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domingo, 10 de setembro de 2017

De perversão a dom de Deus. E depois de Bergoglio?


“Diante dos últimos acontecimentos na Igreja – refiro-me ao sermão do bispo de Caicó, à correspondência do Vaticano sobre o batismo de crianças “educadas” por parceiros homossexuais e à inacreditável declaração de Bergoglio a um bispo canadense: a Igreja não precisa preocupar-se tanto com a escassez de sacerdotes porque o futuro da Igreja está mais na Bíblia do que na Eucaristia -, diante de fatos de uma gravidade assombrosa, creio que não há católico que não se pergunte em seu íntimo que será da Igreja dentro de poucos anos.
Os chamados católicos Ecclesia Dei Adflicta depositam todas suas esperanças em purpurados da ala conservadora como um Sarah ou um Burke ou quem sabe até em um Müller (Que coisa conservará este?), na expectativa de que num próximo conclave um deles venha a ser eleito papa e possa sanar a confusão reinante na Igreja, debelar a anarquia crescente e impedir o caos. Desejam um papa Napoleão que, com energia, impeça os excessos e consolide a revolução do Vaticano II e a doure com o brilho de uma aguada liturgia de “São João XXIII”. Almejam só a Pax liturgica.
Sinceramente, não me parece que seja o melhor remédio para o letal câncer modernista que devasta a Igreja. Equivaleria a combater apenas os efeitos, seria um paliativo sem remover as causas do mal.
Neste ponto, cumpre reconhecer que Francisco I é, sim, fiel à letra e ao espírito do Vaticano II. É preciso também reconhecer que a melhor interpretação do Vaticano II, no que diz respeito à ética sexual e familiar, é a que, em linguagem muito simples e acessível a todos, expôs o cardeal Carlo Maria Martini SJ em seu livro Diálogos noturnos em Jerusalém (Paulus, 2012), obra importantíssima para entender bem todo o pontificado de Francisco I.
Com efeito, diz o cardeal Martini: “Os moralistas falavam do fim primário da sexualidade. Também aqui o Concílio Vaticano II abriu um horizonte mais amplo, reconhecendo conscientemente a mesma importância no companheirismo e no amor mútuo dos esposos.” (o. c. p. 124) Em seguida, o cardeal tem o mérito de tirar as últimas consequências desta ruptura do Vaticano II com todo o magistério tradicional da Igreja, dizendo que cobra da Igreja uma atitude de reserva e discrição em relação ao tema da homossexualidade. E fazendo uma exegese das passagens bíblicas sobre a questão, diz que as palavras fortes da Sagrada Escritura contra a homossexualidade na verdade constituem apenas uma condenação de uma prática muito comum na antiguidade quando homens tinham, para seu prazer, jovens e amantes masculinos, ao lado da sua família. (Ibidem). E encerra o assunto dizendo que, diante de uma pluralidade de posturas das diversas religiões e confissões cristãs sobre a homossexualidade, a Igreja precisa encontrar seu caminho e ser mais sensível, tratando do assunto “com ternura” e sem medo.
De maneira que, se os católicos neoconservadores hoje estão perplexos com a nova orientação impressa por Francisco à caminhada da Igreja em nossos dias, deveriam reconhecer que houve um grande equívoco ao longo pontificado de João Paulo II em querer impedir que o Vaticano II produzisse todos os seus frutos amargos no campo da fé e da moral. Realmente, pensar que uma declaração Dominus Iesus, sobre a Igreja e o ecumenismo, ou as diversas instruções sobre ética sexual e familiar fossem suficientes para a preservação da fé e da moral e, ao mesmo tempo, promover um moderno panteão nos vários congressos de Assis, ou ainda defender o uso de preservativos pelos prostitutos como um mal menor, como o fez Bento XVI, pensar assim é uma ilusão.
O correto, o justo, teria sido reconhecer humildemente que D. Lefèbvre e D. Mayer tinham razão em suas críticas ao Vaticano II e ter a clarividência de desarmar a bombas de tempo contidas nos vários documentos conciliares, bombas que mais cedo ou mais tarde haveriam de explodir. Pensar que uma teologia baseada em um tomismo aberto e em diálogo com as diversas correntes de pensamento contemporâneo, tal como se ensina nas faculdades e seminários “conservadores”, uma teologia à de Lubac, Danielou, Congar bastasse para conter o avanço do modernismo é um erro grosseiro.
A história do mundo moderno mostra que o “centro”, aliado à “esquerda”, sempre saiu perdendo, mais cedo ou mais tarde. Durante o longo pontificado de João Paulo II houve a nomeação só de um D. Pestana, inimigo declarado da teologia da libertação, ao passo que foram criados inúmeros bispos e cardeais que hoje aplaudem Francisco. De modo que nós “da direita”, em certo sentido, podemos alegrar-nos com a vitória dos modernistas radicais. João Paulo II disse a D. Helder: “Pai dos pobres e meu irmão”, mas consta que zombou de D. Lefèbvre quando leu o primeiro manifesto episcopal de 1983.
Hoje, o desastre é impossível de ser reparado. O fato é que o papa Francisco goza de uma popularidade enorme dentro da Igreja e no mundo. Ele tem feito e continuará a fazer o que a imensa maioria dos católicos que frequentam as paróquias querem e almejam. Quantas meninas “acólitas” e leitoras não sonham em fazer batizados? Quantas ministras da Eucaristia e freiras não sonham ser diaconisas e oficiar casamentos e proferir uma homilia durante as celebrações? Aliás isso já é realidade em muitos lugares. Já se pode lobrigar que, dentro de alguns anos, as crianças educadas por pares “homoafetivos” e hoje batizadas nas paróquias de inúmeras dioceses vão defender o “casamento homossexual” canônico.
Realmente, se é verdade que o conclave que elegeu o cardeal Bergoglio foi influenciado pela oligarquia mundialista representada pelos Clintons e Soros das altas esferas do poder oculto global, só podemos esperar que tal grupo de poder que se assenhoreou do Vaticano não o desocupe enquanto não realizar todos os seus objetivos.
Na história da Igreja lemos que o desastroso papa Bento IX (1033-1048), uma calamidade, um castigo permitido por Deus a sua Igreja, renunciou ao papado quando o arcipreste João Graciano, mestre do futuro grande papa São Gregório VII, valendo-se de um recurso extremo, lhe ofereceu vultosa soma. E o historiador Pe. Rivaux observa que Bento IX e outros pontífices semelhantes, que fizeram um grande mal à Igreja, foram impostos à Igreja por intrigas do mundo e cita um autor célebre: “Por conseguinte, se houve maus papas, foi o mundo, e não a Igreja, que os fez” (Cf. Tratado de História Eclesiástica, Rivaux, v. 1, p. 585, Editora Pinus. 2011, Brasília).
Costuma-se dizer, e com razão, que hoje vivemos a Paixão da Igreja. Pio XII já dizia “alonga-se o sábado santo da Igreja”. A situação, desde então, só se agravou e ninguém sabe como e quando terminará a paixão do Corpo Místico de Cristo. Quando Nosso Senhor predisse pela primeira vez sua paixão, São Pedro disse a Jesus: “Longe de ti, Senhor, essa idéia; não te há de acontecer isso”. Na segunda e na terceira predições da paixão, os evangelistas dizem que os discípulos não entendiam nada. Creio que se pode dizer que só não entendiam o mistério da ressurreição, pois São Pedro tinha entendido bem que Nosso Senhor anunciara um grande sofrimento iminente.
Pois bem. Hoje devemos estar conscientes do drama da Igreja. Devemos orar e reparar tanta injúria e tanta traição feitas à Igreja que é nossa mãe e mestra. Devemos sofrer e não buscar paliativos para um mal que não podemos eliminar. Devemos estar preparados para o pior. Mas não podemos perder a esperança e a confiança: “Ad nos, triunfans, éxsules, Regina, verte lumina, caeli ut beátam pátriam, te, consequámur, áuspice.” (Hino das primeiras vésperas da Assunção).
Que a Rainha das Vitórias nos auxilie na luta para chegarmos à Igreja triunfante do céu.”

http://santamariadasvitorias.org

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A seca sobre Roma

“É difícil deixar de ver na seca que afeta Roma – a pior em, pelo menos, sessenta anos – algo como um oportuno sinal, enquanto açoite punitivo. Ali onde esteve a cátedra de Pedro e hoje se convida a dar palestras a velhas abortistas paradoxalmente tornadas promotoras da imigração “para compensar a abrupta queda da natalidade”, ali onde se recebem como visitantes ilustres pares de sodomitas e se celebra com cinismo ímpar que “pela primeira vez o magistério do Papa é paralelo ao da ONU”, ali vem hoje a faltar o mais vital dos elementos. De similar teor ao dos numerosos acontecimentos que, ao modo de sinais, vão sazonando o pontificado de Francisco (a pomba lançada por ele e arrebatada nos ares por um corvo; o terremoto sofrido na nação daquele mandatário que o visitou no Vaticano, desatado quase no mesmo momento de apertar-lhe a mão; os sinistros imediatamente consecutivos a suas viagens, como os ocorridos em Belém e em Lourdes, etc), este da seca sobre Roma vem a pôr o selo cósmico nas primaveris ilusões da vulgata conciliar, que na ordem do espírito já havia difundido uma aridez em verdade insuperável. Se a transposição modernista do ritual dos sacramentos trouxe consigo a conhecida taxa negativa de vocações sacerdotais e a prática extinção do matrimônio diante do altar, além da apostasia coletiva e da renúncia da Igreja a testemunhar o Evangelho, pouca coisa será que na cidade das fontane se lute por um sorvo. A propósito do anúncio de catástrofes naturais supostamente contido no Terceiro Segredo de Fátima, foi suficientemente claro o então bispo daquela localidade portuguesa: a perda da fé de um continente é pior que a aniquilação de uma nação.
Já conhecemos o conteúdo do Terceiro Segredo: faz anos que se impõe a nossos olhos. O corolário das catástrofes telúricas, em irônica correspondência com seu typos espiritual, não faz mais que confirmar o conhecido. Neste tempo de alianças com os protestantes para facilitar um serviço litúrgico comum que exclua explicitamente as incômodas noções de sacrifício e presença real, neste rarefeito tempo de comistão do sacro – ou seus restos – com o profano ou profaníssimo, com abundância de sacrilégios oferecidos à la carte pela mesma Hierarquia, dificilmente se poderá assimilar a igreja sedente em Roma com aquela imagem do Templo oferecida pelo profeta Ezequiel (47, 1ss.), debaixo de cujo umbral brotavam vivíficas águas que, com pouco andar, se faziam mais e mais profundas, símbolo da graça e seu efeito nas almas. Parece que Roma quis, ao invés, voltar a ser aquela Babilônia que o Príncipe dos Apóstolos soube estar pisando em seus dias, quando a urbs imperial perseguia cruentamente aos de Cristo.
Não temos notícia de que as testemunhas do Apocalipse (11, 3 ss.) tenham já começado sua profética missão. Mas consta que a eles será concedido “fechar o céu para que não chova durante os dias de sua pregação” antes de jazer na Grande Cidade, “que simbolicamente se chama Sodoma e Egito”.”

