha na Igreja, condena no fórum, conspurca secretamente, desonra em público, rói a consciência como um verme, queima a carne como o fogo.
Arde a mísera carne com o furor da luxúria, treme a fria inteligência com o rancor da suspeita, e no peito do homem infeliz agita-se um caos como que infernal, sendo ele atormentado por tantos aguilhões da consciência quanto é torturado pelos suplícios das penas. Sim, tão logo a venenosíssima serpente tiver cravado os dentes na alma infeliz, imediatamente fica ela privada de sentidos, desprovida de memória, embota-se o gume de sua inteligência, esquece-se de Deus e até mesmo de si.
Com efeito, essa peste destrói os fundamentos da fé, desfibra as forças da esperança, dissipa os vínculos da caridade, aniquila a justiça, solapa a fortaleza, elimina a esperança, embota o gume da prudência.
E que mais direi, uma vez que ela expulsa do templo do coração humano toda a força das virtudes e aí introduz, como que arrancando as trancas das portas, toda a barbárie dos vícios?
Com efeito, aquele a quem essa atrocíssima besta tenha engolido, entre suas fauces cruentas, impede-lhe, com o peso de suas correntes, a prática de todas as boas obras, precipitando-o em todos os despenhadeiros de sua péssima maldade. Assim, tão logo alguém tenha caído nesse abismo de extrema perdição, torna-se um desterrado da pátria celeste, separa-se do Corpo de Cristo, é confundido pela autoridade de toda a Igreja, condenado pelo juízo de todos os Santos Padres, desprezado entre os homens na terra, reprovado pela sociedade dos cidadãos do Céu, cria para si uma terra de ferro e um céu de bronze. De um lado, não consegue levantar-se, agravado que está pelo peso do seu crime; de outro, não consegue mais ocultar seu mal no esconderijo da ignorância, não pode ser feliz enquanto vive, nem ter esperança quando morre, porque, agora, é obrigado a sofrer o opróbrio da derrisão dos homens e, depois, o tormento da condenação eterna.”
(São Pedro Damião, Liber Gomorrhianus)