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terça-feira, 11 de abril de 2017

Em entrevista reveladora, Francisco expõe mais uma vez suas idéias modernistas


Contra a tradicional definição da Igreja
A jornalista Stefania Falasca publicou uma entrevista com o papa Francisco no jornal Avenire de 18 de novembro de 2016 (pp. 1-3 e 5). Francisco afirma: "A Igreja [...] não é um caminho de idéias" (p. 2). Ele reafirma este conceito na página 5 de sua entrevista: "a Igreja não é uma instituição, é um caminho, certos modos de opor 'coisas da doutrina' a 'coisas da caridade pastoral' não são segundo o Evangelho e criam confusão". Bento XVI, em 2005, havia dito que "a Igreja não é um pacote de idéias, mas um encontro com uma pessoa: Cristo".
Segundo o sentido comum e a reta razão, não se compreende o que têm em comum o "caminho", que indica movimento, ou o devir, com as "idéias", que indicam o ser enquanto verdadeiro. Ora, sem a Fé não se faz parte da Alma nem sequer do Corpo da Igreja, mas para ter a Fé é necessária a adesão ao Credo, que é uma compilação ou um "pacote" de 12 artigos ou verdades de Fé reveladas por Deus e propostas para ser cridas pela Igreja como necessárias para a salvação eterna. Portanto, a Igreja não é um caminho, nem um encontro com uma pessoa, mas é "uma Sociedade sobrenatural fundada por Cristo, da qual fazem parte todos os batizados, que têm a mesma Fé, a mesma Lei, participam dos mesmos Sacramentos e estão submetidos aos Pastores legítimos e especialmente ao Pontífice Romano" (São Roberto Belarmino, De Ecclesia, III, 1).
Em continuidade com o Vaticano II
Deve-se advertir que Bergoglio afirma não haver inovado nada em relação ao curso inaugurado por João XXIII com a abertura do Concílio Vaticano II, mas que, ao pontificar 60 anos depois daquele evento, não deve dirigir ex natura rerum, segundo as leis da física natural: "motus in fine velocior" – a queda de um peso no vazio aumenta mais de velocidade quanto mais se aproxima de seu fim. Por isso, o movimento modernista, iniciado oficialmente pelo papa João XXIII em 1958 com a abertura do Vaticano II, não podia ser inicialmente, ex natura rerum, tão veloz e radical como é hoje em 2016, após 58 anos de movimento uniformemente acelerado. As palavras de Francisco soam exatamente assim: "Este Ano [2015/2016, ndr] sobre a Misericórdia é um processo amadurecido no tempo, desde o Concílio... o caminho vem de longe, com os passos de meus predecessores [ou seja, os Papas do Vaticano II, ndr]. Eu não tenho dado nenhuma aceleração. À medida que vamos adiante, o caminho parece ir mais veloz, é o motus in fine velocior" (p. 2). A referência de Bergoglio a João XXIII para fundar seu vamos que vamos apenas com a Misericórdia de Deus sem Justiça é explícita. Com efeito, disse: "Antes de mim esteve João XXIII, que, com a Gaudet mater Ecclesia, na abertura do Concílio, indicou o caminho a seguir somente na medicina da Misericórdia" (p. 2) e "não da severidade e do castigo".
Um Papa que confessa atuar "às cegas"
Em outra resposta ressalta o descuido do papa Bergoglio com a doutrina e os dogmas. Com efeito, Francisco afirma: "Eu não tenho traçado um plano [para a realização do Jubileu, enquanto que normalmente primeiro se pensa e depois se atua, ndr]. As coisas têm vindo por si mesmas [espontaneamente, sem reflexão, ndr]" (p. 2). Isto se chama "atuar às cegas" e sem reflexão racional. Também na vida espiritual, para obter o auxílio pleno e habitual do Espírito Santo (vida mística), é necessário antes levar uma larga e séria vida ascética; de outro modo se cai na pseudomística, no quietismo, no falso misticismo ou no carismaticismo, constantemente condenados pela Igreja, já com o papa Inocêncio XI na Bula Coelestis Pastor de 1687, que reprova a falsa mística quietista de Molinos (DB, 1221, ss.) e, em 1699, pelo papa Inocêncio XII, que condena o quietismo mitigado de Fénelon (DB, 1327-1349 ss.).
Para Francisco, o direito canônico = legalismo e a teologia = ideologia
No que se refere à Igreja, Bergoglio retoma o ensinamento semiconciliarista da Colegialidade episcopal de Lumen gentium, e o contrapõe "a um certo legalismo [eclesiológico, ndr], que pode ser ideológico" (p. 2). Em resumo, desvaloriza não só o direito canônico rebaixando-o a nível de legalismo e a sã doutrina qualificando-a como ideologia, mas inclusive a Igreja hierárquica e sua constituição jurídica querida por Cristo com o Episcopado monárquico de Pedro e, portanto, do Papa sobre a Igreja universal e do Bispo sobre sua diocese, para exaltar a concepção pneumática ou puramente espiritual da Igreja como comunidade ou caminho dos crentes, de sabor protestante ou carismático.
Definição modernista da verdade
Apesar de seu colegialismo, Francisco "responde" mal aos Cardeais, os quais fizeram notar a divergência de sua "Exortação Amoris laetitia" (19 de março de 2016) com a doutrina Revelada divinamente e definida infalivelmente pela Igreja sobre o sacramento do Matrimônio, da Penitência e da Eucaristia: "[eles, ndr] continuam sem compreender, ou branco ou preto, embora seja no fluxo da vida onde se deva discernir" (p. 2). Em resumo, para ele não conta já teologicamente o evangélico "sim sim não não, o demais vem do Maligno" (Mt 5, 37) e, nem sequer filosoficamente, o ser, quer dizer, o que é estável, a natureza e a essência das coisas, mas que nega inclusive o princípio, conhecido por si mesmo, de identidade e não contradição: "branco = branco, preto = preto, branco ≠ preto", "ato = ato, potência ou devir = potência ou devir; ato ≠ devir".
Bergoglio altera por conseguinte a definição aristotélico-tomista de verdade (“adaequatio rei et intellectus/conformidade do intelecto com a realidade extramental”) fazendo sua a da modernista filosofia de Maurice Blondel (“adaequatio mentis et vitae/conformidade do intelecto com as exigências mutáveis e corrediças da vida”), ou seja, "a verdade deve ser buscada no fluxo da vida" (e não nos princípios conhecidos por si mesmos, estáveis e imutáveis), pelo que, se hoje é difícil ao homem contemporâneo aceitar a verdade objetiva de "não cometerás adultério" (“adaequatio rei et intellectus”), é necessário recorrer ao discernimento do que é verdadeiro e justo, não já conforme a realidade objetiva (Lei natural e divinamente Revelada), mas conforme o fluxo e contínuo evoluir da vida: pelo que, se "para o homem de 2016" hic et nunc é preferível cometer adultério, este se torna hoje lícito".
A culpa não é jamais de Bergoglio, mas sempre do "motus in fine velocior"
Bergoglio justifica semelhante mudança de rota com "o caminho do Concílio, que vai adiante, se intensifica [por si mesmo, pela natureza das coisas, ndr]" e especifica: "mas é o caminho [do Concílio, ndr], não sou eu" (p. 3). Ele, graças a Deus, tem o valor, ou melhor, a fanfarronice de dizer abertamente o que se tenta ocultar em muitas partes (sobretudo por parte dos "neoconservadores", que queriam ler o Concílio na hermenêutica da continuidade e não em ruptura com a Tradição), isto é, que não existe ruptura entre Bergoglio e João Paulo II/Bento XVI, mas que existe objetiva e evidentemente entre os Papas do Concílio e a Tradição divino-apostólica.
Também no que diz respeito ao ecumenismo com os acatólicos, Francisco responde claramente: “tenho me encontrado com os primados e os responsáveis [das seitas não católicas, ndr], mas também meus outros predecessores [a partir de João XXIII, ndr] tiveram encontros com eles. Eu não tenho dado nenhuma aceleração; à medida que vamos adiante, o caminho parece ir mais veloz, é o motus in fine velocior” (p. 3). Portanto, se nos atemos às palavras de Bergoglio, não é exato dizer que ele é igual substancialmente aos Papas do Concílio e se diferencia deles acidentalmente por sua velocidade mais acelerada e radical, mas, havendo chegado a sua maturidade o iter conciliar, é normal que o motus, por sua natureza, est in fine velocior.
O limite da resistência dos Cardeais
O Vaticano II contém em potência todos os erros de Bergoglio e, portanto, se se quer remediar o mal atual (veja-se Amoris laetitia), é necessário ir a suas raízes e as encontramos no Concílio Vaticano II; é inútil podar os galhos que sobressaem de uma planta de cicuta: se deixamos intactas suas raízes, o tronco e as folhas que não sobressaem excessivamente, continua sendo sempre um perigo mortal.
O limite da resistência (embora laudável e valente) dos Cardeais Burke, Sarah, Caffarra, Müller, Brandmüller e de Monsenhor Schneider é exatamente isto: não se remontar às causas dos erros atuais. Pelo contrário, dito limite pode tornar-se um perigo na medida em que eles tentam fazer com que os antimodernistas aceitem o Vaticano II e a plena ortodoxia da Nova Missa de Paulo VI para obter um arranjo jurídico. Contudo, se na guerra alguém se limita a disparar contra os projéteis do inimigo que caem em cima de si sem alcançar quem os dispara, a guerra já está perdida desde o início."

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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ceia anglicana em São Pedro

“Quando dentro de poucos dias, em rigorosa consonância com os festejos pelo quarto aniversário da eleição de Francisco, a basílica de São Pedro se veja em transe de suportar a celebração, em seu altar-mor, das vésperas anglicanas por celebrantes isentos de autêntica dignidade sacerdotal, se estará cumprindo um novo marco naquele outro marco que já constitui este ímpar pontificado. Concretamente, se voltará a tentar a Deus no interior mesmo do templo maior de nossa fé, como faz mais de um ano se fez em sua fachada exterior, ao projetar sobre a mesma imagens ecológico-simiescas no mesmo dia da Imaculada Conceição. Ambos fatos merecem um lugar no trio que bem poderia completar-se com a missa satânica celebrada em 1963 na capela paulina no Vaticano, segundo conhecido testemunho de Malachi Martin em seu romance Windswept house.
Trata-se de um sacrilégio, até a data, único em seu gênero. Pois se as visitas a edifícios luteranos da parte de Bento XVI e do próprio Francisco afetavam a potestade, uma tão factível como estrábica interpretação das mesmas (em tempos, como os nossos, de fé desfalecente) podia crer infligida a mancha à pessoa apenas, falível como todas, e não ao cargo; mas a concessão do altar-mor da Igreja, com a sagrada hóstia oculta no tabernáculo sendo ipso facto vilipendiada, já comporta uma profanação inequívoca.
Como já não serve para nada o Magistério, a bula Apostolicae curae de Leão XIII poderá ser entregue às chamas sem escrúpulos, toda vez que aquele papa define ali que “com o íntimo defeito de forma” do ritual de ordenações anglicano, reformado em 1552 após vários anos de ruptura com Roma, “está unida a falta de intenção que se requer igualmente de necessidade para que haja sacramento”, motivo pelo qual, de conformidade com os decretos emanados pelos pontífices precedentes acerca do assunto, “pronunciamos e declaramos que as ordenações feitas em rito anglicano têm sido e são absolutamente inválidas e totalmente nulas” (Dz. 1966). De nada vale, pois, o posterior intento anglicano de recuperar o velho formulário, mais de cem anos depois do cerceamento do primitivo: já então se havia perdido a sucessão apostólica, o que confere às vésperas anglicanas em Roma um valor intrínseco não maior que se lhes cedesse São Pedro para o five o'clock tea, não sem o óbvio efeito sacrílego.
Deste modo, o que se chamou a “evolução homogênea do dogma”, isto é, a explicitação progressiva no tempo do conteúdo implícito na Revelação, veio a ser substituído pela “contra-afirmação heterogênea da doxa”, da mera opinião humana, flutuante e reversível, como para submergir definitivamente toda clareza doutrinal na névoa da ignorância ou na treva das inteligências ofuscadas pelo orgulho. Porque – valha tê-lo sempre presente – a heresia pertence ao âmbito das opiniões, das reservas mentais para com a verdade proposta a nosso assentimento fiel. O que o “livre exame” consagra é a disposição selecionadora do conteúdo da fé, desnaturalizando-a em sua mesma raiz ao pretender arraigá-la na vontade, sendo a fé – como é – uma virtude intelectual. Tudo que provenha desta primeira defecção perpetuará, pois, o erro e o dano.
A exaltação da variedade anárquica, da pluralidade desbocada e o caos que o protestantismo exibe desde seu berço, será caráter logo estendido ao pensamento e à ação – à história moderna, digamos, dimanada daquela violenta ruptura religiosa. O trágico olvido de que só do uno procede o múltiplo impôs um fardo sobre toda a realidade humana, acabando com a instituição monárquica, com as tradições locais e ainda com a família e o matrimônio, âmbito privilegiado da unidade e princípio de sua consolidação civil. É o horror que o caos suscita na consciência humana que inspirou finalmente aos ideólogos a recorrência a uma unidade espúria através do totalitarismo, produto tipicamente moderno capaz de dar acabada conta deste desgraçado processo de atomização e reintegração falaz de cunho voluntarista. Da desintegração extrema à leviatanização: com tal fórmula poderiam sintetizar-se cinco séculos de história moderna.
Unus Dominus, una fides, unum baptisma: na Igreja modernizada ou modernista, da precisa fórmula paulina veio, pois, a escamotear-se o termo do meio, com a finalidade de propiciar uma nova unidade fundada sobre outros princípios, outras opiniões, heterodoxias. “Temos o mesmo batismo, temos que caminhar juntos”, é o galanteio sussurrado nos ouvidos dos protestantes, com crassa omissão de que não temos a mesma fé. A nova unidade, adotada pela “diversidade reconciliada”, é um magma no qual as necessárias distinções ontológicas se dissolvem, onde a virtude e o vício valem o mesmo, onde as noções de bem e mal são frivolidades, onde a ortodoxia equivale à heresia e onde – bem diferente da parábola das bodas reais (Mt 22, 1-14) – todos podem ser admitidos à ceia sem vestir o traje correspondente. Proclama-se, a rigor, um novo e demencial evangelho.
Se pelos gostos se conhece o homem, no caso de Bergoglio conheceremos pelos mesmos também seu programa. O loquaz profeta da nova misericórdia soube apregoar sua afeição pela Crucificação branca de Chagall (quadro no qual o próprio autor assinalou sua intenção de associar o sacrifício de Cristo com o infecto mito da “Shoah”, subordinando inclusive aquele a este), do mesmo modo que não lhe há faltado ocasião de reivindicar “A festa de Babette” como sua película favorita. Assim o expressa em sua controvertida Amoris laetitia:
As alegrias mais intensas da vida surgem quando se pode provocar a felicidade dos outros, em uma antecipação do Céu. Cabe recordar a feliz cena do filme A festa de Babette, onde a generosa cozinheira recebe um abraço agradecido e este elogio: “Como deliciarás os anjos!”. É doce e consoladora a alegria de fazer as delícias para os outros, vê-los usufruir delas. (§129)
Não tínhamos referências à obra e, por isso, não alcançávamos em toda sua plenitude o que Bergoglio pretendia traficar-nos com semelhante alusão. Veio em nosso auxílio um recente artigo do blog de Barônio, onde se nos noticia da infausta fisionomia da autora do livro no qual se inspira a película, Karen Blixen, uma escritora danesa convencida de que o bem e o mal são intercambiáveis: “somos nós mesmos que julgamos bom ou mau algo que por si é ambivalente, e que se torna bom ou mau segundo nosso juízo, segundo nosso discernimento pessoal. Caso a caso. E recordaremos também que Blixen – quando descobriu haver contraído sífilis de seu primeiro marido, durante sua estada na África – entregou sua própria alma ao diabo, de modo que toda a experiência vivida pudesse ser vertida em seus contos”. O animismo e a bruxaria, ao que parece, foram a obscura religião desta desnorteada nórdica cujas fantasias agradaram tantíssimo a Bergoglio.
Estritamente falando, o que Francisco pondera é a película, que do livro original faz uma interpretação um tanto abusiva. Em poucas palavras, a história trata de uma esplêndida comida oferecida por uma cozinheira francesa a um grupo de comensais noruegueses pertencentes a uma comunidade luterana, doze ao todo, que honram com este ágape a memória do fundador. O que a película não conta é que, na história original, a cozinheira é uma terrorista fugitiva de sua nação que, empregada em uma vila norueguesa pelas filhas de um pastor luterano local como governanta, oferece este banquete com o dinheiro obtido ao ganhar a loteria para demonstrar sua gratidão a seus protetores e, ao mesmo tempo, mostrar sua habilidade nas artes culinárias. Sua condição de francesa poderia sugerir sua filiação católica, se o livro não explicitasse seu passado anarquista e criminoso.
Conclui Barônio:
Babette, portanto, não é um personagem positivo, não é o anjo que deixa entrar uma réstia de luz católica na escuridão na qual se encontram os membros da seita. Ela é antes um personagem dir-se-ia quase infernal, que depois de haver-se beneficiado da generosa hospitalidade de uma pequena comunidade e de haver merecido sua confiança, seduz as mentes e os corações persuadindo-os de que as diferenças doutrinais e ideológicas – mantidas sempre em silêncio – podem ser superadas no encontro naquilo que cremos compartilhar: a mesa […].
A ceia de Babette é o âmbito da vingança hedonista por sobre os sacrifícios dolorosos do passado […] que são reabsorvidos em um presente dionisíaco, diante da memória ridicularizada do Decano, quase obrigado a assistir à traição de sua comunidade. Tampouco deve-se olvidar a reprovação da severidade formalista do defunto, a qual se atribuem as renúncias das filhas Martina e Philippa, frustradas em suas aspirações por uma visão beata e esclerosada da fé.
Aquilo que restava da união com o sacrifício de Cristo na contudo distorcida visão luterana dissolve-se toda vez que Cristo é desterrado do
convivium. Dessa maneira a ceia, que até então congregava em torno da pobre mesa os fiéis da seita para comemorar seu fundador, com babette se transforma em uma celebração da comunidade tornada um fim em si mesma.
A tal ponto torna-se supérflua a figura do sacerdote, que Babette pode permanecer na cozinha. Ela é o
deus ex machina que prepara tudo, assim como Bergoglio prepara uma nova religião, deixando que os acontecimentos falem em primeira pessoa.
Assim, a puro golpe de acontecimentos, com a inexorabilidade dos fatos consumados, se vai acelerando aquilo que a Escritura designa como a “abominação da desolação” e a “supressão do sacrifício cotidiano”, conforme a estratégia revolucionária de pegar primeiro e, se é possível, mais uma e ainda outra vez antes que se produza a tardia reação: tal é a confiança (audácia) que os maus têm na confiança (inércia) dos bons. Primeiro a ruptura litúrgica, com sua sequela indetível e crescente de abusos que ao cabo de algumas décadas tornam irreconhecível o mesmo ritual romano reformado; depois, a dispensa para comungar em pecado mortal segundo a teoria do discernimento, outrora condenada como “moral de situação”. Imediatamente depois, a abertura de lacunas pelas quais enfiar a discussão do diaconato feminino e o celibato sacerdotal, após uma práxis já folgadamente imposta de “ministros extraordinários” do culto. Que falta para que às liturgias inter-religiosas e à ceia anglicana suceda uma iminente modificação na fórmula da consagração, para evitar que a importuna Vítima sacrificial se faça presente sequer entre os degradados paramentos do Novus Ordo?
Ubi corpus, ibi aquilae. Umas, as águias congregadas para alimentar-se, que “seguem o Cordeiro onde quer que este vá” (Ap 14, 4); outras, que descem a pique para proscrever Deus de nossos altares. O sacrossanto Corpo de Cristo está no centro da guerra escatológica.”

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Roberto de Mattei: Um Papa violento?


“Contra a evidência, pouco se pode argumentar. A mão estendida pelo papa Bergoglio à Fraternidade São Pio X é a mesma que cai nestes dias sobre a Ordem de Malta e sobre os Franciscanos da Imaculada.
O assunto da Ordem de Malta foi concluído com a rendição incondicional do Grande Mestre e a volta ao poder de Albrecht von Boeslager e do poderoso grupo alemão que ele representa.
Ricardo Cascioli resume a questão nestes termos em A Nova Bússola cotidiana: O responsável pela deriva moral da Ordem foi reabilitado, e despediram quem tentou detê-lo.
O ocorrido supõe um desprezo total pela soberania da Ordem, como se depreende da carta dirigida no passado 25 de janeiro pelo secretário de estado vaticano Pietro Parolin aos membros do Soberano Conselho em nome do Santo Padre, com a qual a Santa Sé interveio de fato na Ordem.
Seria lógico que os outros cem estados que mantêm relações diplomáticas com a Ordem de Malta retirassem seus embaixadores, dado que podem manter relações diretas com o Vaticano, do qual já depende totalmente a Ordem.
O desprezo que manifesta o papa Francisco pela lei se estende do direito internacional ao direito civil italiano.
Um decreto da Congregação dos Religiosos com a aprovação do Papa impõe ao padre Stefano Maria Manelli, superior dos Franciscanos da Imaculada, a proibição de dirigir-se aos meios de comunicação ou falar em público, assim como de participar de qualquer iniciativa ou encontro. E sobretudo, “devolver no prazo de 15 dias a contar do recebimento do presente decreto o patrimônio econômico administrado por associações civis e qualquer outra quantidade a sua disposição de cada um dos institutos”. Quer dizer, devolver à Congregação dos Religiosos os bens patrimoniais dos quais, como afirmou o Tribunal de Apelação de Avellino, o padre Manelli não pode dispor porque pertencem a associações legalmente reconhecidas pelo Estado italiano.
“Em 2017, na Igreja da Misericórdia”, comenta Marco Tosatti, “só faltam tormentos como a garrucha e a máscara de ferro para que o catálogo esteja completo”.
Como se não bastasse, monsenhor Ramon C. Argüelles, arcebispo de Lima (Filipinas), teve notícia de sua destituição por um comunicado da Sala de Imprensa Vaticana.
Desconhecem-se os motivos de tal medida, mas se podem intuir: monsenhor Argüelles reconheceu canonicamente uma associação que agrupa ex-seminaristas dos Franciscanos da Imaculada que abandonaram a ordem a fim de poderem estudar e preparar-se para o sacerdócio com plena liberdade e independência. Trata-se de uma culpa, por tudo que se vê, imperdoável.
Surge a pergunta de se não será Francisco um papa violento, se entendemos bem o sentido da palavra. A violência não é a força exercida de modo cruento, mas a força aplicada de maneira ilegítima, menosprezando o direito, com vistas a alcançar os próprios fins.
O desejo de monsenhor Bernard Fellay de regularizar a situação canônica da Fraternidade São Pio X mediante um acordo que não prejudique de modo algum a identidade de seu instituto é certamente admirável, mas cabe a pergunta: é oportuno colocar-se sob a tutela de Roma precisamente no momento em que se despreza o direito, ou inclusive se o utiliza como um meio para reprimir a quem quer ser fiel à fé e à moral católicas?”