http://www.saopiov.org/2010/02/hediondez-do-homossexualismo-sao-pedro.html

A motivação para um tratado sobre a sodomia


“Quando o humilde monge e futuro santo, Pedro Damião, apresentou sua carta 31, o Livro de Gomorra, ao Papa Leão IX em 1049, ele deixou claro que sua preocupação primeira e primordial era a salvação das almas. Embora o trabalho fosse dedicado especificamente ao Santo Padre, sua distribuição foi destinada à Igreja universal, especialmente aos bispos do clero secular e aos superiores das ordens religiosas.
Na introdução, o santo escritor deixa claro que a vocação divina da Sé Apostólica faz que sua consideração principal seja “o bem das almas”. Portanto, ele exorta o Santo Padre a tomar medidas contra “um certo vício abominável e assaz vergonhoso”, o qual identifica abertamente como “o câncer corruptor da sodomia”, que assola tanto as almas do clero e o rebanho de Cristo na sua região, antes que Deus descarregue Sua justa ira contra o povo. Reconhecendo quão nauseante a própria menção da palavra sodomia deve ser ao Papa, ele no entanto pergunta com franqueza brusca: “...se um médico ficar horrorizado com o contágio da praga, quem é que vai manejar o cautério? Se ele fica enjoado quando está prestes a aplicar o remédio, quem vai restaurar a saúde aos corações feridos?”
Evitando qualquer dubiedade, Damião distingue entre as várias formas de sodomia e as fases de corrupção sodomita, começando pela masturbação solitária e mútua e terminando na estimulação interfemoral (entre as coxas) e coito anal. Destaca que há uma tendência entre os prelados de tratar os primeiros três graus do vício com uma “leniência imprópria”, preferindo reservarem a expulsão do estado clerical somente àqueles homens que comprovadamente se envolveram com penetração anal. O resultado, diz Damião, é que um homem, culpado do vício em graus “menores”, aceita suas penitências mais suaves, mas permanece livre para poluir outros sem o menor receio de perder sua posição. O resultado previsível da leniência de seu superior, diz Damião, é que o vício se espalha, o culpado fica mais ousado em seus atos ilícitos pois sabe que não irá sofrer qualquer perda em seu estado clerical, perde todo o temor a Deus e seu último estado é pior do que o primeiro.
Damião condena a audácia de homens que estão “habituados à porcaria desta doença purulenta”, e ainda assim ousam apresentar-se para o sacerdócio ou, se já ordenados, permanecer em seus cargos. Não foi em razão de tais crimes que Deus Todo-Poderoso destruiu Sodoma e Gomorra, e matou Onan por deliberadamente derramar sua semente no chão?, pergunta. Citando a epístola de São Paulo aos Efésios (Ef 5:5), ele continua, “...se um homem impuro não tem absolutamente nenhuma herança no Céu, como pode ser ele tão arrogante de assumir uma posição de honra na Igreja, que é certamente o reino de Deus?”
O santo monge assemelha os sodomitas que buscam o sacerdócio aos cidadãos de Sodoma que ameaçaram “usar de violência contra o justo Lot” e estavam já quase quebrando a porta quando foram feridos com cegueira por dois anjos e não conseguiram mais achá-la. Tais homens, ele diz, foram feridos com uma cegueira semelhante, e “pela justa decisão de Deus caíram em treva interior.” Se fossem humildes seriam capazes de achar a porta que é Cristo, mas estão cegos por sua “arrogância e vaidade”, e “perdem Cristo por causa de seu apego ao pecado”, nunca achando, lamenta Damião, “o portão que leva à habitação celeste dos santos”.
Não poupando os eclesiásticos que conscientemente permitem que sodomitas ingressem no sacerdócio ou permaneçam em posições clericais maculando seu cargo, o santo monge ataca os “superiores de clérigos e padres que nada fazem”, lembrando-os de que eles deveriam estar tremendo por eles mesmos terem-se tornado “parceiros na culpa de outros”, ao permitirem que “a praga destruidora” da sodomia continuasse em suas fileiras.”
(Randy Engel, St. Peter Damian's Book of Gomorrah: A Moral Blueprint for Our Times)

São Pedro Damião


“Teólogo e reformador. Nasceu em Ravena, em 1007; morreu em Faença, em 1072. Comemoração: 21 de fevereiro.
Órfão desde muito jovem, ficou primeiro aos cuidados de um indiferente irmão mais velho e, depois, de outro irmão que lhe proporcionou uma boa educação em escolas da Lombardia. Em 1035 Pedro juntou-se à comunidade de eremitas fundada por São Romualdo, em Fonte Avellana, da qual se tornou preposto. Numa época de reformas, ele foi essencialmente um reformador, tanto como monge quanto como bispo-cardeal de Óstia com variadas atividades. Criticou algumas tendências reformistas de papas da época e exerceu grande influência em importantes assuntos eclesiásticos. Suas idéias sobre o monasticismo lembravam sempre o exemplo dos primeiros monges do deserto. De certo modo, não era diferente de São Jerônimo: crítico, impaciente, sincero, com o fervor moral de um profeta. Sua violenta investida contra a má conduta clerical é chamada, com razão, “O livro de Gomorra”. Por outro lado, Pedro repreendeu um bispo pelo simples fato de jogar xadrez. Escreveu sobre importantes assuntos teológicos e canônicos e, em 1828, o Papa Leão XII inscreveu-o entre os doutores da Igreja, antes mesmo da prévia canonização formal. A intransigência e a severidade de São Pedro Damião talvez tenham sido superenfatizadas, pois outra sua faceta pode ser apreendida em seus hinos, como aquele sobre o Céu e outro sobre São Gregório Magno, a quem Damião chama de “o apóstolo do povo inglês”.”
(Donald Attwater, The Penguin Dictionary of Saints)

Tradução de Maristela R. A. Marcondes e Wanda de Oliveira Roselli