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domingo, 8 de janeiro de 2017

O caçador de padres

“A Irlanda é uma nação antiga com uma longa memória. Os católicos da Irlanda (católicos de verdade, não os Loucos Novus-Ordo) olham para Bergoglio e instintivamente dizem, ‘caçador de padres’. O fenômeno histórico do caçador de padres está entranhado na memória coletiva da Irlanda católica. Os caçadores de padres eram geralmente padres apóstatas pagos pelos protestantes ingleses que traíam os padres fiéis informando e testemunhando contra eles – para que fossem condenados por ‘traição’ e depois enforcados-arrastados e esquartejados-estripados (vivos).
Jorge Bergoglio prega uma religião sem fé sobrenatural e sem uma lei moral objetiva – uma religião que se opõe diretamente à autoridade do Deus revelador.
Os Papas Conciliares presidiram ao longo e prolongado deslizamento em direção à apostasia. Bergoglio, contudo, não tem sequer o pequeno núcleo da semente de mostarda de fé dos Papas Conciliares; daí ser ele o indicado pela Maçonaria para presidir à demolição controlada da Igreja Católica. Membros de alta hierarquia do Time Bergoglio já deixam saber discretamente que o sínodo de outubro será a ocasião de demolir o que resta da tradição católica na “Igreja conciliar”.
Então o Pagão Infiel rasgará sua máscara, o “Pontífice” se transformará no Caçador de Padres – e virá a provar-se que os católicos irlandeses tinham razão com a transição de Bergoglio de ‘Sumo Sacerdote’ para ‘Grande Lorde Executor’.”
(Pe. Paul Kramer, em postagem no Facebook)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Que se pode esperar da interpelação dos cardeais “rebeldes”?


“A parte sã do catolicismo tomou conhecimento, possuída de um sentimento misto de surpresa e conforto, da interpelação dirigida ao santo padre por quatro cardeais a propósito de problemas de teologia moral suscitados pela exortação pós-sinodal Amoris Laetitia. A solene interpelação, que restou ignorada pelo destinatário, consistiu nas dubia referentes, basicamente, a duas questões: podem ou não os divorciados “recasados” civilmente receber os sacramentos da confissão e da eucaristia; há ou não há ações intrinsecamente más, ou seja, há normas morais absolutamente obrigatórias independentemente das circunstâncias?
O motivo da surpresa da parte sã do catolicismo diante da reação dos cardeais à revolução bergogliana é que os eminentes purpurados são eclesiásticos que, ao que consta, jamais manifestaram uma discordância quanto ao curso percorrido pela Igreja desde o Vaticano II. Aliás não seriam criados cardeais pelos papas da Igreja conciliar.
Quer dizer, são dignitários que aceitam, por exemplo, a Gaudium et spes, documento conciliar que introduz uma mudança na doutrina da Igreja sobre a hierarquia de fins do matrimônio (o que, sem dúvida, favorece a ideia tão cara aos católicos modernos, de aceitar a possibilidade de reconstruir uma vida feliz após o fracasso de um primeiro casamento, esquecidos do dogma da indissolubilidade do vínculo). São cardeais que aceitam Dignitatis humanae, a declaração conciliar sobre a liberdade dos cultos, que dá primazia à consciência errônea sobre a verdade objetiva. Declaração que escarnece o bem comum da sociedade representado pela unidade do povo cristão em torno da religião católica como sua alma. Declaração que, em germe, contém os erros flagrantes da exortação pós-sinodal ora impugnada.
São cardeais que aceitam do mesmo modo a nova exegese proposta pela Dei Verbum, que nega a inerrância absoluta da Sagrada Escritura, restringe a divina inspiração bíblica às verdades salvíficas e adota a teoria protestante de uma única fonte bíblica da revelação. De maneira que, nesta perspectiva, os purpurados autores da interpelação contra o pontífice, em princípio, não são teólogos da tradição em sentido estrito.
Em suma, os interpelantes aceitam perfeitamente o concílio, o espírito do concílio, a reforma litúrgica, o ecumenismo, o espírito de Assis, a nova eclesiologia da Lumen gentium, com a sua infeliz expressão subsistit. A qual expressão também favorece os erros que consideram encerrados em Amoris Laetitia, na medida em que diz que a Igreja de Cristo é constituída pelas igrejas cismáticas que há milênios aceitam as orientações da exortação de Francisco I.
De modo que o motivo da surpresa ou espanto é que os senhores cardeais sabem apontar os problemas doutrinários da exortação pós-sinodal sem, todavia, verem a relação dos mesmos com o Concílio Vaticano II, quando Francisco I, com toda razão, diz seguir o concílio e o caminho traçado por seus predecessores. É realmente desejável que os cardeais interpelantes verifiquem que há tal relação e se lembrem de que um pequeno erro no princípio se torna grande no fim. Se é que se pode dizer que os erros do Vaticano II são pequenos!
Com efeito, acode-me à memória a história do rei Acab. Diz o III livro dos Reis que quando o Senhor quis induzi-lo em erro consultou todo o exército do céu e perguntou quem enganaria a Acab. Então o espírito maligno se adiantou e disse: “Eu o enganarei”. E o Senhor lhe disse: “De que modo?” E ele respondeu: “Eu sairei, e serei um espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas”. E o Senhor disse: “Tu o enganarás, e prevalecerás: Sai, e faze-o assim.”
O Doutor Santo Agostinho comenta a passagem bíblica dizendo que “era justo que Acab, que não tinha crido no Deus verdadeiro, fosse enganado pelo falso.”
O que quero dizer é que todos os teólogos que desprezaram ou relativizaram o alto alcance da Pascendi de São Pio X e não quiseram ouvir a Humani generis de Pio XII, mas aderiram à Nouvelle Theologie e constituíram a “linha média” da Igreja pós-conciliar, e motejaram dos católicos da tradição como uns estouvados, uns exagerados e radicais que não sabiam interpretar bem o Vaticano II, e hoje estão perplexos com a desenvoltura de Francisco I, foram merecidamente enganados pelo espírito mentiroso por uma especial permissão divina, justamente por terem desprezado, por exemplo, o alcance do magistério tradicional e menoscabado daqueles que, como Dom Lefèbvre e Dom Antonio de Castro Mayer, (a quem acusavam de ser rebeldes e cismáticos, as mesmas injúrias que hoje são assacadas contra eles) diziam que as inovações do Vaticano II levariam à ruína da Igreja.
Sem dúvida, a linha média, que hoje se sente enganada e escandalizada com as atitudes de Francisco I, paga o preço da aliança que fez com a ala mais radical da Nouvelle Theologie para vencer, nos embates do concílio Vaticano II, os católicos que queriam permanecer fiéis aos anátemas lançados pelos grandes papas contra o liberalismo e o modernismo. Na verdade, queriam o aggiornamento. Mas agora não querem colher seus frutos mais amargos.
Bem sabemos: Nosso Senhor não abandona a sua Igreja. Não permitirá que o espírito mentiroso chegue a destruí-la. Serve-se dele apenas para castigar os infiéis. Este é o nosso conforto.
De modo que cremos que Deus Nosso Senhor, por intercessão da Imaculada Conceição, poderá conceder a todos os católicos da linha média, que hoje estão escandalizados, a graça de que cessem de ouvir os falsos profetas inspirados pelo espírito mentiroso, tomem consciência dos problemas não só da exortação Amoris Laetitia mas também dos “pequenos erros” do Vaticano e de todas as problemáticas reformas pós-conciliares.
Mas se acolherem essa graça terão de sofrer como Miqueias, o profeta verdadeiro desprezado por Acab. Miqueias foi condenado à cadeia e a ser sustentado com o pão de tribulação e a água de angústia. Semelhante sorte parece reservada aos quatro cardeais, pelo que disse há pouco o presidente da Rota Romana.
Tenho esta esperança. Rogo a Deus pelos cardeais interpelantes.
Oxalá possa alguém escrever sobre eles um livro semelhante àquele que há muitos anos atrás foi escrito por Dr. Ricardo Dip: “Monseigneur Marcel Lefèbvre: rebelde ou católico?”

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sábado, 3 de dezembro de 2016

Cinco "dubia"


“Em um escândalo de gravidade sem precedentes mesmo no reinado escandaloso do Papa Francisco como Papa Católico desde 2013, quando foi desafiado por quatro honrados Cardeais em sua aparente negação da própria base do ensino da Igreja sobre a moral, ele acaba de dar respostas em público que praticamente afirmam a liberdade do homem em relação à lei moral do Deus Todo-Poderoso. Com essa afirmação papal da religião Conciliar do homem em oposição à religião católica de Deus, um cisma na Igreja Universal é iminente. Durante meio século desde o Vaticano II, os papas conciliares conseguiram manter-se, de certa forma, como chefes de duas religiões opostas, mas essa contradição não poderia durar indefinidamente e logo deveria resultar em uma divisão.
Em 2014 e 2015 Francisco realizou Sínodos em Roma para consultar os bispos do mundo sobre questões relativas à família humana. Em 19 de março deste ano ele publicou sua Exortação Apostólica pós-sinodal sobre “Amor na Família”, cujo oitavo de nove capítulos suscitou controvérsias desde o começo. Em 15 de setembro quatro Cardeais em particular enviaram ao Papa uma carta privada e perfeitamente respeitosa na qual pediram a ele, como Sumo Pontífice, que esclarecesse cinco “dubia” ou pontos duvidosos de doutrina deixados pouco claros na Exortação. Aqui está a essência dos cinco pontos:
1. Da Exortação nº 305, uma pessoa casada vivendo como marido e mulher com uma pessoa que não seja seu cônjuge legítimo a partir de agora pode receber a Absolvição e a Comunhão sacramentais enquanto eles continuam a viver em seu estado semimatrimonial?
2. Da nº 304, alguém precisa acreditar que existam ainda normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus, e que são sem exceção obrigatórias?
3. Da nº 301, alguém pode, ainda, dizer que uma pessoa vivendo em violação aos mandamentos de Deus, por exemplo, em adultério, está em uma situação objetiva de pecado habitual grave?
4. Da nº 302, alguém pode, ainda, dizer que as circunstâncias ou intenções em torno de um ato intrinsecamente mau em si mesmo nunca podem mudá-lo para que seja subjetivamente bom, ou aceitável como uma escolha?
5. Da nº 303, ainda, devemos excluir qualquer papel criador da consciência, e então esta consciência nunca poderá autorizar exceções às normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus por seu objeto?
Para estas cinco questões de sim-ou-não a resposta da Igreja Católica de Seu Divino Senhor em diante sempre foi clara e nunca mudou: a Comunhão não pode ser dada aos adúlteros; há normas morais absolutas; tal “pecado habitual grave” existe; as boas intenções não podem tornar atos maus em bons; a consciência não pode fazer com que atos maus sejam legítimos. Em outras palavras, para as cinco perguntas de sim ou não, preto ou branco, a resposta da Igreja sempre foi: 1. Não, 2. Sim, 3. Sim, 4. Sim, 5. Sim.
Em 16 de novembro, há apenas dez dias, os quatro Cardeais escreveram sua carta pública (cf. Mt. XVIII, 15-17). Em 18 de novembro, em uma entrevista concedida ao periódico italiano Avvenire, o Papa Francisco respondeu o exato oposto das questões sim-ou-não: 1. Sim, 2. Não, 3. Não, 4. Não, 5. Não. (Ele afirmou que cada vez que “tais coisas não sejam pretas ou brancas, somos chamados a discernir”, mas estava meramente tentando confundir as questões imutáveis de princípio com questões instáveis de aplicação de princípios que vêm após as questões de princípio).
Todo crédito aos quatro Cardeais por obterem luz e verdade para muitas ovelhas confusas que desejam entrar no Paraíso: Brandmüller, Burke, Caffara e Meisner. Eles podem estar imersos no Novus Ordo, mas obviamente não perderam toda a coragem ou senso de seu dever. Não se pode questionar que eles tenham agido de outra forma que não com o melhor dos motivos para pressionar o Papa a fazer-se a si mesmo mais claro. E onde essa clareza deixa a Igreja? Deve ser à beira do cisma.”
(Mons. Richard Williamson, Five “Dubia”)

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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O Putsch da misericórdia

"Bergoglio foi levado ao balcão das bênçãos pelos que pensavam que havia chegado o momento de afundar finalmente a barca de Pedro. Para o povo de Deus bastou que lhe atirassem sem custo algum os amendoins da demagogia, aquela demagogia que depois do sessenta e oito comoveu as classes média e alta seduzidas pelo pobre fingido. O amor masoquista dos sacerdotes conciliares aos inimigos oficiais da Igreja de Cristo devia ser finalmente correspondido. Assim, cada maitresse à penser de Reppublica e arredores podia gritar ao mundo que a Igreja morreu e depois viva a nova Igreja!, por definição outra em relação à anterior: exilado um Papa, cria-se uma nova Igreja.
Mas em que consiste a nova Igreja, já não mais católica romana? É a que deve conquistar a primazia superando inclusive o protestantismo para pôr-se ao serviço e a reboque do século. Precisamente ao serviço da onda que está arrasando uma civilização junto com sua religião, depois da aniquilação da filosofia e da estética. Só a moral havia sobrevivido por algum tempo à filosofia e à estética por estar ligada ao espírito de sobrevivência da sociedade e dos indivíduos. A Igreja oficial com seu Magistério tratava de manter com vida a moral cristã, por muito debilitada que esta estivesse. Bento XVI advertiu: se se abandonam os princípios e se substituem pela liberdade do nada e de seu horror, não se salvará ninguém. Havia lançado o último alarme antes que se deflagrasse a guerra. Os princípios foram suprimidos, substituídos pela liberdade do nada, para o nada e para seu horror.
O sínodo da família foi estabelecido por Bergoglio como assembléia constituinte com a tarefa de decretar o fim da Igreja católica, com o repúdio de seu ensinamento a partir da moral da família. O programa desta morte anunciada está todo detalhado no parágrafo 9 da Relatio final do sínodo de 2014, que passou a ser a base para o sínodo definitivo de outubro próximo. Merece uma leitura cuidadosa. Lemos que se deve ter em conta principalmente isto: "... os indivíduos têm uma maior necessidade de cuidarem de si mesmos,... de se conhecerem interiormente, de viverem mais em sintonia com suas próprias emoções e seus sentimentos, de buscarem relações emocionais de qualidade", pelas quais "esta legítima aspiração pode estimular o desejo de comprometerem-se na construção de relações de doação e reciprocidade criativas, responsáveis e solidárias como as familiares", "... o desafio para a Igreja é o de ajudar os casais no amadurecimento da dimensão emocional e no desenvolvimento afetivo..."; e mais adiante, no parágrafo 10 – que em homenagem às bandeiras mencionará pelo menos o amor conjugal – se expressa a queixa de que "muitos tendem a permanecer nos estágios primários da vida emocional e sexual".
O alcance desta passagem representa provavelmente o verdadeiro manifesto da nova igreja de Bergoglio, que não tem mais nada que ver com a teologia e a moral católica. É o verdadeiro manifesto de uma revolução que deve ser proclamada oficialmente. Aquela que suprime a alma e consagra ao ídolo da matéria.
Quando Jesus se encontra com a mulher adúltera, não lhe pergunta qual foi o "caminho" psicológico que a conduziu à traição de seu marido, quais foram as pulsões e as emoções pelas quais se deixou levar. Não faz indagações psicológicas, mas diz-lhe simplesmente: "vai-te e não peques mais". Ordena-lhe recorrer à vontade e orientá-la pelos caminhos do bem. Fala do pecado que supõe a transgressão do mandamento divino. Fala ao espírito da mulher porque o homem, feito à imagem e semelhança de Deus, tem a capacidade de reconhecer o bem e é suscetível a persegui-lo: tem a sabedoria dada por Deus e a vontade para fazê-la frutífera. A transgressão ocorre quando o homem, por soberba, pensa alcançar uma sabedoria superior à que lhe foi dada e ordenar sua própria vontade numa direção oposta à desejada por Deus Criador e revelada por Jesus à consciência do homem individual.
Assim à Igreja foi dada a tarefa de perpetuar a paidéia cristã voltada à salvação da alma através da busca do bem que conduz à virtude e à felicidade duradoura, a despeito das tentações e da tirania da matéria. A Igreja a isto se dedicou durante séculos, apesar das insuficiências e das quedas de seus homens.
Mas eis que na visão do programa sinodal não há nada de tudo isto. Não há nenhuma indicação do bem a realizar e do mal que se deve evitar, da direção que se deve dar à vontade. Não consta a preocupação pela salvação das almas, mas pelo bem-estar dos corpos e das mentes. Não há um apelo à razão humana conformada ao logos divino revelado por Cristo, mas sim a atenção obsequiosa ao irracional que, abandonado a si mesmo, torna-se a anti-razão capaz de iluminar monstros. A Igreja teria que ensinar aquilo que os discípulos já sabem fazer muito bem por si mesmos: secundar impulsos, buscar emoções, trocar o bem pelo bem-estar, deixar de lado a razão e dar lugar precisamente ao irracional, como sugerem os sofistas anteriores a Sócrates e como prega o relativismo moderno. Por outra parte, inclusive fora de um ponto de vista religioso, dever-se-ia recordar com Jaspers que "rebelando-nos contra a razão, eludimos o elemento dialético de reflexão e tornamo-nos bárbaros no sentido grego da palavra, quer dizer, homens que falam uma linguagem sem sentido. Para este tipo de irracionalidade valem as palavras de Mefistófeles: 'despreza saber e razão, faculdades supremas do homem, deixa que o espírito de mentira te enrede cada vez mais em obras de falsidade e de feitiço, e eu já te terei em minhas mãos'".
Certamente a barbárie pós-moderna não precisava de estímulos "pastorais". Para ela trabalham o tempo todo movimentos homossexuais, pornografia e blasfêmia, Marco Pannella e Bill Gates, Elton John e a OMS, o abortismo de qualquer cor, a cultura da morte. Os frutos mais recentes são aqueles inomináveis daquele tipo genial que através da inseminação artificial pôde produzir a gravidez de sua mãe. Sem ter todavia o impulso – o que seria benéfico para ambos – de cegar-se com suas próprias mãos como o inculpável Édipo. E no entanto, e apesar de tudo isto, segundo a visão do mundo propagada por Bergoglio e outros marcianos (no sentido de "aquartelados em Santa Marta"), a Igreja não deve ensinar o que é objetivamente bom, os comportamentos não devem estar orientados ao que é bom para todos e que poderia ser irradiado por todos, mas devem voltar-se à satisfação de todas as forças que correspondem à subjetividade irracional do homem, ao mundo das pulsões e das emoções, a única lente com a qual ler a realidade para adaptá-la às próprias particulares exigências. É evidente que neste ambiente não há lugar para nenhuma outra norma que guie as ações humanas e ofereça inclusive um critério objetivo de juízo.
Por outra parte a massa festiva, faminta dos amendoins demagógicos, parece também totalmente inconsciente do que está acontecendo e incapaz de prever o que se vai passar, entre o ruído da mídia e as vozes persuasivas daqueles sacerdotes que se sentem também felizmente liberados.
Mas alguns na Igreja, assim como entre os fiéis, perceberam a traição ao Evangelho e a sua Igreja milenar, e não querem ser partícipes. Alguns não temem falar alto e claro. São homens que não se deixam intimidar pelas prepotências patronais nem pela indolência de seus irmãos, e muito menos pela propaganda de regime clérigo-comunista. Assim, o resultado do sínodo poderia ser tido como menos certo do que se tentou arranjar. Eis aqui, então, o golpe. Eis aqui a idéia formidável de outorgar veste sacra ao programa político revolucionário. Basta colocá-lo na forma solene do jubileu. Aquele que ocultará, inclusive aos desconcertados e aos ignorantes ou confundidos, a subversão da missão da Igreja sob uma carga de pathos religioso. A misericórdia de Bergoglio, a anistia geral com cancelamento retroativo do pecado, tem que ter uma veste teológica e sacra capaz de aniquilar qualquer resistência.
Para as religiões primitivas a exaltação mística representava também a sublimação do irracional e da carnalidade. O jubileu da misericórdia de Bergoglio aponta para a sublimação dos novos ritos da modernidade assumidos como ritos da nova Igreja do terceiro milênio, ecumênica, atéia e popular, e produzirá pela força mesma das coisas sua consagração definitiva. Um Vangi qualquer poderá forjar à sua maneira a estátua da nova misericórdia para colocar no lugar do São Pedro que abençoa.
A monarquia papal já foi substituída, em meio à indiferença geral, pela ditadura papal. Uma vez dissolvida a assembléia constituinte, se verá. Bergoglio diz ter pouco tempo. Mas não porque, como alguns pensam, já esteja avançado em anos. Pensa ter pouco tempo porque a revolução, para ser eficaz, deve jogar com o fator surpresa e talvez, no intento de domesticar os fiéis e de acostumá-los a tudo, se tenha abusado um pouco das surpresas, e até a náusea. Há pouco tempo porque a resistência, já preparada para o pior, quiçá se esteja organizando, e os frutos da nouvelle vague vaticana começam a parecer demasiado onerosos até para os simpatizantes de primeira hora.
Se as resistências forem rapidamente neutralizadas, depois com a misericórdia que tudo libera, que abre as portas da moral cristã à criatividade do século, todos se sentirão ébrios e liberados. Poder-se-á inclusive derrubar a basílica vaticana como se fez com a Bastilha, embora faça já tempo, ainda ali, que não haja quase ninguém para defendê-la. Enquanto isso, o Jubileu da Misericórdia se anuncia como a Declaração de Direitos de 89: dos que hoje se tornaram, sob renovados despojos, a carta de suicídio de uma civilização."
(Patrizia Fermani, Il Putsch della Misericordia)

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Bergoglio e Lutero


“Dentro de poucos dias o papa Bergoglio irá à Suécia participar das comemorações do quinto centenário da revolução luterana.
O gesto do pontífice, embora não nos surpreenda, não deixa de desconcertar-nos. Não nos surpreende porque seu predecessor João Paulo II agia nessa direção, tendo mandado depositar flores na campa do heresiarca, e os teólogos da Nouvelle Theologie, condenados por Pio XII e reabilitados após o Vaticano II, não escondiam sua admiração pelo falso reformador, monge crapuloso, comilão e beberrão, inventor da máquina de genocídio do mundo moderno. Não nos surpreende porque na nova religião há quem chegue a manifestar, senão simpatia, ao menos compreensão por Judas Iscariotes, dizendo que ninguém pode julgá-lo, num esforço vão de inocentar o filho da perdição.
Entretanto, o gesto de Bergoglio nos desconcerta porque de um papa, principalmente em se tratando de um filho de Santo Inácio de Loyola, queríamos poder esperar que seguisse o exemplo de seus irmãos maiores São Roberto Belarmino, São Pedro Canísio e tantos outros gloriosos santos jesuítas.
Com efeito, no quinto centenário da falsa reforma luterana, os católicos tínhamos o direito de esperar que o papa renovasse as condenações de Leão X e do Concílio de Trento contra os erros dos pseudo-reformadores e exortasse os hereges de hoje, herdeiros dos erros do século XVI, a abjurar suas doutrinas heréticas e a voltar para o seio da única Igreja de Cristo.
Tínhamos igualmente o direito de ver a Igreja pronunciando um juízo sobre as  consequências históricas das heresias do século XVI, como o faziam os bons manuais de apologia de antes do Vaticano II (por exemplo, o excelente manual de mons. Cauly). De fato, se cumpre pronunciar-se sobre a terrível efeméride, não se esqueçam as vítimas dos monstruosos hereges. Foram tantos os mártires católicos, foram tantos, também, os pobres camponeses alemães enganados por Lutero e depois esmagados brutalmente numa carnificina horrenda por ordem do mesmo heresiarca.
Realmente, parece que hoje se dá no plano religioso-ecumênico a mesma demagogia que se observa no noticiário policial: não faltam palavras de compaixão pelo bandido e nenhuma palavra de solidariedade pela família da vítima. Sobram palavras de compreensão para os desmandos, blasfêmias e imoralidades de Martinho Lutero e não se diz uma palavra em defesa da Roma dos papas, que Lutero chamava Sinagoga de Satanás e Trono do Anticristo.
No balanço histórico dessa negra efeméride poderia ocupar um lugar de destaque a rainha Maria Stuart da Escócia, outra vítima dos hereges fanáticos do século XVI. A vida dessa rainha infeliz, além de ilustrar perfeitamente a diferença entre a mentalidade católica e a mentalidade protestante, lança uma luz admirável sobre a verdadeira misericórdia divina, tal como a entendeu sempre a Igreja. Lança também uma luz sobre o que seja o verdadeiro ecumenismo. Como se sabe, Maria Stuart, depois de ter cometido vários erros graves em sua vida, caiu em desgraça nas mãos da sua prima degenerada rainha “virgem” e histérica Isabel da Inglaterra. Acusada de uma falsa conspiração forjada pelos protestantes, foi obrigada a comparecer diante de um simulacro de tribunal e condenada à morte por uma sentença iníqua de sua prima herege. Proibida de receber os últimos sacramentos de um sacerdote católico, recusou-se a receber qualquer assistência de um ministro herético e morreu santamente como uma princesa católica.
O filho de Maria Stuart, rei Jaime I da Inglaterra (Jaime VI da Escócia), um demente que participou de toda maquinação do regicídio da própria mãe, poderia ser considerado patrono do ecumenismo dos nossos dias. Com efeito, o celerado monarca, que tinha pretensão de ser teólogo, mandou sepultar o corpo de sua mãe católica na cripta dos reis da Inglaterra na abadia de Westminster e esculpir uma estátua dela ao lado da estátua da megera Isabel I (Quando na verdade Maria Stuart tinha disposto em seu testamento que queria ser sepultada na França católica, da qual fora rainha, junto ao jazigo de sua mãe Maria de Guise).
De fato, o gesto de Jaime I, pondo lado a lado as estátuas da perversa protestante Isabel e da infortunada rainha Maria Stuart, parece reproduzido hoje no século XXI quando a orgia de um falso ecumenismo emascula o sacerdócio, corrompe a doutrina sagrada e provoca a ira divina.”

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domingo, 2 de outubro de 2016

Sicut una inter pares


“Celebrando outro dia a Missa da festa de São Mateus, ao rezar o prefácio (Missal Paulo VI, 2º prefácio dos Apóstolos), afirmava, crendo no que rezava, uma proclamação da fé católica e, ao mesmo tempo, um louvor a Cristo, que nos entregou esse mistério de salvação, do qual participamos e no qual vivemos:
“… Porque constituístes a vossa Igreja sobre o alicerce dos apóstolos, para que ela fosse, no mundo, um sinal vivo de vossa santidade e anunciasse a todo o mundo o evangelho da salvação...”
Depois, meditando sobre o celebrado e rezado, perguntava-me se a Igreja, a atual, a pós-conciliar, a que encabeça visivelmente PP Franciscus, podia considerar-se consciente, sapiente e operante segundo esse mistério proclamado e rezado no sobredito prefácio.
A nova edição de Assis (e as anteriores) nos diz que não, que a Igreja que vai a Assis deixou de crer em seu mistério, em sua essência, em sua vocação. A Igreja de Assis se sente cômoda sendo una inter pares.
O enfermo, o anômalo, o desconcertante, é que os que se sentam como iguais à Igreja na mesa de Assis são cismáticos, hereges cristãos, infiéis anticristãos e pagãos contracristãos, um mostruário, alardeavam, de 500 representações de todo o mundo.
Tive um amigo sacerdote que, algumas vezes, me chamava para pedir-me que benzesse uma imagem, ou celebrasse alguma Missa solene, ou pregasse algum sermão. Dava a impressão de que ele mesmo não levava a sério sua potestade, seu ministério, a graça da qual era administrador. Depois de alguns anos, deixou o ministério. Ainda creio que seu caso foi de uma vocação sincera mal formada, mal dirigida e mal vivida. Por isso suas vacilações. Por isso seu incômodo de sentir-se sacerdote e atuar como tal.
A Igreja que vai a Assis parece sentir-se incômoda consigo mesma, duvida de seu caráter sobrenatural, se descoordena de sua missão ultraterrena e se alia com instâncias do mundo com o álibi-desculpa de compartilhar uma mesma vontade sobre a paz. Uma paz que, como conceito, é impossível que seja coincidente essencialmente se se expressa segundo os respectivos credos dos assistentes em Assis. A paz de Cristo não é a paz dos judeus, nem a dos maometanos, nem a dos budistas, nem a dos confucionistas, os jainistas ou os bahai. Não existe uma paz comum entre os homens. A Igreja se desidentifica se convoca uma impossível oração global para uma inexistente e inexistível paz universal.
Para um cristão, para um católico, estremece ver o cenário de Assis enquanto se abandona o Evangelho porque se prefere a convergência vã de todos (que não são todos) à pregação da conversão a Cristo e a sua paz verdadeira, que é dom celestial e não pacto terreal.
Rezamos sem crer o Gloria in excelsis Deo et in terra pax hominibus bonae voluntatis.
… Se é que se reza.”

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domingo, 31 de julho de 2016

Francisco, os refugiados e a guerra de religião


"O papa Francisco disse mais uma vez que o mundo está em guerra. Mas disse também que não é uma guerra de religião, porque 'todas as religiões querem a paz', mas que a causa da guerra é a luta pelo poder e pelo controle dos recursos econômicos. No mesmo discurso, disse também que se deve acolher os refugiados que fogem da fome e da guerra.
Os católicos, como se sabe, consideramos que o papa é infalível quando define doutrinas de fé e moral no contexto concreto de uma 'solene declaração pontifícia' (o célebre 'ex cathedra'). Fora disso, e em matéria de julgamento, o papa é um homem como os outros, e portanto suas opiniões, embora fundadas na autoridade pessoal, são discutíveis. Não só são discutíveis, como é bom discuti-las em um ânimo de busca desinteressada da verdade.
Jorge Mario Bergoglio é um sacerdote argentino de quase 80 anos que passou quase toda sua vida em seu país natal. É um homem que – como todos – pertence inteiramente a sua circunstância, ou seja, a seu tempo e a seu espaço. Sua experiência pessoal sobre a imigração muçulmana é tipicamente hispano-americana, muito semelhante à que tínhamos os europeus há quarenta anos: os imigrantes vinham à Europa para ganhar a vida desempenhando os trabalhos que os autóctones desprezavam e procurando integrar-se na sociedade que os acolhia. Ainda hoje é assim em boa parte da América, onde os muçulmanos imigrados (apenas três milhões em uma população total de quase mil milhões) não constituem comunidades alheias à sociedade que os acolhe. No caso concreto da Argentina, que é um dos países com maior presença islâmica, falamos de umas 600.000 pessoas em uma população total de quase 42 milhões, ou seja, de 1,4 por cento: uma percentagem demograficamente irrelevante e socialmente ocasional. Com esta experiência vital, é fácil entender que não se perceba problema algum na imigração muçulmana. Também era assim na Europa há quarenta anos.
Hoje, no entanto, as coisas mudaram dramaticamente na Europa. Primeiro: a percentagem de população muçulmana cresceu exponencialmente. Segundo: essa população, em boa parte, criou suas próprias comunidades quebrando os velhos modelos de integração. Terceiro: em seu seio se expandiu uma radicalização identitária que desembocou na simpatia pelo jihadismo. Quarto: no ano passado, ademais, nos deparamos com uma afluência maciça de imigrantes falazmente importada sob a etiqueta de 'refugiados'. Quinto: a onda de violência que estamos vivendo neste último período define por si só a entidade do problema. Seguramente é difícil aceitá-lo com a mentalidade de quarenta anos atrás. Mas, hoje, é isso o que temos.
A mesma reflexão vale para essa outra hipótese de Francisco sobre as guerras e sua origem. A maior parte das escolas de pensamento do século XIX interpretaram sempre os conflitos sob o ângulo materialista da luta pelos recursos. Não era uma interpretação incorreta, mas era incompleta. As idéias, os princípios e as crenças (e também as religiões) têm sua importância. Sobretudo quando uma religião (ou uma determinada corrente dela) prega abertamente a guerra como via legítima para impor sua fé sobre as outras. Esse é exatamente o caso do Islã, e nisto o papa Bento XVI acertou plenamente em seu histórico discurso de Ratisbona. O Islã não é uma religião 'como as outras': é uma teologia política que leva implícita a busca e conquista do poder, como oportunamente acaba de recordar o cardeal Burke. Quer se queira, quer não, também isso, hoje, é o que temos. Menos mal que, nestas coisas, os católicos não estejamos obrigados a seguir o papa. Sabedoria da Igreja."

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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Duas doutrinas opostas sobre a família

“Mas vós não representais quaisquer famílias; vós sois e representais famílias numerosas, aquelas que foram grandemente abençoadas por Deus e que são especialmente amadas e apreciadas pela Igreja como seu tesouro mais precioso. Pois estas famílias oferecem um testemunho particularmente claro de três coisas que servem para assegurar ao mundo da verdade e da doutrina eclesiástica e a sensatez de sua prática, e que redundam, pelo bom exemplo, em grande benefício de todas as outras famílias e da sociedade civil mesma.
Onde quer que se encontrem famílias numerosas, estas são sinal da saúde física e moral de um povo cristão; de uma fé viva em Deus e de confiança em sua Providência; da feliz e proveitosa santidade do matrimônio católico.”
(S.S. Pio XII, no Discurso à Associação de Famílias Numerosas, 20 de janeiro de 1958)

“Eu creio que o número de três filhos por família, segundo o que dizem os técnicos, é o número importante para manter a população. A palavra-chave para responder é a paternidade responsável, e cada pessoa, no diálogo com seu pastor, procura como levar a cabo essa paternidade... Perdoem, mas há alguns que crêem que para sermos bons católicos devemos ser como coelhos, não? Paternidade responsável: por isso na Igreja há grupos matrimoniais; os especialistas nestas questões, e há pastores. Eu conheço muitas vias lícitas, que ajudaram nisso. E outra coisa: para as pessoas mais pobres, o filho é um tesouro; é certo que há que ser prudentes, mas o filho é um tesouro. Paternidade responsável, mas também considerar a generosidade desse papai ou dessa mamãe que vê no filho ou na filha um tesouro.”
(S.S. Francisco, na Coletiva de imprensa durante o vôo de regresso de Manila, Vatican Insider, 19 de janeiro de 2015)

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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Pe. Paul Kramer sobre Fátima e o atual momento da Igreja

"Agora que aconteceu o que Malachi Martin previu a partir de seu conhecimento do 3º Segredo, "o colapso do centro" (i.e o colapso do centro do Cristianismo – o papado); a Maçonaria já está de posse do Vaticano sob o maçom Jorge Bergoglio, que é um herege manifesto e infiel (pois nega as verdades mais básicas sobre religião que pertencem à Lei Natural). O reinado de perfídia de Bergoglio foi previsto por São Francisco de Assis e Irmã Jeanne de la Nativité (Jeanne le Royer). Isto é apenas o começo dos horrores. A política ecumênica de Bergoglio de despojar o Catolicismo de seus ensinamentos doutrinais e morais segundo a agenda maçônica de criar um "Cristianismo sem dogmas" ecumênico (dogmenfreies Christentum) visa à destruição do Cristianismo. A isso se seguirá a Nova Religião, que será Pagã. Todas essas coisas estão descritas na profecia católica. A Igreja terá que descer às catacumbas. Haverá uma vacância da Sé Romana por 25 meses ou mais. Parecerá que a Igreja Católica desapareceu da face da terra. As palavras de Nossa Senhora a Melanie Calvat cumprir-se-ão, "Roma perderá a fé e se tornará a sede do Anticristo".
O bispo Cosme do Amaral exagerou usando a palavra "apenas", quando deveria ter usado a palavra "principalmente" quando disse que o Segredo tem a ver "apenas" com nossa fé. De fato, o Terceiro Segredo refere-se primeiramente à nossa fé: o ataque à nossa fé pelos que "governam os senhores do mundo", que tentarão impor a religião mundial única (sobre a qual São Pio X alertou em Notre charge apostolique); seqüestrando o papado e usando um papa falso para levar o mundo à apostasia da comunhão inter-religiosa (como representada nas visões de Anna Katharina Emmerich), que se fundará no Paganismo. O verdadeiro papa terá muito que sofrer, como Nossa Senhora revelou à Beata Elena Aiello e outros. O terceiro segredo fala especificamente de um "papa" que estará completamente sob o poder do diabo. Isso tem sido divulgado por múltiplas fontes. A mais notável delas foi o Pe. Malachi Martin, confidente do Cardeal Augustin Bea, que havia recebido o conteúdo do Segredo de Bea. Quando mencionei a Malachi que eu acreditava que o Segredo revelava que haveria um antipapa que seria um herege, Malachi me respondeu, "Ah, se fosse apenas isso!" Deste modo, o 3º Segredo não está exclusivamente focado na perda de fé apenas, mas fala de papas, guerra mundial, perseguição, etc (como alguns que leram o segredo divulgaram); e do governo mundial ímpio contra o qual Bento XV alertou em seu Motu Proprio Bonum Sane (25 de julho de 1920) e que será inaugurado após a derrota das potências da OTAN na Terceira Guerra Mundial.
Creio que o motivo pelo qual Ottaviani se opôs à publicação do Segredo de início foi devido às mesmas apreensões e reservas que Wojtyła & Ratzinger tiveram sobre o texto parecer minar o dogma da indefectibilidade da Igreja – daí, a relutância deles em publicar o Segredo. Contudo, quando Paulo VI começou a alterar radicalmente a liturgia da Missa, Ottaviani reviu seu posicionamento neste ponto, e contornou o juramento de sigilo com a revelação da assim chamada "versão diplomática" do 3º Segredo (que foi publicada em Neues Europa),e que divulga os principais pontos do Segredo, sem mencionar seus detalhes particulares.
Leão XIII não tinha tais apreensões doutrinais, ou preocupações sobre o seqüestro do papado minando o dogma da indefectibilidade. Ele o viu numa visão profética, e previu-o em uma oração que publicou na Raccolta (nº 407 se não me engano). O texto-chave da oração, que li nas versões originais latina e italiana, diz: "Os mais maliciosos inimigos têm enchido de amargura a Igreja, esposa do Cordeiro Imaculado, têm-lhe dado a beber absinto, têm posto suas mãos ímpias sobre tudo o que para Ela é mais sagrado. Onde foram estabelecidas a Sé do Beatíssimo Pedro e a Cátedra da Verdade como Luz para as Nações, eles têm erguido o Trono da Abominação e da Impiedade, de sorte que, ferido o Pastor, possa dispersar-se o rebanho.” Deste modo dar-se-á o cumprimento da escritura: Lamentações 4:12.
Como disse o Cardeal Ratzinger em 1984, "o que foi revelado no Segredo corresponde ao que tem sempre sido revelado em muitas outras aparições marianas" (citado de memória), e as aparições marianas mais comprovadamente autênticas e aprovadas revelam a terceira guerra mundial, a perseguição sangrenta à Igreja, e a falsa religião que os governentes ímpios impingirão ao mundo.
A consagração da Rússia transformará a Rússia no instrumento de Deus contra o império do mal e seu líder, cujo trono estará provavelmente localizado em Astana, Cazaquistão. No entanto, o movimento pela república universal com sua religião universal já está corporificado no Bergoglianismo, que é o motor especificamente planejado segundo a doutrina maçônica a fim de transformar politicamente o mundo, e espiritualmente transformar a Igreja de tal modo que os adapte e modifique para se encaixarem na Nova Ordem.
Notre charge apostolique poderia ter sido escrita hoje contra o Bergoglianismo com muito pouca modificação – de fato, com uma pequena modificação, poder-se-ia editá-la de tal maneira que pareceria ser diretamente contra os bergoglianistas. Cito completas as seções mais ominosas:
"35. Nous craignons qu’il n’y ait encore pire. Le résultat de cette promiscuité au travail, le bénéficiaire de cette action sociale cosmopolite ne peut être qu’une démocratie qui ne sera ni catholique, ni protestante, ni juive; une religion (car le sillonnisme, les chefs l’ont dit, est une religion) plus universelle que l’Église catholique, réunissant tous les hommes devenus enfin frères et camarades dans “le règne de Dieu”. – “On ne travaille pas pour l’Église, on travaille pour l’humanité.” (Tememos que ainda haja pior. O resultado desta promiscuidade em trabalho, o beneficiário desta ação social cosmopolita só poderá ser uma democracia, que não será nem católica, nem protestante, nem judaica; uma religião (porque o sillonismo, os chefes o afirmaram, é uma religião) mais universal do que a Igreja Católica, reunindo todos os homens tornados enfim irmãos e camaradas "no reino de Deus". – "Não se trabalha pela Igreja, trabalha-se pela humanidade".)
"36. Et maintenant, pénétré de la plus vive tristesse, Nous Nous demandons, vénérables Frères, ce qu’est devenu le catholicisme du Sillon. Hélas! lui qui donnait autrefois de si belles espérances, ce fleuve limpide et impétueux a été capté dans sa marche par les ennemis modernes de l’Église et ne forme plus dorénavant qu’un misérable affluent du grand mouvement d’apostasie organisé, dans tous les pays, pour l’établissement d’une Église universelle qui n’aura ni dogmes, ni hiérarchie, ni règle pour l’esprit, ni frein pour les passions et qui, sous prétexte de liberté et de dignité humaine, ramènerait dans le monde, si elle pouvait triompher, le règne légal de la ruse et de la force, et l’oppression des faibles, de ceux qui souffrent et qui travaillent." (E agora, penetrado da mais viva tristeza, perguntamo-Nos, Veneráveis Irmãos, aonde foi parar o catolicismo do Sillon. Ah! Ele, que dava outrora tão belas esperanças, esta torrente límpida e impetuosa foi captada em sua marcha pelos inimigos modernos da Igreja, e agora já não é mais do que um miserável afluente do grande movimento de apostasia organizada, em todos os países, para o estabelecimento de uma Igreja universal que não terá nem dogmas, nem hierarquia, nem regra para o espírito, nem freio para as paixões, e que, sob o pretexto de liberdade e de dignidade humana, restauraria no mundo, se pudesse triunfar, o reino legal da fraude e da violência, e a opressão dos fracos, daqueles que sofrem e que trabalham.)
(Fr. Paul Kramer, em postagem no Facebook de 21/05/2016)

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Bispo húngaro: "Francisco está equivocado, isto é uma invasão"


“Tal como noticiam vários jornais internacionais como o Washington Post, já começaram a sair críticos dentre as fileiras de Francisco. Enquanto o papa dizia este domingo que os católicos de todo o mundo têm o dever moral de ajudar os refugiados acolhendo uma família em cada monastério, igreja, santuário ou paróquia, na Hungria, um dos países aonde mais têm chegado refugiados, o bispo Laszlo Kiss-Rigo disse publicamente o contrário: “Não são refugiados. Isto é uma invasão.” Para o bispo húngaro, Francisco estava “equivocado” e os refugiados “vêm aqui com gritos de Allahu Akbar (Alá é grande). Querem tomar o controle.
Kiss-Rigo insiste em que Francisco “não conhece a situação”, que descreve como a inundação da Europa por pessoas que se fazem passar por refugiados, mas na realidade são uma grave ameaça para o continente “cristão” e seus “valores universais”.
Sobre os refugiados, Kiss-Rigo disse que “a maioria deles se comporta de maneira arrogante e cínica” e que a maioria tem dinheiro e recusa a comida.
Enquanto isso, Francisco pediu perdão aos refugiados que chegam à Europa pela “indiferença” e a “mentalidade fechada” com a qual os países ocidentais costumam receber essas pessoas.
Por sua vez em uma entrevista, o jornalista faz uma pergunta a Mons. Schneider:
Sr. Fülep: Qual é seu ponto de vista sobre a crise da migração na Europa? Qual é a boa atitude católica em relação a ela?
Mons. Schneider: Isto é mais ou menos uma questão política. Não é a primeira tarefa dos bispos fazer declarações políticas. Mas como uma pessoa privada, não como um bispo, eu diria que a chamada “migração” é planejada e programada artificialmente, e inclusive se pode falar de uma espécie de invasão. Algumas potências políticas mundiais a têm preparado faz anos, criando confusão e guerras no Oriente Médio “ajudando” a estes terroristas ou não se opondo a eles oficialmente, pelo que – de certa maneira – contribuíram para esta crise. A transferência de dita massa de pessoas, que são predominantemente muçulmanas e que pertencem a uma cultura muito diferente, ao coração da Europa é problemática. Portanto há um conflito programado na Europa e a vida civil e política se desestabiliza. Isso deve ser evidente para todo o mundo.”

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domingo, 24 de abril de 2016

A ética situacional está condenada pela Igreja


“A “ética (ou moral) situacional” é um erro condenado pelo papa Pio XII* e pelo Santo Ofício em 1956. Esse erro propõe como norma moral O SUBJETIVISMO, pois sustenta que a própria consciência não pode ser ordenada por princípios e leis universais (como os Dez Mandamentos e a Revelação), mas que em cada caso há de ver-se conforme as concretas condições ou circunstâncias nas quais há que atuar, e de acordo com o qual a consciência individual tem que julgar e escolher. Assim, segundo os modernistas, a consciência subjetiva (embora esteja culpavelmente mal formada) prevalece sobre a moral objetiva. Esse gravíssimo erro está presente em Amoris laetitia, pois sem negar os princípios, os viola e os contradiz na prática pastoral, invocando – sem nomeá-la – a “ética situacional”, pois em vez de ajudar e corrigir as consciências que estivessem deformadas, as apóia em seu erro e as precipita no abismo.
Santo Tomás de Aquino define a consciência como um ato de juízo prático mediante o qual se aplicam os princípios universais às condições particulares (S. Th., I, q. 79, a. 13). Conseqüentemente, segundo a moral correta, a consciência aplica a norma moral objetiva ao caso particular; não cria a norma em função da situação subjetiva em que se encontre o sujeito.
A “ética situacional” anula a objetividade da moral tornando-a subjetiva, individual e pessoal, e com isso o sujeito se sente autorizado a julgar que tal ou qual mandamento ou virtude objetivos não são praticáveis por ele na situação em que se encontra e, portanto, segundo ele, não o obrigam.
*Nota: A neomoral de situação foi condenada pela Igreja mediante três solenes declarações pontifícias de Pio XII: a Mensagem Radiofônica aos educadores cristãos, de 23 de março de 1952 (AAS, nº 44, 1952, pág. 273); o Discurso aos delegados da Federação Mundial das Juventudes Femininas Católicas (AAS, nº 44, 1952, pág. 414), e o Discurso por ocasião do quinto Congreso Mundial de Psicologia Clínica, de 13 de abril de 1953 (AAS, nº 45, 1953, pág. 278). Por fim, o Santo Oficio promulgava, a respeito da neomoral, um decreto datado de 2 de fevereiro de 1956 (AAS, nº 48, 1956, págs. 144-145)."

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sexta-feira, 15 de abril de 2016

A herança maldita de Bergoglio na Argentina

“Sim, eu conheço Bergoglio. Ele é uma pessoa que causou muitos problemas na Sociedade e é bastante controverso em seu próprio país. Além de ser acusado de ter permitido a prisão de dois jesuítas na época da ditadura argentina, como Provincial ele gerou lealdades divididas: alguns grupos quase o adoravam, enquanto outros não queriam ter nada a ver com ele, que mal falava com eles. Era uma situação absurda. Ele é bem instruído e muito capaz, mas está cercado por esse culto de personalidade que é extremamente divisivo. Ele tem uma aura de espiritualidade que usa para obter poder. Será uma catástrofe para a Igreja ter alguém como ele na Sé Apostólica. Ele deixou a Sociedade de Jesus na Argentina destruída, com os jesuítas divididos e instituições destruídas e financeiramente quebradas. Passamos duas décadas tentando consertar o caos que esse homem deixou para nós.”
(Paul Vallely, Pope Francis: Untying the Knots)

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Uma vitória da seita modernista

“Com seus documentos, a revolução conciliar age através de duas frentes: uma para os “bonistas”, geralmente distraídos e intoxicados de “papolatria” e outra para os entendidos, os que sabem até onde se quer chegar, tomando-se o tempo necessário para permitir que a infecção alcance o nível da septicemia. Seu pretexto favorito é que se devem erradicar “as rigidezes e os farisaísmos”, sem se agarrar à “aridez” da lei. Os primeiros se conformam com as referências a documentos do V-II mais ou menos passáveis, refugiados em uma “hermenêutica da continuidade” cada vez mais insustentável. E quando tropeçam em um texto ambíguo – os há para todos os gostos – se conformam com os “esclarecimentos”. Ou com os “esclarecimentos dos esclarecimentos”.
Para os segundos, é “o espírito” e não a letra, o que os alenta a prosseguir sua tarefa demolidora, podendo-se dizer que nem sequer a “letra” tem muita vida. Em pouco tempo, “o espírito” passa por cima dela e a esmaga (Dignitatis humanae e Nostra aetate, por exemplo). Amoris laetitia é o último e bom exemplo das táticas de subversão conciliar. Por um lado, as afirmações ortodoxas servem de ópio para os “conservadores” - ou simplesmente broncos? - que estão sempre na defensiva, sem se animarem a ir a fundo contra os modernistas. E por outro lado, a porta se abre mais para que a heresia e o erro consolidem seus avanços. Baste por hoje citar um só parágrafo da tagarelice:
“305. Por isso, um pastor não pode se sentir satisfeito somente aplicando leis morais aos que vivem em situações “irregulares”, como se fossem pedras lançadas sobre a vida das pessoas. É o caso dos corações fechados, que costumam se esconder atrás dos ensinamentos da Igreja “para sentar-se na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas”. [349]. … Devido aos condicionamentos ou fatores atenuantes, é possível que, em meio a uma situação objetiva de pecado – que não seja subjetivamente culpável ou que não o seja de modo pleno – se possa viver na graça de Deus, se possa amar, e também se possa crescer na vida da graça e da caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja [351]. O discernimento deve ajudar a encontrar os possíveis caminhos de resposta a Deus e de crescimento em meio aos limites. Por crer que tudo é branco ou preto, às vezes fechamos o caminho da graça e do crescimento e desencorajamos caminhos de santificação que dão glória a Deus.
E também uma das notas:
“[351] Em certos casos, poderia ser também a ajuda dos sacramentos. Por isso, “recordo aos sacerdotes que o confessionário não deve ser uma sala de torturas nas o lugar da misericórdia do Senhor”: Exhort. ap. Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), 44: AAS 105 (2013), 1038. Igualmente destaco que a Eucaristia “não é um prêmio para os perfeitos mas um generoso remédio e um alimento para os débeis” (ibid, 47: 1039).”
Belloc em seu livro sobre a Reforma diz que levou meio século para que os católicos se inteirassem de que eram anglicanos. E 50 anos cumpridos tem o V-II, embora muitos católicos não se dêem conta de que se lhes quis inculcar outra fé.
Amoris laetitia é outro passo triunfal da seita modernista.
Monsenhor Marcel Lefebvre, ora pro nobis.”

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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Bergoglio bifronte


“Fiquei desconcertado e escandalizado pelo que escreveu Maurizio Blondet em um recente artigo seu, a propósito das palavras que Bergoglio dirigiu aos frades Franciscanos da Imaculada no passado 10 de junho.
Blondet recorda que o discurso que fez ficou registrado, pelo que me sinto levado a considerar, conhecendo a honestidade intelectual desse jornalista católico, que não tem motivo para mentir.
Disse Bergoglio:
A mim se me explicou a [vossa] situação tranqüilamente, suavemente; orei com benevolência por vós e concluí que devia tomar essas decisões [do comissariado] depois de haver recebido conselho […] O princípio que me guiou foi o da obediência, porque é justamente esse o princípio da catolicidade. Quando pensamos na reforma protestante, dizemos que esta começou com a revolta: separar-se do bispo, separar-se de Roma não é a catolicidade.
E aqui já não podemos deixar de perceber uma dissonância: a invocação à obediência (mas sobre isso voltarei mais tarde) e aquela à Pseudo-reforma protestante, que começou com a revolta, com separar-se de Roma. Mas como? E onde vai parar o diálogo ecumênico, com o qual enche a boca o Bispo de Roma a cada passo? Quer dizer que os protestantes são rebeldes? Com os Franciscanos da Imaculada Bergoglio emprega termos que estão em franca oposição com aqueles melífluos de seus numerosos encontros com os hereges, antes e depois da farsa do Conclave.
E prossegue nosso sujeito:
Santo Inácio nos disse que a regra “para sentir com a Igreja” é que se eu vejo uma coisa negra que é negra e a Igreja diz que é branca, tenho que dizer que é branca.
Nas barbas da liberdade dos filhos de Deus tão decantada pelo Conciliábulo! São Paulo nos diz rationabile sit obsequium vestrum. O paradoxo de Santo Inácio soa pelo menos inapropriado na boca de um filho da revolução conciliar que não tem escrúpulos em contrariar a doutrina católica cada vez que tem a ocasião. Posto a Igreja não poder dizer que o branco é negro, que a verdade é erro e vice-versa: do contrário menosprezaria o mandato divino recebido da parte de seu Fundador. E ainda quando se quisesse aceitar a advertência inaciana, gostaríamos de entender por que razão, quando a Igreja diz que o matrimônio é indissolúvel e que os adúlteros estão fora da comunhão, Bergoglio toma o telefone e chama seu porta-voz Scalfari para tranqüilizá-lo de que os divorciados poderão receber os Sacramentos. Por que quando a Igreja manda pregar o Evangelho a todas as gentes, ele defende que o proselitismo é uma solene tolice.
Com o estilo diamantino que o caracteriza, acrescenta:
E sem o Papa, a ti quem te garantiria tua ortodoxia, longe do Papa?
Na verdade, essa proposição também range, especialmente com respeito às já proferidas acerca da conversão do papado feitas aos cismáticos do Oriente. Sem contar que os cismáticos, os hereges e os idólatras com os quais gosta de aparecer parecem prescindir tranqüilamente do Papa, e isso não parece constituir um problema para a igreja conciliar.
Depois retoma:
Mas quando há uma hermenêutica ideológica, eu tenho medo, tenho medo.
Mas como? Não acabava de dizer que é mister obedecer cegamente à Igreja, inclusive se o que ela afirma estiver em contradição com a realidade, ou ao menos com aquilo que a nós se parece como tal? Que há de mais ideológico que uma obediência irracional a qualquer ordem do Papa? E no entanto Bergoglio tem medo: é de se perguntar a esta altura se ele teme a si mesmo.
E depois a habitual estocada genérica, sem nomes, brandida para deslegitimar uma coisa em si boa em nome de um caso limite. O típico estratagema capcioso: legitimar o divórcio porque um marido alcoolizado bate na pobre esposa; autorizar o aborto porque um delinqüente violou uma jovem deixando-a grávida etc. Ou, descendo aos discursos de bar: melhor um bom leigo que um mau cura. Por fim, o derrotismo e o engano ideológico erigidos em pastoral.
Eu recordo... é certo que todos devemos ser ortodoxos, mas tantas vezes se usa [a palavra “ortodoxia”, NdR] para justificar procedimentos que finalmente não resultam tão claros. Recordo-me de um bispo da América Latina, que nos espancava a todos: “a ortodoxia! A ortodoxia!”, mas era um especulador, fazia negócios com dinheiro... Deste modo uns acusam os outros para encobrir outros interesses.
Depois, o elogio hipócrita da Ordem:
Vosso carisma é um carisma singular: é o espírito de São Maximiliano Kolbe, um mártir, e é o espírito de São Francisco, o amor à pobreza, a Jesus despojado...
Notemos que foi precisamente por estes dias que Bergoglio ordenou aos franciscanos, através de seus emissários de púrpura, que não levassem a Medalha milagrosa, que suprimissem o voto mariano, que não mencionassem mais São Maximiliano Kolbe.
Mas, como justamente afirma Blondet, vem logo depois uma frase que soa – para dizer o mínimo – aterrorizante:
Há outra coisa que me faz entender por que o demônio está tão enojado convosco todos: a Virgem. Há algo que o demônio não tolera... não tolera a Virgem, não tolera e não tolera mais essa palavra de vosso nome: Imaculada, porque tem sido a única pessoa somente humana na qual ele encontrou sempre a porta fechada, desde o primeiro momento; ele não [a] tolera.
O nexo de conseqüência que se deduz das palavras do Bispo de Roma se nos escapa. Ou melhor: a única interpretação possível dessas palavras, à luz das disposições tomadas por ele contra os Franciscanos da Imaculada, encontra-se somente na casuística dos exorcismos. Não é raro, de fato, que Satanás seja forçado por Deus a obedecer ao exorcista, afirmando verdades que lhe repugnam e que revelam seus enganos.
Não pensava que chegaria a teorizar uma enormidade semelhante, mas me parece que somente se podem hipotetizar dois casos que justifiquem essas palavras: a possessão diabólica ou uma forma de bipolarismo, de patológico desdobramento da personalidade.
Pensai no momento que agora viveis como uma perseguição diabólica, pensai assim...
Uma perseguição diabólica, sem dúvida, mas pela qual se confessou responsável e único mandante nada menos que o Pontífice Romano, o Vigário de Cristo, o Príncipe dos Apóstolos.
Ou acaso, com implicações menos desastrosas mas não por isso menos horripilantes, um usurpador foi eleito com a fraude de um Conclave viciado. Um usurpador que pretende obediência cega, imediata, absoluta, para além da razão e pisoteando a própria Fé. Um tirano que persegue os bons explorando seu sentido de fidelidade à Igreja e que ao mesmo tempo prostitui a Igreja com o mundo, adultera o ensinamento, perverte a moral, viola a espiritualidade e o impulso apostólico, humilha o Fundador.
Um tirano que pretende com arrogância uma obediência delirante, inclusive se tivesse que afirmar algo contra a evidência. Que não fosse parrésia. Por outro lado, até a farsa do Sínodo serviu para demonstrar que a verdadeira Relatio Synodi foi publicada por Scalfari depois da enésima chamada telefônica de Bergoglio.
Que continuem, pois, os mediadores buscando justificativas para a obra desse personagem vestido de branco. Eu considero extremamente difícil, com toda a boa vontade, não extrair as conseqüências lógicas dos atos infames pelos quais ele todos os dias se faz responsável.
Que a Virgem Imaculada, terribilis ut castrorum acies ordinata, ilumine as mentes escurecidas dos Prelados e lhes dê a coragem de opor-se a esse Anticristo.”

Original em http://opportuneimportune.blogspot.com.ar